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Pesquisadores "dissecam" o discurso de Obama e McCain

Nuvens de palavras mostram os termos mais utilizados por John McCain (vermelho) e Barack Obama (azul).

(swissinfo.ch)

Pesquisadores da Universidade de Zurique estudaram mais de um milhão de palavras utilizadas por Obama e McCain. Objetivo: descobrir como eles utilizam a linguagem para transmitir suas mensagens.

O historiador Martin Klimke, baseado em Washington e analista dos resultados, afirma que McCain é bastante claro e conciso enquanto Obama é consistente e consegue fazer ligações entre os temas.

Trabalhando com os lingüistas Noah Bubenhofer e Joachim Scharloth, Klimke utiliza um supercomputador para "mastigar" dois anos de palavras retiradas de mais de 500 discursos de campanha e entrevistas dadas pelos candidatos à eleição presidencial nos Estados Unidos.

Enquanto as agências de noticias geralmente contam a quantidade de vezes que um candidato diz uma palavra específica, essa é a primeira vez que uma equipe utiliza a informática para estudar quantas vezes palavras são empregados para transmitir mensagens políticas.

Em geral, os pesquisadores chegaram à conclusão que o candidato republicano John McCain utiliza frases curtas para emitir uma mensagem vigorosa e direcionada, cujo conteúdo gira muitas vezes em torno do tópico "reforma".

Já o democrata Barack Obama usa sentenças com uma média de cinco palavras a mais do que as de McCain. Além disso, ele utiliza termos que dão à mensagem um tom mais intelectual.

Os pesquisadores Noah Bubenhofer e Joachim Scharloth fundaram semtracks em 2008 para desenvolver métodos computadorizados de análises semânticas. Juntamente com Martin Klimke, eles iniciaram em 2008 um estudo sobre a percepção dos americanos depois de 11 de setembro de 2001.

O projeto agora tem outras facetas, incluindo "Political Tracker" do semtracks, um projeto para pesquisa da linguagem utilizada na campanha eleitoral nos Estados Unidos e para determinar as características da retórica política dos dois candidatos.

swissinfo: O que vocês descobriram através das suas pesquisas?

Martin Klimke: John McCain é bastante conciso e um orador muito claro. Ele embala sua mensagem política em sentenças curtas e se apóia em um determinado conjunto de palavras-chave associados com honra, causa e disciplina. Quando ele fala sobre reforma, trata-se da econômica ou política. Isso é diferente de Barack Obama, que introduziu de forma bem sucedida a idéia de mudança. O que John McCain tenta fazer desde abril ou maio é copiar essa idéia. Ele agora se acostumou a falar sobre reforma, com as mãos fortes e experimentadas que diz ter.

swissinfo: E Obama? Como ele constrói sua imagem através da escolha de palavras?

M.K.: Obama é notadamente consistente na sua retórica. Ele circula em torno de palavras-chaves que têm a ver com tempo, mobilidade, uma identidade coletiva e em levar a América para frente. Ele fala como um movimento histórico e uma viagem em direção ao futuro. Ele também fala freqüentemente sobre comunidade, gerações e bairros.

Nós podemos ver, em um nível lingüístico, como os candidatos se diferenciam na maneira comoutilizam pronomes pessoais. McCain diz "eu" e "vocês" com muita freqüência. Já Obama utiliza "nós" e "vocês". McCain está tentando marcar uma nítida distinção com o seu oponente. Obama, por outro lado, sublinha diálogo e comunidade, algo que está fazendo desde as primárias.

swissinfo: Que diferenças você tem notado na maneira como eles falam de economia?

M.K.: McCain tenta separar-se ao falar de política fiscal. Do outro lado, Obama é mais complexo e diferenciado. Um grande número de pessoas considera sua retórica mais abstrata e professoral. Isso é verdade do ponto de vista lingüístico, pois ele utiliza sentenças longas, mas – e isso é crucial – ele evoca empatia ao dar mais exemplos.

