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Migração e progresso


Suíça é terceiro no mundo em remessas de imigrantes


Por Andrea Ornelas


Muitos imigrantes na Suíça fazem remessas de dinheiro aos seus familiares. (Keystone)

Muitos imigrantes na Suíça fazem remessas de dinheiro aos seus familiares.

(Keystone)

Com somente oito milhões de habitantes, a Suíça é medalha de bronze em remessas de imigrantes para seus países de origem, depois dos Estados Unidos e Arábia Saudita.

Por ano, são quase vinte bilhões de dólares enviados da Suíça. Porém, os imigrantes pagam comissões altas e opacas para mandar dinheiro às suas famílias. Por isso jovens empreendedores suíços criaram Tawipay, um comparador internacional de comissões.

Pagar pouca comissão é fundamental em um mercado de remessas que cresce à velocidade da luz. Em 2013, o imigrantes em todo o mundo enviaram 410 bilhões de dólares aos países em desenvolvimento, quatro vezes mais do que dez anos atrás, segundo estimativas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Com esses recursos seria possível financiar folgadamente durante quatro anos consecutivos o orçamento solicitados para os Objetivos do Milênio para o desenvolvimento.

Origem e destino das remessas

Em 2011, os cinco líderes mundiais do envio de remessas foram: (48,3 bilhões de dólares), Arábia Saudita (26 bilhões), Suíça (19,6 bilhões), Rússia (18,6 bilhões), e Alemanha (15,9 bilhões de dólares).

Os principais receptores de remessas foram: Índia (63,8 bilhões de dólares), China (40,8 bilhões), México (23,5 bilhões), Filipinas (22,9 bilhões) e Nigéria (20,6 bilhões de dólares).

A Suíça é a terceira praça internacional de remessas, porém ocupa uma posição irrelevante na recepção de remessas estrangeiras (3,3 bilhões de dólares por ano).

A Suíça tem mais de 1,8 milhões de habitantes estrangeiros (23,2% da população total), segundo dados da Divisão Federal de Estatísticas de agosto de 2013. Dois terços deles provém de países europeus.

A presença mais significativa provém da: Itália  (299.002 pessoas), Alemanha (290.514), Portugal (249.948), Sérvia e Montenegro (187.554), França (107.221), Espanha (73.722), Turquia (69.307), Macedônia (60.171), Áustria (37.973), Bósnia (37.397) e Grã Bretanha (40.024).

Se estima extraoficialmente que a maior parte das remessas suíça vão para esses países, mas o governo não tem dados oficiais.

Fontes: Banco Mundial e Divisão Federal de Estadística

O que sai da Suíça

Com remessas de cerca de vinte bilhões de dólares anuais, a Suíça está em terceira posição, atrás dos Estados Unidos (48,3 bilhões) e da Arábia Saudita (26 bilhões). Os três países tem um traço comum: mais de vinte por cento da população são estrangeiros.

No entanto, as remessas que os trabalhadores estrangeiros na Suíça enviam são as mais generosas do mundo: onze mil dólares por emigrante, por ano. Essa média é três vezes superior à da Arábia Saudita e dez vezes superior às enviadas dos Estados Unidos.

De acordo com Chris Lom, porta-voz da Organização Internacional para as Migrações (OIM), a origem dos emigrantes explica essa diferença. +A Suíça tinha 1,7 milhões de estrangeiros em 2011, segundo dados oficiais. Desse total, 1,5 milhão eram europeus. Possivelmente uma das razões (da diferença entre o montante das remessas) é que muitos estrangeiros) é que muitos estrangeiros que vivem na Suíça têm boa qualificação e portanto empregos melhor remunerados do que em outros países."

Janine Dahinden, professora de Estudos Trasnacionais na Universidade de Neuchâtel e autora de diversos estudos sobre remessas, esboça sua própria hipótese. "A elevada proporção de estrangeiros (23,2% da população) tem um papel importante. Além disso, a Suíça foi pouco afetada pela crise e muitos estrangeiros trabalham em setores que tiveram problemas graves durante a depressão econômica."

Remessas de primeiro mundo?

"Alemanha, França e Espanha são – em volume de recursos – são os principais destinos das remessas feitas na Suíça", precisa François Broid, fundador da TawiPay, uma recente empresa suíça destinada a dar mais transparência nas comissões cobradas dos imigrantes.

Curiosamente, apesar do auge que vive esse mercado e a relevância que a Suíça tem nele, as autoridades não dispõem de dados próprios. "A Seco (Secretaria Federal de Economia) não copia dados das remessas e o Banco Mundial (BM) tem apenas estimativas. Em geral, as estatísticas do BM incluem todas as remessas de dinheiro aos países em desenvolvimento, mas também aos países europeus. Portanto, é provável que a maioria das remessas feitas da Suíça sejam destinadas a países vizinhos na Europa", observa Nicole Mueller, da Seco.

No entanto, a Agência Suíça de Desenvolvimento e Cooperação (DDC) e a Universidade de Neuchâtel são autores dos poucos estudos realizados na Suíça vinculando imigração e remessas de dinheiro.

