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iPhone 7 Plus, exibido no evento de lançamento da Apple, em São Francisco, Califórnia, em 7 de setembro de 2016

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A Apple apresentou nesta quarta-feira (7) seu novo modelo de iPhone em um contexto tenso, após o escândalo sobre seus impostos e com a queda das vendas de seu .

A marca da maçã apresentou duas novas versões de seu famoso iPhone, com nova tecnologia de câmera, resistência à água, GPS e outras características - um lançamento que busca atrair mais usuários em um mercado global cada vez mais saturado.

"Desde o início desenhamos o Lightning para ser um grande conector de áudio", disse o vice-presidente da Apple, Phil Schiller, no evento.

"Estamos mudando os fones do iPhone 7 e do 7 Plus para o Lightning, e incluindo-os na caixa com o dispositivo. Também fizemos um adaptador, que estará igualmente na caixa", completou.

Embora a companhia americana controle somente 12% do mercado mundial de bem menos do que os 22% de sua grande rival Samsung, de acordo com dados para o segundo trimestre da empresa IDC -, o novo modelo do famoso telefone era muito aguardado pelos fãs e gera especulações há meses.

Sem apresentar uma verdadeira revolução, além das características mencionadas, o iPhone 7 conta com um processador mais potente.

Uma das mudanças mais significativas, que poderá incomodar alguns consumidores, é a eliminação do para fones de ouvido, o que vai exigir que o conector seja o multifuncional Apple Lightning, ou um sem fio.

A atualização do iPhone é bem mais cuidadosa neste ano, em que, pela primeira vez desde que o primeiro modelo foi lançado em 2007, as vendas caíram por dois trimestres consecutivos.

Considerando-se o enorme peso do nos resultados da Apple, o retrocesso afeta o volume de negócios e os lucros, que sofreram uma queda de 15% e 27%, respectivamente, no trimestre encerrado no final de junho.

A Samsung, sua grande concorrente, parece resistir melhor, porque conseguiu aumentar suas vendas graças ao lançamento de dois novos modelos, os Galaxy S7 e S7 Edge. No segundo semestre, porém, poderá sofrer as consequências pela explosão das baterias de seu outro novo modelo, o Galaxy Note 7, que teve milhões de aparelhos recolhidos.

À espera do próximo

"Os novos iPhone não gerarão o mesmo nível de interesse entre os consumidores que os modelos anteriores, mesmo se a demanda inicial for sólida", adiantou Karissa Chua, analista da Euromonitor.

Apesar disso, Chua acredita que a força da marca ajudará a Apple a obter acordos com fornecedores para que mantenha suas margens e aumentem o atrativo de outros serviços, como a Apple Pay.

A apresentação de uma versão melhorada, resistente à àgua, do Apple Watch, o único dispositivo lançado desde o iPad, deve reforçar o ecossistema Apple. Mas provavelmente não será "o novo produto revolucionário de que a Apple precisa", alerta Thomas Husson.

O próximo da marca ainda é aguardado, apesar de rumores de projetos de televisão, automóveis, ou de realidade aumentada.

O marketing em torno do lançamento do novo iPhone coincide também com a campanha da Apple contra a multa fiscal de US$ 14,5 bilhões imposta na Europa.

O presidente-executivo da companhia, Tim Cook, classificou como "lixo político" a multa da Comissão Europeia. Na semana passada, o órgão exigiu da companhia o reembolso à Irlanda de uma quantia que, segundo os europeus, corresponde a "benefícios fiscais indevidos".

A Apple e a Irlanda decidiram recorrer da decisão, uma medida criticada pela oposição nesse país.

"Queremos companhias como a Apple na Irlanda, mas isso não quer dizer que devemos fazer vista grossa para a evasão fiscal", afirmou Gerry Adams, líder do partido Sinn Fein, em um debate parlamentar.

Dublin quer manter a imagem de um país favorável às empresas, com um imposto às sociedades de apenas 12,5%. A Comissão Europeia denuncia que a Apple gozou, porém, de um imposto de somente 1% sobre seus lucros europeus em 2013, o qual despencou para 0,005% em 2014.

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