Quando Obama fala sobre economia, fala mais da mesa da cozinha. Aborda educação e como a família e a classe média estão tentando solucionar seus problemas. McCain faz conexões emocionais através da sua, agora famosa, utilização do "meus amigos" (n.r.: "my friends").

swissinfo: Como a retórica se modificou com a aproximação das eleições

M.K.: McCain e seu foco sobre o Joe the Plumber (n.r.: um encanador encontrado por Obama durante um comício e utilizado como personagem de discurso por McCain) e as pequenas empresas; é a mensagem clara nos últimos dias de campanha. Obama se afastou do Joe the Plumber e focaliza mais a classe média. Como mostram as pesquisas de opinião, essa estratégia parece ser mais bem sucedida em atrair os eleitores independentes.

Os ataques pessoais de McCain e suas mensagens parecem lembrar os eleitores do passado. Estas não estão sendo capazes de conquistar o eleitores de hoje.

swissinfo: Como os candidatos utilizam a linguagem para enquadrar um ao outro?

M.K.: McCain associa Obama com impostos elevados e aparato governamental inflado. O problema para McCain é que a impopularidade do atual presidente eclipsa sua visão política, sobretudo pelo fato de Obama ser muito bem sucedido em associá-lo a Bush.

Em um nível retórico, podemos ver que McCain se distancia cada vez mais de Bush através de denúncias mais abertas e explícitas do passado – basicamente pelo sucesso da estratégia de Obama de associá-lo ao atual presidente. McCain também utiliza o passado para marcar pontos sobre Obama, a saber, sua falta de compreensão da gravidade dos problemas atuais.

swissinfo: E sobre a forma como eles abordam o tema das guerras?

M.K.: McCain associa o Iraque ao sucesso do esforço militar concentrado (n.r.: o "surge") e a potencial derrota que seria aceitar o plano de Obama. A mensagem de Obama é sempre mais diferenciada e de menor nitidez do que McCain, mas ele utiliza outras estratégias retóricas para aordar o problema.

Quando Obama fala do Iraque, também fala do Afeganistão, Al Qaida, as tropas americanas, a segurança nacional e a política nuclear. Isso é muito mais compreensível. Sua estratégia é mais consistente e, provavelmente, melhor sucedida a longo prazo, pois ele mantém a mesma linha. Enquanto isso, os ataques pessoais de McCain nas últimas semanas têm deslocado sua narrativa com uma freqüência além do necessário para convencer os eleitores.

swissinfo, Tim Neville

Discursos dos "presidenciáveis"

Quando fala sobre a crise financeira, John McCain tende a associar o termo "Wall Street" com as seguintes palavras: executivo, ganância, risco, economia, Washington e corrupção.

Ao fazê-lo, McCain envia uma mensagem clara de que Wall Street é corrupta e que uma reforma fundamental em Washington é necessária para proteger o povo.

Em forte contraste, Barack Obama fala sobre Wall Street em termos mais compreensivos ao conectá-la com outros temas como saúde pública e energia. Ele tende a utilizar palavras como trabalho, emprego, Main Street (expressão para falar do povo das ruas), Washington e ajuda, em associação com a frase "Wall Street".

A mensagem que ele transmite, segundo especialistas, é "menos técnica" e mostra "uma conexão imediata com Main Street" para passar uma mensagem às famílias. Os pesquisadores notam que Obama fala de uma forma mais positiva de Washington e Wall Street, "ressaltando, porém, as mudanças que uma possível administração Obama poderá trazer ao governo".

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semtracks

Os pesquisadores Noah Bubenhofer e Joachim Scharloth fundaram semtracks em 2008 para desenvolver métodos computadorizados de análises semânticas. Juntamente com Martin Klimke, eles iniciaram em 2008 com um estudo sobre a percepção dos americanos depois de 11 de setembro de 2001.

O projeto agora tem outras facetas, incluindo "Political Tracker" do semtracks, um projeto de pesquisa da linguagem utilizada na campanha eleitoral nos Estados Unidos e para determinar as características da retórica política dos dois candidatos.

O grupo emprega cientistas da computação, especialistas em lingüística e analistas culturais, além de outros especialistas, para rastrear o sentido na linguagem. Pesquisadores afirmam, com 95% de certeza, que as diferentes linguagens utilizada pelos candidatos não são apenas aleatórias, mas sim uma estratégia lingüística para transmitir uma mensagem política específica.

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(swissinfo.ch)
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