 

A diáspora como força motriz do desenvolvimento no Kosovo: Mito ou Realidade (2009) demonstra a singularidade das remessas suíças. Um terço dos lares kosovares que recebem dinheiro a partir da Suíça o utiliza para comprar bens de consumo, artigos de luxo ou para lançar novos negócios.

Nem sempre é isso que acontece. O Banco Mundial estima que 700 milhões de pessoas no mundo sobrevivem graças às remessas que são um importante motor econômico para muitos países, especialmente na África e na Ásia. Em países pequenos como o Tajiquistão equivalem a 48% do PIB nacional.

Comissões excessivas

Os imigrantes em todo o mundo enfrentam a mesma encruzilhada: como mandar dinheiro para suas famílias? “Uma parte dos recursos ainda é enviada de pessoa a pessoa e coexistem canais formais e informais”, explica Janine Dahinden. Por essa razão, os dados oficiais, quando existem, devem ser considerados com certa cautela, precisa a professora.

Quem não opta pelo de mão em mão, recorre a empresas especializadas em remessas como Western Union, MoneyGram ou a bancos locais. São empresas que cobrar até 10% das somas enviadas.

"Globalmente, o custo das remessas girou em torno de 8,85% do montante enviado durante o primeiro trimestre de 2013", afirma Indira Chand, porta-voz do Grupo de Perspectivas de Desenvolvimento do Banco Mundial.

As principais razões que encarecem as remessas são "as práticas anticompetitivas impostas pelas empresas do setor - que mantém acordos de longo prazo com as agências receptoras e impõem cláusulas de exclusividade; falta de transparência nos custos (taxa de câmbio e comissões), e carência e falta de normas nacionais de proteção dos direitos de quem envia dinheiro", explica Chand.

Promovendo a transparência

Conscientes dessa realidade e cansados de pagar comissões exorbitantes para as remessas que faziam para a África a fim de financiar projetos de desenvolvimento, os irmãos François e Pascal Broid convidaram outros seis jovens empresários suíços para criar um site internet para tornar mais transparente e comparar as comissões cobradas pelos intermediários para a mesma remessa.

A empresa se chama TawiPay, seu comparador é gratuito e acessível a todos. Atualmente inclui 2.200 corredores bilaterais em que se movimentam 60% das remessas internacionais, precisa François Broid.

Até agora, "foram feitas seis mil buscas no Tawipay, mas ainda não começamos a divulgação porque estamos em fase de testes. Esperamos crescer rapidmente nos aproximando das comunidades de imigrantes e expandir nossos serviços incluindo novos corredores e línguas", sublinha François Broid.

Boas intenções

"Dado o impacto dos fluxos de remessas sobre o desenvolvimento devemos favorecer transferências mais eficientes e melhorar a cooperação entre organizações nacionais e internacionais nesse mercado". É o que consta do Guia de Roma sobre as Remessas firmado em 2009 pelos governos do G20. No mesmo ano lançaram a iniciativa 5x5 destinada a reduzir as comissões de 10 para cinco por cento do montante enviado, fixando um período de cinco anos para atingir esse objetivo.

Um ano antes de vencer o prazo, malgrado as boas intenções declaradas pelos governos, o objetivo está longe de ser alcançado. "É difícil dizer porque a iniciativa 5x5 não funcionou. Creio que falta mais transparência, maior acesso à informação e uma comunicação mais ativa com os imigrantes. Os governos dos países ocidentais, mas também os do sul, devem assumir responsabilidades e informar sua população das alternativas que existem e promover a concorrência entre os provedores", resume François Broid.

Suíça e KNOMAD

O Grupo do Banco Mundial e a Agência Suíça para o Desenvolvimento e a Cooperação (DDC) participam ativamente na Aliança Mundial de Conhecimentos sobre Migração e Desenvolvimento (KNOMAD, na sigla em inglês), plataforma que tem por objetivo reunir informações sobre migração e fluxos de remessas de dinheiro no mundo.

Com uma contribuição de cinco milhões de francos suíços para o período 2013-2017, a Suíça é o principal doador dessa entidade. A Alemanha também apoia com assessoria e fazem parte ainda representantes da ONU, do Grupo Mundial Migração e Desenvolvimento (GFMD), da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Iniciativas suíças

O governo suíço coloca seu grãozinho de areia com "informação à mão de obra estrangeira através de um folheto em oito idiomas que descreve as possibilidades e custos dos sistemas de transferência", precisa Nicole Mueller.

Além disso, participa da iniciativa internacional KNOMAD destinada a esclarecer o mercado das remessas. "A Suíça é o maior doador com 5 milhões de francos entre 2013 e 2017", confirma Indira Chand.

A escalada das remessas seguirá seu curso. O Banco Mundial estima que elas podem superar os 700 bilhões de dólares em 2016. Sem considerar se seu destino é básico ou ao luxo, Chris Lom, da OIM, destaca seu efeito.


Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch



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