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Má reputação Nota de 1000 francos vitalícia seduz criminosos

A nota de 1000 francos suíços, a cédula mais cara do mundo, é um enorme sucesso. O governo suíço agora quer acabar com o prazo de troca das notas antigas. Uma proposta que suscita a ira da esquerda e da organização anticorrupção Transparency International.

 Homem segurando uma nota de 1000 francos

A nota de 1000 francos atualmente em circulação, ornada com o retrato do historiador Jacob Burckhardt. Uma nova versão dessa cédula tão controversa será lançada no fim de 2019. 

(Keystone/Martin Ruetschi)

Até agora, as notas antigas podiam ser trocadas durante vinte anos após serem retiradas de circulação pelo banco central suíço (BNS), que emite novas séries de denominações a cada 15 a 20 anos. Uma prática em contradição com a da maioria dos países industrializados, que permitem uma troca sem limite de tempo, da qual o Conselho Federal (governo) pretende agora se inspirar.

Em agosto deste ano, o governo federal apresentou um projeto de emenda à Lei Federal de Unidade Monetária e Meios de Pagamento. A abolição deste período de troca abrange todas as notas emitidas entre 1976 e 1979, as famosas “formigonas” de mil francos, bem como as séries seguintes.

A proposta foi bem recebida pelos principais partidos de direita durante a fase de consulta que terminou em meados de novembro. Tanto o Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão) quanto o Partido Liberal Radical (PLR) consideram insustentável que as notas suíças percam seu valor após vinte anos de serviço.

Moeda preferida dos criminosos

A esquerda, por outro lado, rejeita o projeto defendido pelo ministro das Finanças, Ueli Maurer (SVP). O Partido Socialista estima que a atratividade da nota de 1000 francos será ainda mais forte. Uma situação que não só beneficiaria os poupadores, como também todos aqueles que praticam atividades ilegais, como a evasão fiscal, a lavagem de dinheiro ou o financiamento do terrorismo.

Receios que levaram Singapura a deixar de produzir notas de 10.000 dólares em 2014 – elas eram até então as notas de maior valor no mundo - e o Banco Central Europeu anunciar que iria parar de emitir a partir do final de 2018 as notas de 500 euros, consideradas pelas autoridades europeias como a "moeda preferida" dos criminosos.

Esta falta de alternativas no exterior, bem como o fim da validade das notas suíças, também preocupa a seção suíça da organização anticorrupção Transparência Internacional. "Para nós, isso encoraja ainda mais as atividades ilegais, como a corrupção e a evasão fiscal, mas também a posse de fundos ilegais e o crime organizado", afirmou a organização.

Notas disputadíssimas

Só para ressaltar a enorme popularidade das notas de 1000 francos: dos 72 bilhões de francos em espécie colocados em circulação em 2016, 62% seriam mantidos em cédulas de 1000. Por sua vez, a Transparência Internacional julga que seria melhor abolir definitivamente a emissão dessa nota.

Pois a famosa nota roxa, que vale uma nota preta, não seria apreciada só na Suíça. "O uso do dinheiro tem a vantagem de não deixar vestígios. Pessoas ou organizações no exterior podem, portanto, usar as denominações suíças como valor de troca e protegê-las dos olhos das autoridades fiscais ou judiciárias", denuncia a organização anticorrupção.

No entanto, não é certo que este aviso seja ouvido pelo Conselho Federal, cuja maioria SVP-PLR deve confirmar em breve o impulso extra dado à notoriedade, às vezes duvidosa, da nota de 1000 francos suíços.


Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch

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