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Países estão atrasados na luta contra a Aids



A Aids causa grande número de vítimas na África subsaariana.

A Aids causa grande número de vítimas na África subsaariana.

(Keystone)

Entre as promessas de financiamento não cumpridas e o desinteresse crescente dos políticos, a Cúpula Mundial HIV/Aids que vai até sexta-feira (23) em Viena está tensa, com mostra o tema “Direitos aqui e agora”.

Quase 25 mil pessoas ativas na luta contra o vírus e a doença participam da 18ª Conferência Internacional na capital austríaca.

Ativistas, médicos, soropositivos, quase 25 mil pessoas ativas na luta contra o vírus HIV e a AIDS participam da 18ª Conferência Internacional que ocorre em Viena, de 18 a 23 de julho. Na pauta estão uma lista de temas concretos: epidemiologia mundial, novas estratégicas de prevenção, avanços em matéria de tratamento, financiamento de programas e responsabilidade dos governos na implementação do acesso universal aos tratamentos.

Também serão debatidas medidas concretas para defender, promover e fazer respeitar os direitos humanos em relação à Aids. "O ponto fraco da conferência é ausência de líderes políticos que decidem", afirma Deborah Glejser, porta-voz do Grupo Aids Genebra.

Personalidades políticas ausentes

Glejser participa das cúpulas sobre Aids desde 1998 e afirma que "sentiu claramente o desinteresse das elites políticas desde a conferência de Toronto, em 2006, à qual não compareceu o primeiro-ministro do Canadá Steven Harper, a primeira exceção para um país que recebia a conferência."

Em 2008, a cúpula do México, organizada na mesma época dos Jogos Olímpicos, o desinteresse foi ainda maior. No entanto, de acordo com Deborah Gjejser, "a situação particularmente alarmante nos países do Leste europeu vai certamente acarretar uma forte presença da União Europeia, muito envolvida nessa região."

De fato, segundo o programa das Nações Unidas ONU/AIDS, na Europa Oriental e na Ásia Central o número de pessoas soropositivas aumentou de 66% entre 2001 e 2008. É uma ameaça suficiente para que a agência da ONU organize sua grande reunião bianual às portas dessa região, a única onde a contaminação do HIV mantém-se claramente em alta.

Marginalização de minorias

Está em causa o problema das drogas injetáveis, que agem como fator de propagação da infecção. Com 1,6% de adultos infectados, a Ucrânia tem a maior taxa na Europa.

"Persiste nessa região um atraso mortífero entre a identificação do foco de contaminação e a reação dos serviços de saúde pública", explica Glejser. "A criminalização das prostitutas e dos migrantes pelos governos não ajuda a conter a epidemia", acrescenta.

Na Suíça ocorre o contrário, com um sistema que funciona muito bem. O país entendeu os problemas humanos provocados pela marginalização das minorias. Segundo ativistas locais, o orçamento reservado pelo governo para lutar contra todas as formas de discriminação estão claramente em alta, embora denunciem as promessas de financiamento não cumpridas no plano internacional.

Os efeitos da crime econômica

Se o objetivo de investimento global contra a Aids de 10 bilhões de dólares foi atingido em 2008, a recessão econômica coloca em dúvida a perenidade desse resultado. Este ano, 26,8 bilhões de dólares são necessários para cumprir os objetivos fixados pelos governos.

Em 22 países da África, Caribe, Europa, Ásia e Pacífico, o impacto da crise prejudicou os programas de prevenção e de tratamento do HIV. Segundo a ONU/Aids, oito países já enfrentam escassez de medicamentos antirretrovirais. Se essa situação perdura para 5 milhões de soropositivos atualmente em tratamento, pode ocorrer um verdadeiro desastre.

Taxa Robin Wood

Na Suíça, a Secretaria Federal de Saúde Pública (OFSP, na sigla em francês), acata as recomendações, especialmente no aspecto financeiro, dos médicos e associações para implementar o programa nacional de luta contra o HIV/Aids. No entanto, em 2007, o Grupo Aids Genebra reclamava ter perdido um terço das subvenções porque os orçamentos foram alocados para outras causas de mortalidade mais elevadas como o tabaco e a obesidade.

As Ongs procuram então financiamentos alternativos. O conceito da taxa Robin Wood poderia voltar a ser discutido em Viena. Apoiado por várias associações de luta contra a Aids no mundo, consiste em cobrar 0,005% das operações interbancárias de câmbio para aplicar em programas de saúde nos países do Sul, especialmente em favor dos soropositivos.

Essa taxa permitiria obter somas suficientes para compensar o corte dos orçamentos dos Estados contribuintes do Fundo Mundial Contra a Aids, o paludismo e a tuberculose. A organização de luta contra a Aids precisa de 35 bilhões de dólares para os próximos três anos.

Sandra Titi-Fontaine, InfoSud/swissinfo.ch
(Adaptação: Claudinê Gonçalves)

Leis discriminatórias

Progressos. Avanço positivo, os Estados Unidos acabam de suprimir a interdição de entrada em seu território de soropositivos; a China tomou a mesma decisão, que já tinha abrandado as exigências por ocasião dos Jogos Olímpicos de Pequim e suprimiu todos os controles para a exposição universal de Xangai. A Namíbia e as ilhas Comores também pretendem voltar atrás em suas leis discriminatórias que exigem um teste HIV negativo para obter um visto de entrada no país.

Repressão. 66 países continuam a ter restrições de circulação para portadores do vírus. Outro aspecto dessa marginalização, segundo o programa
Global Criminalization Scan, do Mali a Moçambique, do Azerbaijão à Austrália, do Canadá à Costa do Marfim, um número crescente de países, sobretudo do Sul, adotaram leis que punem severamente a transmissão, consciente ou não do vírus HIV.

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Jovens são esperança

O relatório 2010 da ONU/AIDS revela que os jovens de
15 a 24 anos fazem uma revolução em matéria de prevenção : 15 dos 15 países mais duramente atingidos, todos na África subsaariana, reduziram de 25% a taxa de contaminação nessa faixa etária.

80% dos 5 milhões de soropositivosno mundo vivem na África subsaariana. Em 2008, 900 mil jovens foram contaminados, 66% mulheres.

Em oito países – Costa do Marfim, Etiópia, Quênia, Malaui, Namíbia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue – a baixa significativa do HIV foi consequência de
mudanças positivas dos comportamentos sexuais dos jovens como utilização frequente de preservativos e primeira relação sexual mais tardia.

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(swissinfo.ch)


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