A justiça ordenou nesta quarta-feira o bloqueio de 60 milhões de reais da empresa alemã Tüv Süd, encarregada de certificar a estabilidade da barragem de Brumadinho, devido a sua suposta responsabilidade no desastre que deixou 238 mortos e 32 desaparecidos em janeiro.

A decisão, em caráter liminar, foi assinada pela juíza Perla Saliba Brito, da comarca de Brumadinho (na região metropolitana de Belo Horizonte) e decreta a indisponibilidade de bens, direitos e valores das empresas TÜV SÜD Bureau de Projetos e Consultoria e TÜV SÜD SFDK Laboratório de Análise de Produtos -braços do grupo alemão no Brasil-, segundo o tribunal.

A magistrada também decretou a suspensão das atividades referentes a análises, estudos, relatórios técnicos e qualquer outro serviço semelhante com segurança de estrutura de barragem, além de trabalhos como auditoria, análise e certificação de sistemas de gestão ambiental.

Perguntada pela AFP, a empresa não se manifestou até o momento sobre a decisão.

A Tüv Süd foi a encarregada de certificar a estabilidade da barragem 1 da mina Córrego do Feijão, propriedade da Vale, que rompeu no dia 25 de janeiro gerando um mar de lama e de resíduos de mineração destruindo quilômetros por onde passou.

O desastre deixou 238 mortos e 32 desaparecidos, a maioria trabalhadores da mina, propriedade da Vale.

Poucos meses antes, em setembro de 2018, um dos engenheiros geotécnicos da Tüv Süd certificou a estabilidade da barragem no relatório enviado às autoridades. Para a juíza de Brumadinho essa avaliação não foi transparente, já que los próprios documentos anexados demostravam que a situação era "crítica".

Segundo a magistrada, há "indícios de que funcionários da Tüv Süd, em diversos níveis hierárquicos, conscientes da situação crítica da operação, se articularam para encobrir a real situação da barragem que veio a se romper, com o objetivo de manter contratos firmados com a Vale.

Desde a tragédia, foram detidos 11 funcionários da Vale e dois da Tüv Süd, todos liberados pouco depois.

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