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Artista suíça O sentido da vida

(Luis Guita)

Amor, vida e morte, memória e identidade, aparecer e desaparecer são utensílios do trabalho da artista plástica Silvana Solivella. Temas que para Silvana “representam o sentido da vida e da escrita” e são de novo convocados pelo manifestar artístico para dar corpo à exposição “Aparições”.

Pintura, escultura, fotografia e instalação estão entre as formas eleitas pela artista plástica suíça, de origem espanhola, que reside em Lausanne, para intervir no espaço da Fundação José SaramagoLink externo, em Lisboa, e construir a exposição que aí está patente até 13 de Agosto.

As colaborações que Silvana desenvolve com autores literários são frequentes, por isso, após os primeiros contatos, quando surgiu a hipótese de intervir no espaço da Fundação do escritor português, e Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, o entendimento entre todas as partes surgiu de forma natural e cúmplice.

“Pilar Del Río (Presidente da Fundação José Saramago) viu o meu trabalho e disse-me que é arte-plástica que tem tudo a ver com a literatura. E, então, convidou-me a vir visitar o espaço. Estivemos quase um ano em conversas e discussões, e depois, a pouco e pouco, as coisas foram-se concretizando. E foi assim que surgiu Aparições”, lembra Silvana Solivella.

Obra da exposição "Aparições" na Fundação Saramago, em Lisboa.

Obra da exposição "Aparições" na Fundação Saramago, em Lisboa.

(Luis Guita)

Palavras e sensibilidade

Com um trabalho criativo que se nutre em todas as leituras que realiza, o que não significa que formalmente se venha a socorrer de todas elas nos seus projetos, o “prazer imenso” que encontrou na leitura de José Saramago foi um dos marcos na construção de “Aparições”.

“Por vezes eu uso apenas palavras. Nem sempre uso frases. São palavras que se repercutem na minha sensibilidade. É precisamente na fusão dessas palavras com a minha linguagem plástica que eu encontro um reconhecimento mútuo. Eu nunca estive pessoalmente com José Saramago mas, a sua viúva, Pilar Del Río ficou comovida quando viu o trabalho.”

Assumindo-se como uma artista plástica que tem na pintura o seu suporte de eleição, na qual usa telas de grande formato, com a descoberta de que na Fundação José Saramago seria práticamente impossível a utilização de paredes, surgiu um desafio enorme para a montagem de uma exposição que já ganhava corpo.

Em consequência da busca por superfícies alternativas aconteceu o “explorar do espaço com peças diferentes. Não são só pinturas, são esculturas, pequenos livros, pequenas instalações, peças que encontramos nos diferentes pisos do edifício.”

“Eu entrarei no nada e me dissolverei nele” é uma frase que está gravada sobre ferro e é uma peça que foi feita para a Fundação. “Esta é uma das frases que mais me perturbou no trabalho de Saramago. Esta espécide lucidez sobre a morte e a finitude,” reconhece a  artista plástica.

(Marie de Goumoëns)

Vários escritores

No seu percurso, SilvanaLink externo tem vindo a encontrar vários escritores que escrevem para o seu trabalho e com os quais acaba por criar cumplicidades e construir relações de amizade. 

O escritor espanhol Fernando Delgado é um dos exemplos: “Eu não conhecia Fernando Delgado. Encontrei-o há dois anos e apropriei-me de uma frase sua que usei no meu trabalho plástico. Perguntei-lhe se ele estava de acordo e ele ofereceu-me a frase. Depois de restabelecermos contato, ele próprio se ofereceu para escrever para o meu catálogo e escreveu o texto E o verbo se fez carne, muito bonito.”

Quando o rumo da conversa nos leva a falar de autores suíços e a hipótese de vir a trabalhar com estes, Silvana Solivella afirma: “A ocasião ainda não aconteceu mas não descarto a possibilidade de vir a acontecer. Por exemplo, adoro a obra do poeta Phillipe Jaccottet.”

Sobre a possibilidade de o público helvético vir a conhecer “Aparições”, dado que a exposição foi concebida para ser itinerante, o catálogo está disponível em 3 línguas (francês, português e espanhol) e já se fala da sua itinerância em Espanha e na América Latina, Silvana Solivella assume que, pelo menos, “algumas peças vão ser apresentadas na Suíça”.

Obra da exposiçao "Aparições", na Fundação Saramago, em Lisboa, até 16 de agosto.

Obra da exposiçao "Aparições", na Fundação Saramago, em Lisboa, até 16 de agosto.

(Luis Guita)

ONU em Genebra

Para já, é garantido que, no próximo Outono, no quadro das comemorações do “Dia da Língua Espanhola nas Nações Unidas, Silvana vai estar na sede da ONU, na Suíça, para apresentar o novo projecto “De(s)aparições”.

“Um livro de autor que é fruto de um diálogo intertextual entre o poeta Jenaro Talens e as minhas obras. O livro é composto por uma série de poemas inéditos de Jenaro Talens, acompanhados de traduções para o português e francês, feitas pelos autores Nuno Júdice e Jacques Ancet respectivamente,” adianta a artista plástica.

Outra das formas de o público suíço descobrir, ou redescobrir, o trabalho de Silvana Solivella é visitar a sua exposição que vai acontecer no centro de arte contemporânea Espace Culturel Assens, em 2015, ou ir ao encontro de peças que estão disponíveis nos espaços do BCV, Cantão de Vaud ou Vacheron Constantin.

Quem é Silvana Solivella

( tal como no catálogo da exposição “Aparições” )

No seu conjunto, a obra de Silvana Solivella constrói-se através de uma grande variedade de suportes e de técnicas, recorrendo tanto ao vídeo,  à instalação ou à fotografia como à pintura, que continua a ser a sua prática artística preferida.

Com efeito Silvana Solivella reivindica o seu ofício de pintora. Fugindo a qualquer demarcação, a artista percorre campos distintos passando da poesia à antropologia, à história da arte ou à sua própria história pessoal, com o objectivo inequívoco de evitar qualquer atavismo que prejudique a sua prática artística e a sua busca.

De origem espanhola, estabelecida na Suíça desde os anos 90, cultiva a riqueza intrínseca da pertença a duas culturas no seu estúdio de Lausanne, um lugar simultaneamente de procura e de encontro. No seu percurso artístico a aposta nas relações humanas é clara: os seus êxitos profissionais avançam a par com os encontros pessoais, as relações fecundas com pessoas que favoreceram a realização de projetos intimamente ligados à artista.

O seu trabalho, reconhecido no mundo artístico, obteve diversas distinções prestigiosas, entre as quais a Bolsa da Fundação de Arte Alice Bailly e o Prémio da Fundação Irène Reymond.

swissinfo.ch

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