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Patrimônio mundial: a Suíça com a palavra

Sede da UNESCO, em Paris.

(Keystone)

A Suíça participa do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, para o qual foi eleita com raro brilho em outubro de 2009.

O embaixador suíço, que acaba de deixar o cargo da UNESCO, Ernst Iten, fala, com pertinência, sobre o trabalho dessa organização das Nações Unidas.

A notícia quase passou despercebida: a Suíça conseguiu uma cadeira no Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO. E com brilho! Dos 21 membros do organismo, que escolhe os bens naturais e culturais de “excepcional valor universal”, 12 deviam ser substituídos.
Vinte e nove países eram candidatos aos postos vacantes. A Suíça conseguiu 104 sufrágios 140 votantes. “É um recorde absoluto na história da eleição”, festeja o ex- embaixador suíço, Ernst Iten.
Num momento em que é bastante criticada no cenário internacional, a Suíça mostra que pode reunir sufrágios nos domínios em que é competente, afirma o Ernst Iten. E até mesmo a Líbia votou a favor da candidatura helvética? “Não tenho a menor ideia, sorri o embaixador. O voto ser secreto.”

Uma equipe

É a vitória de uma equipe, da qual participaram as Secretarias Federal do Meio Ambiente, a Secretaria da Cultura, juntamente com o Ministério das Relações Exteriores. Apesar desse sucesso particular, ele não se vangloria. Ernst Iten, que acaba de deixar suas funções como Chefe da Delegação Suíça junto à UNESCO, se aposenta durante o primeiro semestre de 2010.
A “campanha” foi dura, quase uma campanha presidencial. “Tive que organizar três a quatro recepções por noite”, conta o embaixador, extenuado com essa campanha à francesa. Sem falar, é claro, do trabalho de base.

Afinal, para que serve ser membro do Comitê do Patrimônio Mundial? O primeiro motivo é egocentrista: aumentar as chances das candidaturas helvéticas. A Suíça já tem dez bens registrados como parte do “patrimônio mundial.” Entre eles, o centro histórico de Berna, a Abadia de Sankt-Gallen, o mosteiro St. Johannes de Müstair, nos Grisões (leste) e a pérolas do urbanismo relojoeiro que são La Chaux-de-Fonds e Le Locle (extremo oeste).
La Chaux-de-Fonds, sim, mas não a candidatura de seu genial filho, Le Corbusier, que já foi proposta mas cuja análise foi adiada, em 2008, pela UNESCO.
Em 2010, o Comitê examinará uma nova proposta suíça: as povoações lacustres do Arco Alpino, que testemunham, no fim da pré-história, o surgimento da agricultura na Europa.

Mas a presença suíça no Comitê permitirá principalmente revigorar a percepção da salvaguarda do patrimônio, em que se realça a participação da população local na preservação dos bens naturais ou culturais. “Já foram registrados 890 tombamentos”, lembra Ernst Iten. “Para evitar que se banalize essa qualificação, é preciso mostrar-se mais exigente.”

É necessário, igualmente, insistir na qualidade das candidaturas, como também escolher bens multinacionais, em que intercalem os interesses sobre a questão, até porque já se foi a época das pérolas medievais, como Assis ou Vézelay.

Laboratório em cultura

Ernst Iten deixa Paris no momento em que a UNESCO muda sua diretoria, pois a búlgara Irina Bokova sucede ao japonês Koichiro Matsuura. Ele foi um bom administrador, estima o diplomata. “Botou ordem na casa. Mas, insistindo demais na administração, se esqueceu um pouco da visibilidade e da matéria cinzenta.”
“Para que serve a UNESCO?”, foi manchete recente do diário Le Monde. “A organização deve recuperar seu papel de laboratório em matéria de educação e cultura”, afirma Ernst Iten. “Um exemplo de falta de dinamismo pode ser sentido no setor das ciências sociais e humana. A UNESCO não soube desenvolver o necessário trabalho para fazer frente à crise econômica e falhou na sua tarefa.”

A UNESCO deveria concentrar-se em metas decisivas, como educação e proteção do patrimônio? “É verdade que cada país tende a puxar a brasa para sua sardinha, em desenvolver pequenos programas, sem uma verdadeira coerência global”, lamenta o embaixador. “A educação deve permanecer como a prioridade das prioridades.”

Em oito anos, o setor teve seis sub-diretores gerais! Como realizar uma política nessas condições? ”Reside ai um sintoma de causas mais profundas: outras organizações como a UNICEF e OCDE interferem nos afazeres da UNESCO, que perdeu seu papel de líder em matéria de educação.”

Para que serve então a UNESCO? Qual o seu papel, em particular para a Suíça? “A ideia de uma melhor coordenação dos programas escolares, atualmente em voga na Suíça, surgiu após a Segunda Guerra”, lembra Ernst Iten. A diversidade cultural, tão apreciada na Suíça, é tema de convenção na entidade. No setor de tráfico ilícito de bens culturais, a UNESCO permite aos países de onde esses bens sejam originários – a África, por exemplo – reivindicar seus direitos.

Mathieu van Berchem, Paris, swissinfo.ch (Traduzido do francês por J.Gabriel Barbosa

UMA MULHER DO LESTE NA UNESCO

Dupla estreia. Irina Bokova é a primeira mulher a dirigir a UNESCO. É também a primeira personalidade originária do Leste Europeu a ocupar uma alta função no sistema da ONU.
Ex-comunista. Embaixadora da Bulgária na França e junto à UNESCO desde 2005, esta mulher, de 57 anos, dinâmica, aberta e sorridente, é uma ex-comunista, diplomata de carreira, que se tornou militante convicta da causa europeia.

Juventude dourada. Personalidade muito popular do Partido Socialista, hoje na oposição, ela pertenceu à juventude dourada sob a ditadura comunista. Seu pai, Gueorgui Bokov, foi redador-chefe do jornal do Partido Comunista, Rabotnitchesko Delo.

Aproximação. Irina Bokova foi primeira vice-ministra das Relações Exteriores e coordenadora das relações da Bulgária com a União Europeia (UE), de 1995 a 1997, antes de se tornar, por breve período, chefe da diplomacia búlgara, de novembro de 1996 a fevereiro de 1997.

Adesão. Ela foi uma das pioneiras na adesão de seu país a UE, em 2007. Eleita deputada duas vezes à Assembléia Constituinte depois da queda da ditadura comunista, de 1990 a 1991, e, depois de 2001 a 2005, foi vice-presidente da Comissão Parlamentar do Ministério das Relações Exteriores e membro da Comissão Parlamentar de Integração Europeia.

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