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Nova Friburgo


Temporada 2013 recupera vocação turística


Por Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro


No mais concreto sinal de recuperação econômica dado até aqui desde a tragédia de 2011, Nova Friburgo vive na atual temporada de inverno o tão esperado momento de reencontro com os turistas.

Nos últimos dois anos e meio, a população de Nova Friburgo experimentou a sensação de que as enxurradas e deslizamentos de terra que custaram a vida de 451 pessoas e deixaram milhares de desabrigados em janeiro de 2011 haviam arrastado também a vocação turística da cidade. Fundada em 1819 por migrantes suíços na Região Serrana do Rio de Janeiro, cercada por montanhas, bosques e cachoeiras e reconhecida como pólo gastronômico, Nova Friburgo, sob o impacto emocional e econômico da tragédia e diante de um lento processo de reconstrução, viu os turistas fugirem e teve no período uma queda média de 40% na taxa de ocupação de sua rede hoteleira. Mas, para felicidade dos friburguenses, isso já é passado.

 Segundo o Convention & Visitors Bureau de Nova Friburgo (C&VB), a taxa de ocupação na rede de hotéis e pousadas da cidade durante a estação ultrapassou os 90%, chegado a se aproximar dos 100% nas duas últimas semanas de julho, período da alta temporada de férias escolares. Pela primeira vez desde o inverno de 2010, o grande fluxo de turistas fez com que, como no passado, algumas filas se formassem nas portas dos cerca de 200 bares e restaurantes espalhados pela cidade.

Segundo o C&VB, cerca de 50 mil turistas visitaram Nova Friburgo nos meses de junho, julho e agosto e injetaram R$ 8 milhões na economia da cidade. O ponto alto da temporada foi o Festival de Inverno, realizado entre 13 e 28 de julho, que, segundo seus organizadores, teve a presença de 40 mil pessoas em sua programação de música, teatro, cinema, dança, literatura e artes visuais: “A combinação de festivais, festas e feiras foi fundamental para essa retomada”, avalia Flávio Stern, presidente do C&VB.

Evento com forte carga simbólica para a economia de Nova Friburgo, a Feira Brasileira de Moda Íntima, Praia, Fitness e Matéria-Prima (Fevest) trouxe em sua 23ª edição, realizada entre os dias 4 e 6 de agosto, a certeza da recuperação total de um setor que representa 47% da economia da cidade e que, após a tragédia, teve uma perda de faturamento que, em alguns casos, ultrapassou os 80%.

Após terem realizado no ano passado uma feira de resistência para não deixar o pólo de moda íntima de Nova Friburgo morrer, os organizadores da Fevest comemoram este ano um evento que reuniu nove mil pessoas e movimentou R$ 45 milhões. O pólo de moda íntima é responsável por 25% da produção do mercado brasileiro e, segundo o Sindicato da Indústria do Vestuário de Nova Friburgo (Sindvest), abrange 1,5 mil confecções de pequeno, médio e grande porte, gerando cerca de 20 mil empregos (sendo doze ml com carteira assinada).

Festa Suíça

Nos quatro primeiros dias de agosto, foi realizada com grande sucesso a Festa da Suíça, evento organizado pela Casa Suíça, pelo Instituto Fribourg-Nova Friburgo e pela Colônia Suíça de Nova Friburgo. Na manhã de 1º de agosto, quando se comemorou o Dia Nacional da Suíça, aconteceu uma solenidade em uma praça no centro da cidade que incluiu o hasteamento das bandeiras do Brasil e da Suíça. À noite, uma apresentação de dança típica suíça protagonizada por alunos da Escola Municipal Vevey La Jolie foi realizada no Teatro Municipal, seguida por um Cortejo de Lanternas que se dirigiu até a Praça do Suspiro, principal ponto turístico do centro de Nova Friburgo, que foi arrasada pelos deslizamentos de 2011.

Nos dias seguintes, a Casa Suíça promoveu concorridas Oficinas de Chocolate, onde foi ensinada um pouco da técnica suíça para preparar o delicioso alimento, além de apresentações de bandas musicais e grupos de danças típicas suíças, dança do ventre, dança de salão e capoeira. Para completar a festa, a Queijaria Suíça promoveu eventos como a “Noite do Fondue” e a “Noite de Queijos e Vinhos”, que também tiveram grande sucesso de público e celebraram a união entre as cidades de Fribourg e de Nova Friburgo.

Ponto turístico

Um dos momentos que mais simbolizou a retomada da vocação turística de Nova Friburgo na temporada de inverno deste ano foi a reabertura em junho da Capela de Santo Antônio, talvez o principal ponto turístico da cidade.

Construída em 1884, a capela está situada na Praça do Suspiro, devastada por um deslizamento de terra em 2011, e foi reaberta à visitação pública após a reconstrução de seu altar, paredes e teto, que haviam sido parcialmente destruídos pela força da natureza. Segundo a Prefeitura, a reforma da capela custou R$ 750 mil.

Desabrigados

Foi também neste inverno de 2013 que finalmente, dois anos e meio após a tragédia, os desabrigados pelas chuvas em Nova Friburgo começaram a receber do poder público suas novas e definitivas moradias. Em agosto, foram entregues a moradores do distrito de Conselheiro Paulino, um dos mais atingidos pelas enxurradas, as primeiras 140 casas populares de um total de 2.230 casas com construção prevista em toda a cidade. Segundo a Secretaria Estadual de Obras, até o fim do ano mais 680 moradias serão entregues, e outras 1.360 ficarão prontas até o fim de 2014.

Após uma série de escândalos envolvendo o desvio dos recursos emergenciais enviados pelos governos federal e estadual logo após a tragédia – e que culminaram no afastamento do prefeito Dermeval Moreira por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – o ritmo lento das obras continua sendo o principal fator de preocupação para os moradores de Nova Friburgo, que temem a repetição da tragédia. Segundo a Prefeitura, as parcerias com outras esferas de governo possibilitaram até aqui a realização de obras de contenção em 28 encostas, além de obras de reconstrução das margens dos rios Bengalas e Córrego D’Antas no valor de R$ 10 milhões.

O governo brasileiro, no entanto, já destinou R$ 264 milhões para a reconstrução de Nova Friburgo, dos quais R$ 210 milhões serão aplicados em obras de dragagem, drenagem, canalização e recuperação de microbacias nos rios Grande, Bengalas e Córrego D’Antas, às margens dos quais está concentrada a maioria das habitações que ainda se encontram em situação de risco na cidade. Segundo a previsão do Governo do Rio de Janeiro, essas obras somente serão concluídas em junho de 2016.

swissinfo.ch



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