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Novo talento musical


"Vivendo da música e viajando estou feliz"


Por Dalen Jacomino


A jovem cantora e compositora portuguesa Luisa Sobral conquista o público suíço em show realizado em Zurique no início do ano e segue ganhando cada vez mais espaço no concorrido mundo da música.

 (HorariosFestivais.com)
(HorariosFestivais.com)

Pouco a pouco, a portuguesa Luisa Sobral, 27 anos, tem conquistado o público europeu. Em sua segunda visita à Suíça, a cantora e compositora apresentou sucessos do seu segundo disco, “There's a Flower In My Bedroom”, na casa de espetáculos Kaufleuten, em Zurique,  no início do ano.  Com sua simpatia e competência, a artista, acompanhada de sua banda, encantou o público. O show faz parte de um tour que a cantora tem feito pela Europa.

Considerada um novo talento musical português, Luisa Sobral tem um estilo que combina jazz, pop, e folk, e que, por justamente explorar essa mistura, acaba sendo mais acessível ao público em geral. Compõe em inglês e português. Estudou música no Berklee College of Music, em Boston. E já está em seu terceiro disco. O último, “Lu-pu-i-pi-sa-pa”, é voltado ao público infantil e foi lançado em setembro de 2014.

Luisa recebeu swssinfo.ch antes do show em Zurique  e falou sobre sua música, o processo de criação e planos para este ano.

swissinfo.ch: Como tem sido seu tour pela Europa? E a recepção do público de língua alemã?

Luisa Sobral: A primeira vez que toquei para um público de língua alemã foi na abertura dos concertos da Melody Gardot, na Alemanha, há cerca de dois anos. Fiz o concerto somente com o baixista João Hasselberg, num set pequeno, numa situação mais frágil, que é abrir um concerto de outro artista. Ou seja, as pessoas não foram lá para me ver. E no final, correu muito bem. Muitas das pessoas que nos viram ali agora acompanham nosso trabalho e vão aos concertos.

Os públicos suíço e o alemão tendem a ser muito atentos e, às vezes, demoram um pouco mais para reagir. Mas isso porque querem primeiro conhecer o trabalho. Mas, no final, todas as pessoas vão ao show para se divertir.

swissinfo.ch: Ser uma musicista de origem portuguesa  é uma vantagem ou desvantagem?

L.S.: A grande maioria das canções que tocamos nos shows fora de Portugal é em inglês. O que tem ocorrido nos shows internacionais é que muita gente vem me dizer que gosta muito de me ouvir cantar em português.  Sentem que há uma ligação diferente com a canção, talvez uma interpretação mais profunda.  Por isso, tenho inserido mais e mais temas em português.

swissinfo.ch: Você escreve tanto em inglês como em português. Qual dessas duas línguas é mais musical?

L.S.: Com o inglês estou habituada desde pequena. É uma língua muito ligada à música e às canções que ouvia em casa. Sempre ouvi muito música em português de Portugal, mas sempre liguei a musicalidade da língua portuguesa ao português do Brasil. Acho que o português do Brasil é mais musical. Na própria fala se sente a música. Acredito que o português de Portugal é mais monótono neste sentido. Por isso, é uma língua mais difícil de se transformar em canção. Mas quando se transforma, fica muito bem.

swissinfo.ch: Falando em português do Brasil, você tem alguma relação com a produção musical do país?

L.S.: Eu adoro música brasileira. Em casa, ouço muito Elis Regina, Maria Rita. Adoro João Gilberto, Caetano Veloso, Marcelo Camelo, Chico Buarque. Como composição, é muito rico. Sempre digo que se começar a entrar muito fundo na música brasileira, eu não vou ter vontade de compor, porque é algo tão rico em harmonia, melodia e letra que vou sentir que tudo o que fizer vai ser muito pior. Aí, não valeria a pena fazer nada. Então, deixo de ouvir por um tempo para pode seguir com minhas composições.  

swissinfo.ch: O que inspira você a contar uma história? A escrever uma letra?

L.S.: Normalmente, o que me inspira primeiramente é o som. Às vezes, penso que gostaria de escrever sobre um determinado assunto. Por exemplo, no disco que escrevi para crianças, pensava em determinados assuntos que fizeram parte da minha infância. Mas normalmente, começo a experimentar qualquer som na guitarra, aí vem um pensamento, uma frase, e aí crio uma história. Muitos escritores e compositores têm esse processo: é quase como se a canção não fosse minha e ela viesse a mim ao poucos. E vem com voz, guitarra e vai assim se formando.

swissinfo.ch: Em algumas declarações, você diz estar mais contente com o resultado do segundo disco “There's a Flower In My Bedroom” do que o primeiro “The cherry on my cake”. Por quê?

