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Novo sistema melhora vida de cegos

Através do novo sistema, os pontos na linguagem braile não são mais perfurados, mas sim impressos.

(www.bettini.ch)

Gráfica suíça ganha prêmio nacional pelo desenvolvimento de tecnologia para aumentar a duração de livros em braille e criação de produtos voltados para cegos e pessoas saudáveis, ao mesmo tempo.

Aplicação do produto já ocorre na maior rede de supermercados do país e também no exterior: um guia turístico de Roma para cegos.

Os olhos dos cegos estão na ponta dos dedos. Apenas eles conseguem ler os pequenos pontos ordenados de forma geométrica, perfurados em cima da superfície branca do papel.

Se o código braille foi criado para melhorar a qualidade de vida daqueles que não vêem, existem situações onde ele não ajuda: como pode o cego mostrar a uma pessoa normal o que está lendo no papel?

Essa resposta foi encontrada por uma pequena gráfica, localizada em Sirigino, um povoado cercado por vales no cantão suíço de língua italiana Tessin.

Cegos são pessoas dependentes.

Mauro Bettini é o proprietário dessa pequena gráfica, onde trabalham apenas seis funcionários. A história do seu invento começa a partir da amizade com um cego, professor de uma escola especializada para deficientes visuais.

Sentados num bar, os dois tiveram uma boa idéia: criar um sistema para colocar o código braille em cima de qualquer impressão, tornando possível a leitura para deficientes e pessoas normais ao mesmo tempo.

Esse processo de escrita em relevo para leitura tátil, inventado pelo francês Luís Braille em 1825, compõe-se de 63 sinais formados por pontos, a partir de um conjunto matricial idêntico a uma sena de dominó. Normalmente o código é perfurado no papel. Dessa forma o cego pode ler e se informar.

“Porém existem tantos produtos do dia-a-dia que não podem ser perfurados, como embalagens para leite, sucos ou remédios”, lembra Bettini. “Além disso, as perfurações ficam amassadas com o tempo e o cego já não consegue ler mais o livro.

Para resolver esse problema, o gráfico e o cego pesquisaram uma nova tinta para imprimir os pontos numa superfície como a de etiquetas. Nasce então em 1999 o “Double Language System DLS”, uma nova tecnologia de impressão de códigos braille em relevo.

Software transforma em braille

“A mistura da tinta é um segredo, pois não é fácil imprimir pontos em relevo que não saiam com o tempo”, explica Silvia Pedevilla, funcionária da gráfica.

Desde então Bettini fabrica etiquetas onde podem ser lido o nome dos produtos e, ao mesmo tempo, sentido pelos dedos dos deficientes físicos. “Elas podem ser colocadas em todos os tipos de embalagens e produtos e permite ao cego encontrá-los na sua geladeira ou armário”.

Através de um software especial, as palavras são digitadas normalmente no computador, que as transforma em código braille e depois em fotolito para a impressão nas máquinas. Depois as etiquetas podem ser pregadas em qualquer lugar.

Contratos lucrativos

A idéia não é apenas um projeto social, levando-se em conta que na Suíça vivem apenas 90 mil deficientes visuais. Ela também está tendo boa aceitação no sistema comercial.

Migros, a maior rede de supermercados da Suíça resolveu lançar um projeto-piloto em abril de 2003. Desde então, lojas no Tessin, Lucerna, Basiléia, Zurique, Genebra e Neuchâtel dispõem funcionários que acompanham deficientes físicos e cegos nas suas compras e colocam posteriormente etiquetas sobre cada um dos produtos. “Assim essas pessoas podem encontrar sem problema aquilo que estão procurando, sem confundir as embalagens”, completa Bettini.

No total, já foram distribuídas mais de um milhão de etiquetas para produtos prosaicos como morango, leite, manteiga ou iogurte. Durante um ano e meio testes serão feitos. Caso a aceitação seja boa, provavelmente Migros irá solicitar aos fornecedores que todos os produtos sejam marcados pela etiqueta.

Outro detalhe que poderá fortalecer o sistema de ajuda aos cegos no cotidiano é uma lei de igualdade para deficientes que obriga, dentre outros, a marcação obrigatória de medicamentos na Suíça a partir de 2005. Esse é um mercado que poderá se tornar lucrativo para a pequena gráfica.

“Nós começamos como um projeto social, mas estamos percebendo que existe um bom mercado para esse tipo de produto”.

E enquanto o sucesso comercial não vem, pelo menos a gráfica de Bettini pode se orgulhar de ter sido uma das empresas premiadas no concurso tecnológico suíço “Swiss Technology Award” pelo produto desenvolvido. O prêmio possibilitou a Bettini mostrar a nova forma de imprimir em código braille na Feira Industrial de Hanôver, na Alemanha, o maior evento do gênero no mundo.

Turismo para cegos

Além das etiquetas, Bettino utiliza sua tecnologia para outros produtos voltados para cegos e deficientes visuais como jogos, baralhos, calendários e até algo bem insólito.

A prefeitura de Roma encomendou à pequena empresa um guia turístico da cidade para cegos.

Em grandes folhas brancas estão impressos mapas e descrições dos lugares como a Praça de São Pedro ou a Basílica de São Paulo. Em cima das letras estão os pontos que permitem tanto ao cego, quanto ao acompanhante normal, descobrir os segredos do Vaticano.

“Se estiver sozinho, não há problema: o cego pode sair da estação e chegar até o trono do Papa. Está tudo explicado”, conclui orgulhoso Bettini.

swissinfo, Alexander Thoele


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