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Intercâmbio científico aproxima pesquisadores suíços e brasileiros


Por Maurício Thuswohl , Rio de Janeiro


Com o objetivo de promover o intercâmbio entre pesquisadores que atuam em instituições científicas de ponta no Brasil e na Suíça, o programa Academia Industry Trainning (AIT), promovido pela Secretaria de Estado da Educação, Pesquisa e Inovação da Suíça, chega a sua terceira edição.

Pesquisadores de diversos países se informam sobre a ciência na Suíça durante seminário organizado em Zurique. (Cortesia)

Pesquisadores de diversos países se informam sobre a ciência na Suíça durante seminário organizado em Zurique.

(Cortesia)

Realizado em parceria pela Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL) e pela Swissnex Brazil, o programa inclui a participação de pesquisadores brasileiros em uma semana de atividades na Suíça, onde podem apresentar seus projetos, receber orientações de empreendimento e inserção no mercado e travar contato com instituições de pesquisa e empresas.

As inscrições para a terceira etapa do AIT terminaram em 30 de junho, e foram aptos a se candidatar à participação no programa pesquisadores brasileiros que tenham nível de PhD, mestrado ou pós-doutorado. Em julho ocorrerá uma série de entrevistas com candidatos pré-selecionados pelas equipes da EPFL e da Swissnex. Ao fim desse processo, oito pesquisadores foram escolhidos para participar do terceiro AIT Camp, que scontece de 28 de novembro a 2 de dezembro nas cidades suíças de Lausanne e Zurique. Antes, será realizado um campo de treinamento também no Brasil, com a participação de pesquisadores suíços, de 3 a 7 de outubro no Rio de Janeiro.

O programa AIT teve início em 2014, quando foi selecionada uma primeira turma com pesquisadores brasileiros para o intercâmbio internacional. A segunda turma, reunida em 2015, voltou há pouco da Suíça, onde esteve na última semana de abril para apresentar projetos nas áreas de Saúde, Tecnologia da Informação e Tecnologias Verdes. Após a semana de atividades e a apresentação final dos projetos, os destaques foram os pesquisadores Lucas Secchim Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Paula Regina Fortes, da Universidade de Campinas (Unicamp), que receberam, cada um, prêmio de R$ 25 mil.

O projeto de Paula Regina trata do desenvolvimento de sensores para a obtenção de diagnósticos a partir da respiração. Uma vez desenvolvido, poderá evitar que pacientes sejam submetidos nos hospitais a alguns procedimentos invasivos e, na maioria das vezes, dolorosos. Também na área de Saúde, o projeto de Lucas trabalha com biologia molecular para a obtenção de diagnósticos rápidos e precisos para doenças infecciosas, inovação que, se levada ao mercado, pode tornar muito mais eficiente o atendimento em clínicas e postos de saúde.

“O objetivo central do meu projeto é desmistificar o uso da biologia molecular dentro do ambiente clínico e nosocomial. Atualmente, os médicos têm certo receio e discriminação quanto à utilização destas técnicas, muitas vezes por desconhecerem as vantagens dessa metodologia que já é utilizada em larga escala em países desenvolvidos”, diz Lucas Secchim.

Oportunidade

O projeto, diz o pesquisador brasileiro, propõe um serviço de diagnóstico de infecções recorrentes dentro do centro clínico: “O resultado obtido pelo cliente será um diagnóstico mais rápido, com excelente relação custo-benefício que vai, em curto prazo, reduzir os gastos totais por paciente e, além disso, gerar um bom marketing para o serviço de saúde prestado”.

A oportunidade de participação no AIT foi muito importante, diz Lucas, que trabalha como residente pós-doutoral na UFMG: “A vida na bancada tem sido meu foco nos últimos dez anos. Sempre tive uma grande vontade de transformar o conhecimento adquirido em algo útil para a sociedade, mas o ambiente acadêmico nos cobra tempo e dedicação em tal proporção que pode inibir o desenvolvimento paralelo de outras atividades. Nesse contexto, a experiência que o AIT Camp acrescentou em minha vida profissional foi singular”.

“Em duas semanas, separadas por sete meses, pude interagir com mentes diferentes, ideias distintas e absorver um denso conteúdo a respeito do mundo da inovação, aflorando todo o potencial empreendedor abafado pela academia. Com os mentores, coaches e workshops, eu conheci táticas de negociação, formas de abordar e apresentar minhas ideias e como desenvolvê-las em negócios de sucesso”, continua Lucas.

Sucesso

Gerente do AIT pela Swissnex, Adriano Bürgi analisa o segundo ciclo do programa: “A evolução de todos os participantes é o nosso maior indicador de sucesso e esta evolução ficou nítida entre o campo no Brasil, realizado em outubro de 2015, e o campo na Suíça, ocorrido no ultimo mês de abril. Acreditamos que um dos ingredientes adicionais do AIT para este sucesso tenha sido o programa de parceria entre estudantes brasileiros na área de negócios e os participantes do AIT, idealizado e implementado pela Swissnex Brazil. Dessa maneira, cada participante do AIT pode avançar com suas respectivas ideias de negócio, assim como com suas respectivas pesquisas sobre o mercado brasileiro tendo como parceiro um estudante universitário brasileiro”.

Até o momento, diz Bürgi, o AIT tem gerado ótimos resultados no que diz respeito ao estreitamento da cooperação entre os dois países: “Essa aproximação ocorre não somente no campo da pesquisa científica, viabilizada pelas inúmeras visitas que o AIT proporciona a instituições de pesquisa tanto na Suíça quanto no Brasil, mas também no campo dos negócios, onde já contamos com uma parceria entre uma startup suíça, que participou da última edição do AIT, com uma startup brasileira, que foi palestrante durante a última edição”.

Outro ponto positivo é que parte dos pesquisadores está levando suas ideias de negócio adiante: “Vários participantes estão atualmente se destacando em processos seletivos de incubadoras e aceleradoras, por exemplo, o que nos dá muita satisfação, pois sabemos que o AIT contribuiu significativamente para isto. Em relação aos participantes do AIT que já começaram a empreender recentemente, podemos observar uma maior clareza quanto aos mercados brasileiros e suíços e esperamos compartilhar em breve as experiências de inserção dessas startups promissoras nestes mercados”, diz Bürgi.

Crescimento

Na avaliação da Swissnex Brazil, o Programa Academia Industry Trainning (AIT) vem crescendo a cada edição, seja no número de participantes e candidaturas ou no apoio que recebe tanto do Conselho Federal Suíço quanto do governo brasileiro. No Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), por intermédio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), tem apoiado o programa e viabilizado a ida dos pesquisadores brasileiros ao campo de treinamento na Suíça.

O AIT tem espaço para crescer ainda mais no Brasil. Segundo o gerente do programa de parceria entre a Swissnex Brazil e a Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), Adriano Bürgi, o próximo passo é intensificar a participação de pesquisadores de todas as regiões do país: “Buscaremos pesquisadores do Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Para a chamada da próxima edição do AIT, intensificamos a divulgação nestas regiões”, diz.

Quais benefícios a Suíça tem ao incentivar o intercâmbio científico com outros países? Dê aqui a sua opinião. 

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