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Medalha de ouro


Centro de elite forma campeões suíços para as Olimpíadas


Por Emil Bischofberger e Christian Brüngger


Uma visita ao Centro Esportivo Magglingen, que oferece uma vasta gama de opções para atletas de ponta, como por exemplo o campeão de mountain bike Nino Schurter. O Centro Magglingen é muito procurado antes dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

Os melhores atletas da Suíça recebem treinamento e orientação no centro em Magglingen, sobre uma montanha ao lado da cidade de Bienne.  (Keystone)

Os melhores atletas da Suíça recebem treinamento e orientação no centro em Magglingen, sobre uma montanha ao lado da cidade de Bienne. 

(Keystone)

Nino Schurter cambaleia depois de descer da mountain bike. Enxuga o fio de saliva que escorre pelo seu lábio inferior – e dentro em pouco já está fazendo brincadeiras novamente. “Meu rendimento poderia ter sido um pouco melhor”, diz ele após o teste de 24 minutos de duração que consiste em obter o nível de desempenho máximo.

Para Nino Schurter – a maior esperança de medalha de ouro para a Suíça nos Jogos Olímpicos do Rio – o treino no Centro Esportivo de Magglingen, sobre uma montanha ao lado da cidade de Bienne (noroeste da Suíça) é parte integrante do preparo para este evento. Durante dois dias o atleta de 29 anos passa por exames minuciosos. Desde um scanner corporal completo que revela como está a distribuição de músculos e de gordura no corpo, passando pela medição do volume de sangue, até o teste final de desempenho na esteira gigante. Esta esteira foi feita em 2007, primeiramente para os testes de desempenho dos atletas de esqui cross-country. Não por acaso, o prédio onde a esteira está localizada se chama “Pavilhão Nórdico”.

Em 2010, a esteira passou a ser usada também pelos ciclistas de mountain bike. Todos os atletas de ponta fazem simulação de corrida nesta esteira. A arrancada de aquecimento dura quatro minutos, depois seguem-se duas rodadas de 10 minutos cada. A inclinação muda continuamente e chega a atingir 18% de declive. No final, o que conta é a distância percorrida.

O medo das medições

A meta é sempre superar a última marcação atingida. No passado, Nino Schurter conseguia sempre se superar. “Para um atleta do nível dele, isso é extraordinário”, diz o auxiliar técnico Beat Müller, que realiza os testes. 2016 não é exceção: Schurter alcança valores máximos mais uma vez. Ele está pronto para o início da temporada, que começou na segunda-feira depois da Páscoa. O ponto forte do campeão do mundo é o equilíbrio do seu desempenho. “Nino tem um perfil muito competente. Ele não possui números recordes em nenhum quesito, mas está entre os melhores em tudo. Por isso ele é um forte concorrente em todos os circuitos”, afirma Müller.

Schurter não gosta dos testes. Fica mal humorado todas as vezes que tem que ir para o Centro Esportivo. Em 2008, ele concluiu em Magglingen a Escola de Recrutas para Atletas de Ponta. Desde então retorna duas vezes por temporada para novos testes. “Tenho sempre um pouco de medo destes testes”, confessa Schurter. “É como uma competição, só que apenas para o papel. Os resultados me deixam com a consciência tranquila, são uma confirmação. Mas atualmente só pelo treino eu já consigo sentir exatamente se estou em boa forma.”

Não só os ciclistas de mountain bike e os esquiadores de cross-country fazem testes no Centro Esportivo de Magglingen. Os controles e medições da capacidade de desempenho dos atletas passaram a ser as principais especialidades do mais importante centro esportivo da Suíça.

Contratos com 12 modalidades esportivas

Magglingen já foi um símbolo para todos os esportes na Suíça e era principalmente o local de formação de professores e treinadores. Esta parte do Centro Esportivo ainda pertence ao Conselho Federal do Esporte (Baspo). Há onze anos, o Centro Esportivo vem apoiando os esportes de ponta. Esta nova fase está ligada à gestão do atual diretor do Conselho Federal do Esporte, Matthias Remund. E este empenho se faz notar também através do contato com as associações esportivas. Antes da era Matthias Remunds, apenas a Associação de Orientação (modalidade de esporte que consiste em percorrer uma determinada distância em terreno variado e desconhecido) de Magglingen tinha contato com o Centro Esportivo. Atualmente o Baspo tem contratos-base com 12 associações esportivas. No Centro Esportivo são definidos os níveis de desempenho que as associações podem usar como parâmetro. A demanda por outras modalidades de esporte tem sido grande. Mas faltam recursos ao Conselho Federal do Esporte.

Os principais usuários do Centro Esportivo são esquiadores, jogadores de hóquei no gelo, jogadores de futebol, ciclistas, ginastas e praticantes de várias modalidades de atletismo. Todos estes atletas vão cheios de esperança para Magglingen, município situado no planalto acima da cidade de Biel. Em dias ensolarados, de lá se tem uma vista espetacular da Região dos Lagos, dos Alpes Bernenses e dos Alpes do Valais.

