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O fazendeiro José Pascual observa a área devastada de Paracatu de Baixo, no dia 26 de outubro de 2016

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O governo brasileiro e as empresas envolvidas na ruptura da Barragem de Fundão, há um ano, em Mariana (MG), devem acelerar a resposta aos problemas sociais, ecológicos e econômicos dos milhares de afetados pela tragédia, pediram nesta sexta-feira especialistas das Nações Unidas.

"As medidas que esses atores vêm desenvolvendo são simplesmente insuficientes para lidar com as massivas dimensões dos custos humanos e ambientais decorrentes desse colapso, que tem sido caracterizado como o pior desastre socioambiental da história do país", alertaram os especialistas em direitos humanos da ONU em um comunicado assinado em Genebra.

"Na véspera do primeiro aniversário do colapso catastrófico da barragem, de propriedade da Samarco, instamos o governo brasileiro e as empresas envolvidas a darem resposta imediata aos numerosos impactos que persistem, em decorrência desse desastre", acrescentaram os especialistas.

Os signatários da declaração são os relatores especiais da ONU Léo Heller (Brasil), enviado especial para o direito à água potável, Dainius Puras (Lituânia), do direito à saúde mental e física, Michel Forst (França), encarregado da situação dos defensores dos direitos humanos, e Victoria Tauli-Corpuz (Filipinas), relatora especial para os direitos dos indígenas.

"Após um ano, muitas das seis milhões de pessoas afetadas continuam sofrendo", denunciam os especialistas.

As comunidades indígenas e as comunidades ribeirinhas ainda enfrentam problemas de saúde e de contaminação dos cursos de água, apesar dos trabalhos realizados pelo governo e pelas companhias mineradoras, de acordo com o texto.

Os relatores especiais da ONU denunciam, ainda, "o avanço lento dos reassentamentos e da remediação legal para toda a população deslocada".

"Relembramos ao Governo e às empresas que um desastre dessa escala (...) requer uma resposta em escala similar", acrescenta o texto.

A Barragem de Fundão se rompeu em 5 de novembro de 2015, derramando 32 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, uma quantidade de lama suficiente para encher 20.000 piscinas olímpicas e, segundo a ONU, carregados de perigosas substâncias contaminantes.

O tsunami de lama se arrastou por 640 km ao longo do Rio Doce, matando 19 personas, entre trabalhadores mineiros e habitantes do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. Outras milhares de pessoas perderam suas casas, seus trabalhos e suas fontes de renda.

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