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Infográfico comparativo entre Andy Murray e Novak Djokovic

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Andy Murray confirmou seu domínio sobre o mundo do tênis ao conquistar o título do ATP Finals, neste domingo, fechando a temporada 2016 com chave de ouro e no topo do ranking. Resta saber se o britânico será capaz de se manter na posição de melhor tenista do mundo em 2017.

- No topo -

A imparável ascensão do escocês foi construída graças a uma segunda metade de temporada quase perfeita: 8 títulos em 10 torneios disputados, desde meados de junho, incluindo Wimbledon e os Jogos Olímpicos, ambos vencidos pela segunda vez na carreira. Ao mesmo tempo, Novak Djokovic passou por uma queda de rendimento inesperada, logo após a conquista do maior objetivo da carreira: Roland Garros.

Outro fator importante: a saída de Amélie Mauresmo e a volta como técnico do ex-campeão Ivan Lendl, homem que havia conduzido Murray a seus primeiros grandes triunfos, em 2012 (US Open, Jogos Olímpicos) e 2013 (Wimbledon).

A mudança também é evidente na atitude do britânico. Suscetível a irritações e destemperos em quadra, chegando até a xingar a própria equipe durante uma partida, Murray por muito tempo foi incapaz de canalizar seu estresse. Uma reviravolta radical em relação a este ano, que o próprio tenista explica ter sido graças ao nascimento de sua filha Sophia.

Perfeccionista e um trabalhador incansável, Murray finalmente entendeu a importância do descanso entre torneios.

- Longevidade -

O escocês tem tudo para se manter na 1ª colocação do ranking em 2017: ele vai estrear na nova temporada com 630 pontos de vantagem sobre Djokovic e, no primeiro semestre, terá apenas uma final, no Aberto da Austrália, a defender. Já o sérvio, que fez grande primeira metade de temporada em 2016, até o título em Roland Garros, terá que correr atrás de troféus para não ver o escocês se distanciar.

A principal dificuldade para Murray será principalmente saber gerar seu novo status de 'homem a ser batido'. Com 'apenas' três títulos de Grand Slam na carreira, contra 12 de Djokovic, o britânico de 29 anos tem um clara desvantagem a tirar.

Além da defesa de sua posição como número 1 do mundo, Murray não esconde que a conquista de Grand Slams será sua prioridade em 2017.

"Agora que sou número 1 do mundo, é claro que quero permanecer. Sei que vai ser extremamente difícil repetir um ano de tantas conquistas. Mas são principalmente os Grand Slams que me motivam. Quando eu sair de casa em dezembro para treinar, será com o Aberto da Austrália em mente", declarou após o título do ATP Finals, no domingo.

- Os rivais -

A curto prazo, ninguém parece capaz de superar Murray, devido à enorme vantagem do britânico no ranking. Mas a longevidade de Murray dependerá principalmente da recuperação, ou não, de Djokovic.

O sérvio viveu incrível queda de rendimento após o título em Roland Garros, último título de Grand Slam que lhe faltava. Agora, é preciso esperar ver se Djokovic, com as baterias recarregadas, conseguirá encontrar nova motivação para voltar a ser o numero 1 do mundo.

"Vivi tantas emoções no primeiro semestre, principalmente com minha vitória em Roland Garros. Precisava de tempo para digerir, mas não tive. Fico feliz por ter seis semanas sem torneios pela frente. É um verdadeiro luxo", afirmou no domingo.

Deixando Djokovic de lado, um grande abismo parece separar Murray do resto do circuito. O número 3 do mundo, o canadense Milos Raonic, aos 25 anos, chegou a incomodar Murray em quadra na semifinal do ATP Finals, quando chegou até a ter um match-point, mas está muito atrás em relação à pontuação no ranking.

O suíço Stan Wawrinka (N.4) é capaz de semanas incríveis, como quando conquistou o US Open nesta temporada, mas peca pela falta de regularidade.

Em relação aos dois ex-membros do famoso 'Big Four', Rafael Nadal (30 anos), que pôs um fim à temporada em outubro devido à dores no punho esquerdo, e Roger Federer (35 anos), que não joga desde julho, voltar ao topo do ranking não parece ser o objetivo principal.

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