Magglingen pode ser um paraíso para os atletas, contanto que a associação das suas respectivas modalidades possuam um acordo com o Centro Esportivo. Neste caso, os atletas podem usufruir de tudo o que o centro oferece, desde fisioterapeutas e médicos especializados em esportes, até nutricionistas e treinadores. Uma minoria porém frequenta o centro todos os dias. A maioria dos atletas de ponta suíços tem uma equipe própria e, como Nino Schurter, utiliza apenas alguns módulos do centro. Geralmente os testes de desempenho. Dos cerca de 100 atletas que irão representar a Suíça em agosto no Rio de Janeiro, cerca de 25 terão usufruído dos serviços do Centro Magglingen.

Especialmente os atletas da ginástica olímpica, ginástica rítmica e os lutadores de taekwondo treinam constantemente no centro. O pavilhão de treinamento de ginástica olímpica fica 15 minutos a pé da estação do funicular que sobe de Biel para Magglingen. O pavilhão fica no meio de uma paisagem intacta. Não é possível assistir aos treinos, pois os ginastas estão em plena preparação para os Jogos Olímpicos deste ano. Mas antes do maior evento da temporada, haverá ainda o Campeonato Europeu na Suíça, no final de maio, na cidade de Berna.

Os ginastas são usuários assíduos da Fisioterapia e da Medicina Esportiva. O grande diferencial do centro em relação a um consultório convencional é que as consultas e terapias são realizadas sem que se olhe para o relógio. As normas de fisioterapia concedidas pelos planos de saúde em caso de contusão são de 10 sessões de 30 minutos. Esta norma não vale para os atletas. Eles recebem o tempo de tratamento que for necessário, às vezes durante várias horas e diariamente. Na oferta de tratamentos não há economia. Na infraestrutura do prédio, sim. As vidraças das janelas são finas demais e não correspondem aos parâmetros atuais para economia de energia. A aparência de alguns prédios lembra mais um quartel do que um centro esportivo moderno. O prédio mais expressivo é o que se chama ‘Fim do Mundo’, nome aliás apropriado à sua localização geográfica. Alguns metros atrás do prédio, o planalto termina de forma abrupta e se transforma em uma encosta muito íngreme. O ginásio com cinco quadras foi construído no solo. “Olhando de fora, não se imagina o imenso volume do prédio. Por dentro, chama a atenção a generosidade e engenhosidade da construção”. Estas são as palavras que descrevem o prédio, construído nos anos 1970, no inventário do Patrimônio Histórico da Suíça.

A aposta na atleta de heptatlo

Não há barulho no ‘Fim do Mundo’ neste início de tarde. Vê-se apenas duas pessoas perdidas no ginásio. A heptatleta Ellen Sprunger e seu treinador Adrian Rothenbühler. Os dois treinam aqui porque é mais prático. O ‘Fim do Mundo’ é um dos únicos dois ginásios suíços adequados para os treinos de atletismo (o outro está localizado em Saint Gallen). Adrian Rothenbühler é docente do curso de Formação de Treinadores em Magglingen e usa o seu intervalo de almoço para treinar com a atleta olímpica.

Há seis anos eles trabalham juntos treinando seis dias por semana. A prova da grande amizade entre eles são as conversas entre uma sequência e outra. Às vezes em dialeto bernense, às vezes em francês. Suíça de fala francesa, Ellen Sprunger é frequentadora assídua de Magglingen há anos. Foi lá que ela também concluiu o curso de Mestrado. Além de elogiar a infraestrutura do centro esportivo, a atleta de 29 anos gosta de poder encontrar outros atletas e eventualmente aprender alguma novidade com eles. “Mas, no fundo, os outros é que acabam aprendendo com o Adrian”, ela comenta em tom de brincadeira entre duas sequências de corrida. “Ele é considerado um guru”.

Depois de trocar de calçado, ela parte para o salto em altura. Ela interrompe a corrida algumas vezes, mas de repente consegue um bom salto. “Ganhei a aposta”, diz rindo para Adrian Rothenbühler. Nestas situações de treino ela lança um desafio para si mesma: “Se você não conseguir realizar este salto, você não vai para as Olimpíadas no Rio.” O treinador confirma que este método funciona muito bem com ela. Adrian acha que a atmosfera em Magglinger está especial nas últimas semanas: “Alguns estão lutando para participar das Olimpíadas, outros já sabem que este sonho não vai se realizar, mas precisam continuar treinando mesmo assim.”

Vistos a partir de Magglingen, os Jogos Olímpicos são apenas um momento na rotina dos atletas de ponta. Durante os jogos no Rio, os esquiadores estarão levantando peso em Magglingen e se preparando para a próxima temporada. Ninguém vai para Magglingen passar férias. 

*O artigo foi publicado originalmente no jornal Tagesanzeiger em 22.03.2016 e cedido à tradução para a swissinfo.ch

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Traduzido por Fabiana Macchi

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