AFP

As mais poluídas e as mais ricas deverão agir imediatamente e drasticamente (Nova York, Melbourne...). As mais pobres (El Cabo, Durban, Quito...) terão um pouco mais de tempo

(afp_tickers)

Como manter o aquecimento global abaixo de 2°C estará no centro dos debates de prefeitos de todo o mundo reunidos pelo segundo dia na Cidade do México, sob a sombra do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que não acredita neste fenômeno climático.

O Grupo de Liderança Climática das Cidades (C40), a maior rede de cidades globais, é presidido pela primeira vez pela prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que assume o cargo em sucessão ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Está previsto que até o final desta quinta-feira serão assinados novos compromissos para concretizar inventários e planos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2020, conforme estabelece o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

"No México, Paris e outras cidades pioneiras anunciarão as novas medidas para lutar contra a poluição do ar", disse Hidalgo na quarta-feira.

Entre as propostas estão incentivar o uso da bicicleta e do transporte público, o desenvolvimento de edifícios ecológicos e a transição para fontes de energia renováveis.

Enquanto os gases de efeito estufa saturam cada vez mais a atmosfera, "a janela de oportunidade está se fechando", afirma um relatório do C40, que adverte: "As cidades pagarão o preço da inação".

"Se nossos usos e infraestruturas seguirem se desenvolvendo segundo a modalidade atual, em 5 anos o mundo terá emitido a quantidade suficiente de gases para superar os 2ºC". Precisamente, um terço das emissões são resultado de atividade urbana (infraestruturas, urbanismo, transporte, etc), acrescenta o estudo, intitulado "Deadline 2020" (Data limite 2020).

Para que seja respeitado em escala mundial o limite de 2ºC que os países acordaram no fim de 2015 em Paris, as grandes cidades deverão reduzir suas emissões, de 5 toneladas de equivalente CO2 por habitante e por ano a 3 em 2030 e 0,9 em 2050.

O relatório publicado por ocasião da reunião do México propõe trajetórias de ação um pouco diferentes de acordo com a situação das cidades.

As mais poluídas e as mais ricas deverão agir imediatamente e drasticamente (Nova York, Melbourne...). As mais pobres (El Cabo, Durban, Quito...) terão um pouco mais de tempo.

As propostas serão submetidas aos membros do C40 no México.

Criado em 2005, o C40, com sede em Londres, reúne 85 cidades, como Nova York, San Francisco, Vancouver, Londres, Paris, Moscou, Roma, Milão, Atenas, Seul, Bombaim, Jacarta, Melbourne, Hong Kong, Pequim, São Paulo, Buenos Aires, Cidade do Cabo e Cairo.

"Soluções estão nas cidades"

"Temos que compartilhar nossas experiências", disse em uma coletiva de imprensa telefônica o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, presidente do conselho de administração do C40.

"As soluções estão nas cidades", insistiu Bloomberg. "Desde a eleição presidencial norte-americana foram manifestadas muitas inquietações (sobre o futuro da luta contra as mudanças climáticas). O futuro governo (de Donald Trump) ainda não revelou sua política, mas os prefeitos nunca esperaram que Washington atue e seguirão dando o exemplo".

As medidas precisarão, no entanto, de 375 bilhões de dólares nos próximos quatro anos, levando em conta apenas as cidades do C40 que representam 7% de emissões urbanas.

Hidalgo convocou os doadores a "apoiar as políticas climáticas em nível municipal".

Entre as reivindicações da coalizão figuram o acesso das cidades aos financiamentos climáticos internacionais (do Fundo Verde, por exemplo).

No primeiro dia do encontro, na quarta-feira, o prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, anunciou que os prefeitos de 38 cidades dos Estados Unidos, incluindo Chicago, Washington, Nova York, Austin e Houston, enviaram uma carta a Trump para notificar que continuarão com seus esforços para lutas contra as mudanças climáticas.

Trump disse que as mudanças climáticas são um "mito" inventado pela China e ameaçou anular os compromissos dos Estados Unidos de respeitar o Acordo de Paris.

"As ações locais são mais importantes do que as de nível nacional", disse na quarta-feira Garcetti.

A carta foi assinada inclusive por prefeitos de cidades menores, assim como estados republicanos. "É um exemplo de colaboração de todos os prefeitos dos Estados Unidos", disse Garcetti.

As cidades do C40 representam no total 650 milhões de habitantes, e seus territórios geram 25% do PIB mundial.

afp_tickers

 AFP