L.S.: Sempre que se faz coisas novas, olhamos para as antigas e vemos o quanto avançamos em relação ao que acreditamos e somos. Portanto, este segundo disco representa melhor quem sou, o que busco. É resultado da minha evolução. Ou da minha mutação. Mostra que não sou sempre igual. Já tenho algumas canções do próximo disco, logo vou começar a trabalhar nele. E imagino que vá gostar mais do novo disco do que do anterior. Procuro estar contente com o momento presente.

swissinfo.ch: O que a fez  produzir um disco voltado ao público infantil?

L.S.: Sempre tive um público infantil, mesmo antes deste disco. Mas o fato é que sempre quis fazer um disco para crianças, que não fosse muito básico. Queria fazer um projeto no mesmo estilo da Adriana Partimpim (heterônimo de Adriana Calcanhoto na produção de seu primeiro disco infantil), que fosse para crianças, mas também adultos. Que fosse para se ouvir em família. Mas que não forçasse a simplicidade musical só por ser para crianças. A infância é o melhor período para as crianças ouvirem boa música, abrirem os ouvidos aos sons. Então, fiz o disco como queria, até acrescentei instrumentos bastante diferentes, coloquei um quarteto de sopros com fagote, uma flauta, um oboé. Enfim, instrumentos que não são tão óbvios.

swissinfo.ch: E como tem sido o retorno deste trabalho?

L.S.: Tem sido muito bom. O single de trabalho do disco, que se chama “João”, tem sido muito bem recebido. O vídeo é bastante apresentado num canal de televisão voltado ao público infantil em Portugal. As crianças cantam, conhecem a letra.

swissinfo.ch: Você faz parte de uma geração de jovens musicistas, que nasceu praticamente com a internet, as mídias sociais e youtube à disposição. Como é sobreviver e ter sucesso neste cenário, em que tudo é possível, mas que a concorrência é também grande?

L.S.: Acredito que o importante é não ficar obcecada em atingir muita gente pela internet. Porque o sucesso da internet, quando um vídeo torna-se viral, por exemplo, costuma ser repentino e fugaz. O vídeo fica viral durante um mês, no máximo, e depois vem outro. E tem mais: esse vídeo passa de viral a vídeo indesejado, que ninguém aguenta mais ver. O ideal é estar no meio termo, nem viral, nem chatice de ouvir.  Cuido das minhas páginas e tudo mais, mas não fico obcecada pelos cliques ou “likes”. Uso como ferramenta a meu favor.

swissinfo.ch: Você declarou que tem muita vontade de cantar nos Estados Unidos, um mercado grande, em que a indústria do entretenimento é forte. Qual é sua expectativa para os shows que fará em março por lá?

L.S.: Estou muito entusiasmada. Vive seis anos nos Estados Unidos. Estudei música em Boston. Vivi em Nova Iorque também.  E sempre quis fazer minha música lá, mostrar meu trabalho. Mas é um mercado muito difícil, competitivo e um país caro para se manter. Trabalhava num café, cantava standards de jazz à noite. Não cantava minhas composições. E, de repente, recebi uma proposta da Universal de Portugal para gravar um disco. Meu objetivo era fazer a minha música. Quanto tempo teria que ficar nos Estados Unidos para atingir esta meta? Não sabia. Resolvi então virar o jogo. Voltei a Portugal. E de lá esperava chegar ao resto do mundo. Mudei um pouco a trajetória, mas o objetivo sempre esteve lá. Fico contente em saber que minha escolha foi acertada. Um percurso diferente, mas que vou finalmente aos Estados Unidos mostrar minha música.

swissinfo.ch: Além dos shows nos Estados Unidos, quais são os outros planos para 2015?

L.S.: Este ano devo fazer muitos concertos em Portugal, principalmente do disco para crianças. No estrangeiro, vamos continuar com os concertos mais focados em língua inglesa. E depois, calmamente, vou iniciar a trabalhar no próximo disco, sempre com a minha banda. Estou sempre escrevendo novas canções, experimentando. Vivendo da música e viajando estou feliz.


Anote aí

Para quem aprecia música latina, eis alguns dos concertos agendados para os próximos meses na Suíça.

20.3. Buika, Kongresshaus Zürich

15.4. Orquesta Buena Vista Social Club, KKL Luzern

30.4. Orquesta Buena Vista Social Club, Kongresshaus Zürich

19.-23.4. Dino Saluziz Group, Basel, Bern, Zürich, Genf

2.6. Jarabe de Palo, Kaufleuten Zürich

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