AFP

Seis clubes do futebol israelense jogam em assentamentos na Cisjordânia

(afp_tickers)

A ONG Human Rights Watch acusa a Fifa de apoiar indiretamente o "roubo" de terras palestinas ao autorizar que partidas organizadas pela federação israelense de futebol sejam realizadas em assentamentos na Cisjordânia.

Em um relatório a ser publicado na segunda-feira (26), a HRW pede para que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, cumpra a promessa de acabar com os jogos disputados em colônias sob autoridade da federação israelense, que é membro da federação internacional.

O assunto deve entrar na pauta do comitê executivo da Fifa, que tem reunião marcada nos dias 13 e 14 de outubro.

"A Fifa está manchando o jogo, ao autorizar a realização de partidas em terras roubadas", critica Sari Bashi, citado no comunicado da ONG.

A HRW lembra que os assentamentos desrespeitam o Direito Internacional. Desde a ocupação da Cisjordânia por Israel, em 1967, 500.000 colonos israelenses se instalaram nos Territórios palestinos, de acordo com números da ONU.

Seis clubes da 3ª, 4ª e 5ª divisão de Israel, categorias consideradas semiprofissionais, jogam nessas colônias, lembra a HRW.

A ONG cita o exemplo do Beitar Givat Zeev, que joga suas partidas em um campo construído em terras tomadas de palestinos da cidade de Beitunia.

Para a HRW, "a Fifa precisa exigir que a Associação israelense de futebol, que é sua filiada, desloque para dentro de Israel todos os jogos e atividades homologadas pela Fifa".

A federação israelense já reagiu, lamentando o fato de o futebol "ter sido levado do campo do esporte para o campo da política".

Em maio de 2015, a federação palestina pediu que a federação israelense fosse suspensa da Fifa. Acabou retirando sua moção de última hora, mediante a criação de uma comissão comprometida com analisar os problemas dos assentamentos e da liberdade de movimento dos jogadores palestinos, limitada por controles de segurança.

Um porta-voz da Fifa explicou à AFP que a comissão deve apresentar o avanço de seus trabalhos na reunião do comitê executivo e que "progressos notáveis" foram observados na questão da liberdade de movimento.

afp_tickers

 AFP