Líderes do G20 cedem aos EUA e recuam em acordo de livre comércio

 Reuters internacional

BADEN BADEN (Reuters) - Líderes financeiros das maiores economias do mundo recuaram na promessa de manter o comércio global livre e aberto, concordando com o protecionismo cada vez maior dos Estados Unidos, depois de não ser possível chegar a um acordo na reunião de dois dias.

Quebrando uma tradição que durava uma década de apoiar o livre comércio, ministros das finanças e chefes de bancos centrais do G20 fizeram apenas uma referência simbólica ao comércio em seu comunicado, neste sábado, derrota clara da nação anfitriã Alemanha, que lutou contra as tentativas do novo governo norte-americano de enfraquecer compromissos anteriores.

No maior conflito da nova administração dos EUA com a comunidade internacional, as autoridades do G20 também retiraram do seu comunicado a promessa de financiar a luta contra as mudanças climáticas, resultado que já era antecipado, depois de o presidente norte-americano Donald Trump chamar o aquecimento global de "engano".

Em uma reunião que, segundo alguns, às vezes foi 19 contra um, os EUA não cederam em questões chave, essencialmente atacando acordos anteriores, já que o G20 exige consenso. Mesmo assim, o diálogo foi amigável e sem confrontos, deixando a porta aberta para acordo futuro, disseram oficiais presentes na reunião. 

"Este é meu primeiro G20, então, o que estava no comunicado anterior não é necessariamente relevante, do meu ponto de vista", disse o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, em Baden Baden.

"Eu entendo o desejo do presidente e suas políticas, e eu as negociei aqui", disse Munichin. "Não poderia ter ficado mais feliz com o resultado".

Procurando colocar a "América primeiro", Trump já se retirou de um acordo comercial importante e propôs novos impostos em importações, argumentando que algumas relações comerciais precisam ser retrabalhadas para serem mais justas para os trabalhadores norte-americanos.

Comércio internacional constitui quase metade da produção econômica global e oficiais disseram que o assunto poderia ser revisitado na reunião dos líderes do G20, em julho.

Enquanto alguns expressaram frustrações, como o ministro das Finanças da França, Michel Sapin, outros minimizaram a disputa.

"Não é que não estamos unidos", disse o ministro alemão Wolfgang Schäuble. "Não houve discussão de que somos contra o protecionismo. Mas não está muito claro o que (protecionismo) significa para cada um (dos ministros)".

Ele acrescentou que alguns ministros não tinham autonomia total para negociar já que não estão totalmente à frente de assuntos comerciais.

Outros sugeriram que a reunião dos líderes do G20, em Hamburgo, em julho, poderia ser uma oportunidade real para convencer os EUA.

Reuters

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