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O fim do Mystery Park

Uma das atrações do Mystery Park: a exposição sobre as mega-stones em 2006.

(Keystone)

Os problemas vividos pelo parque temático "Mystery Park" não se explicam através de um mistério, mas sim através de decisões tomadas incorretamente. Em 19 de novembro ele fecha suas portas em Interlaken.

Para os especialistas, o fim do parque dedicado à obra do escritor Erich von Däniken devem-se à falta de dinâmica das atrações e pouca conexão com o turismo na região.

"Parque precisa de ajuda de extra-terrestres" ou "Profissional da fantasia Erich von Däniken não entende mais o mundo" foram alguns dos títulos sarcásticos de reportagens publicadas na imprensa helvética sobre o caso Mystery Park. Desde 2005 a crítica aumentou, sobretudo depois que o parque de diversões entrou com pedido de concordata no início de 2006.

E tudo havia começado em 1997 com planos ambiciosos. Nesse ano o escritor de Erich von Däniken havia anunciado a construção de um grande parque temático na área de uma antiga caserna nas cercanias de Interlaken, conhecida cidade turística na Suíça.

Von Däniken, cujos livros foram traduzidos em dezenas de idiomas, seria o garoto-propaganda e especialista em mistérios para o empreendimento comercial do parque dedicado aos mistérios do mundo.

Posicionamento: disco voadores como atração

O maior problema do Mystery Park foi não ter corrigido sua imagem, que terminou centrada demais na questão dos discos voadores e extraterrestres do que na personagem de von Däniken, um suíço com uma rica e diversificada experiência de vida. Assim explica Hannes Imboden à swissinfo.

O ex-diretor de turismo da região de montanhas de Berna acompanhou o projeto entre 1996 e 2001. Essa também é a opinião do atual diretor, Fritz Zemp, que tem nas mãos desde abril de 2005 a tarefa de resolver finalmente a questão do parque.

"A questão primordial, que deveria ter sido resolvida pelos especialistas em marketing, acabou sendo relegada ao segundo plano. Será que o problema foi centrar demais nessa história dos extraterrestres ou em ser didático e pedagógico?".

Versão econômica ou exagero no início?

Após muita discussão em relação ao financiamento do parque temático, ele finalmente abre suas portas em maio de 2003. Como os bancos recusaram-se a oferecer crédito, o dinheiro veio de um grupo de investidores privados e também do público, através de ações vendidas a preços populares na Bolsa.

"Von Däninken acabou não realizando aquilo que ele planejava. O parque parecia mais uma concretização mal-feita das idéias do escritor suíço. Lá faltavam animação e interação", afirma hoje Thomas Vaszary, professor na Faculdade de Turismo de Lucerna."

Encenação estática ou dinâmica

"Pelo menos um terço das atrações do parque precisam ser modificáveis", exigiram alguns especialistas em parques temáticos já no início do projeto, conta Hannes Imboden. Ele acredita que essa estratégia teria permitido o retorno de muitos visitantes ao Mystery Park.

Também Fritz Zemp constata esse problema. "Tecnicamente teria sido fácil de fazer mudanças no conteúdo e na aparelhagem, como uma forma de contrapor ao caráter estático do parque".

Também Christian Laesser, vice-diretor do Instituto do Turismo em St. Gallen, lista uma série de problemas no Mystery Park. "Lá faltavam novidades. O Europa Park, em Rust (Alemanha), é um exemplo de parques que estão sempre crescendo e se desenvolvendo. Essa é a única forma de manter um número constante de visitantes", declara.

Perda de sinergias na região

A região de montanhas de Berna, também conhecida como "Berner Oberland" dispõe de uma grande infra-estrutura em turismo como as Linhas Férreas da Jungfrau, hotéis, agências e também outros operadores. Eles teriam sido os melhores parceiros do parque. "Porém os responsáveis levaram muito tempo para perceber esse problema e oferecer pacotes, incluindo refeições e pernoites", analisa Zemp.

Outro motivo que levou ao estrangulamento financeiro do parque foi a ida do Mystery Park à bolsa de valores. De acordo com Zemp, dessa forma o parque passou a ter uma estrutura acionária de pequenos e grandes acionistas, onde muitas vezes eles se contrapunham por terem interesses opostos.

Agora o destino do Mystery Park está nas mãos dos advogados. Em dezembro eles estão organizando uma reunião de credores para apresentar algumas sugestões de solução ao problema. Em 10 de janeiro de 2007 termina o prazo da concordata. Se até lá nenhuma dos planos forem aceitos pelos credores, ocorre o pior dos cenários: o parque será colocado em leilão.

swissinfo, Alexander Künzle

Fatos

O plano de negócios do Mystery Park previa pelo menos meio milhão de visitantes por ano.
O melhor ano foi 2004, quando o parque teve 444 mil visitantes.
No final de novembro de 2005 eram contabilizados apenas 200 mil.
No final de outubro de 2006 foi contato o milionésimo visitante.

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Cronologia

21 de maio de 1997: Erich von Däniken torna pública sua idéia de criar o Mystery Park.

4 de julho de 2002: o grupo de investidores "Special Situation" disponibiliza 43 milhões de francos para a construção do parque.

24 de maio de 2003: abertura oficial. Posteriormente o parque recebe o prêmio "Milestone" de turismo pela idéia.

Maio de 2004: o Mystery Park consegue dar lucro.

Verão de 2005: enchentes de agosto provocam a queda no número de visitantes. Funcionários são demitidos.

Abril/maio 2006: é declarada falência.

Setembro de 2006: plano de sanear o Mystery Park fracasssa.

Dezembro de 2006: reunião dos credores do parque.

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2006: o final

Fevereiro: um investidor promete disponibilizar 27 milhões de francos. Duas semanas depois, o negócio termina fracassando. Motivo: o intermediar é preso por crime contra o patrimônio.

Março: obrigacionistas aceitam a transformação das obrigações em capital acionário. Porém ainda faltam 4 milhões de francos.

Augusto: Jakob Dietiker se mostra disposto a comprar o parque por 16 milhões de francos e continuar a geri-lo.

Setembro: Dietiker retira sua oferta. A assembléia da comuna recusa a transformação da cobrança em ações.

Interlaken, a comuna onde está localizada o parque, os maiores acionistas e os credores não aceitam a oferta de saneamento apresentada por Franz Gyger.

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