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Eleições federais de 2015


Quando os partidos flertam com a Quinta Suíça




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O número de suíços no exterior, com inscrição  no registro eleitoral, continua em ascenção. Este “curral” de eleitores não provoca a indiferença dos partidos. Nas eleições federais de outubro, eles irão tentar, mais uma vez, a conquista dos votos dos expatriados.

Um certo gosto pelo folclore suíço, mas também uma vontade de participar da vida política do seu país de origem. Dos mais de 700 mil suíços do estrangeiro, mais de 150 mil estão registrados no cadastro eleitoral. (Emanuel Ammon/AURA)

Um certo gosto pelo folclore suíço, mas também uma vontade de participar da vida política do seu país de origem. Dos mais de 700 mil suíços do estrangeiro, mais de 150 mil estão registrados no cadastro eleitoral.

(Emanuel Ammon/AURA)

Em 1992, quando o  direito ao voto por correspondência foi introduzido, cerca de 14 mil suíços no exterior estavam inscritos nos registros eleitorais dos Cantões. Ao final de 2013, eles já somavam mais de 155 mil, o equivalente a um  cantão de dimensão média, como o Ticino ou o Vallese..

« A comunidade dos suíços no exterior é considerável e continua a crescer. Para um partido, representa um potencial interessante, quando for o momento das eleições», observa Thomas Jauch, responsável pela comunicação do Partido popular democrático ( PPPD).

Presença crescente

Alguns partidos são mais ativos no exterior, particularmente. A União democrática de centro ( UDC ) é um desses. « Sete anos atrás, mal tínhamos cem integrantes, agora contamos com cerca de 400. Temos seções na Espanha, Costa Rica, Costa do Marfim e África do Sul. E estamos planejando a abertura de seções nos Estados Unidos e em Liechtestein », revela Miriam Gurtner, secretária da UDC Internacional.

O Partido socialista ( PS ) Internacional, que possui uma centena de simpatizantes, pelo seu lado, abriu cinco representações em Paris, Berlim, Roma, Tel Aviv e Buenos Aires. « O objetivo é  sair do cerco daqueles que já são militantes e de entusiasmar, contagiar a comunidade suíça de forma mais ampla », explica Walter Suter, presidente da seção internacional do PS.

Já os adeptos do Partido liberal radical (PLR) Internacional somam  120. « Com  cerca de 20 membros novos a cada cano, o nostro efetivo registra um aumento constante », revela François Baur, presidente do PLR Internacional.

Por razões de recursos, o Partido popular democrático, o Partido burguês democrático e o Partido ecologista suíço renunciaram à criação de uma seção internacional. Isto não significa que os expatriados foram esquecidos.

« Em sintonia com a presidência do partido temos um membro que é o responsável pelos suíços no exterior », afirma o referente para a comunicação do PPD, Thomas Jauch

Não apenas a Web

Tendo em vista as eleições federais desse ano, os partidos estão afiando as armas e passando a limpo as estratégias para explorar o mundo dos expatriados

As redes sociais, a internet e a documentação enviada por correio eletrônico vão ter um papel crucial na campanha.

A comunicação à distância não vai substituir o tradicional corpo a corpo. « No próximo ano, prevemos a nossa participação no Congresso dos suíços no exterior, pela primeira vez », nos diz Caroline Brennecke, coordenadora romanda do Partido burguês democrático.

« Os integrantes do nosso grupo parlamentar intervêem, com regularidade, durante as reuniões nas embaixadas ou nas associações suíças no exterior, por exemplo, durante a festa de primeiro de agosto », acrescenta Thomas Jauch.

Cada vez mais candidatos “estrangeiros”

Para contagiar ainda mais este corpo eleitoral, alguns partidos apresentam, mais uma vez, em alguns cantões, candidatos da diáspora. Esta é uma estratégia cada vez mais comum e atual em aumento: apenas um candidato “estrangeiro”, em 1999; 17, em 2003;  44, em 2007;  81 em 2011.

As chances deles serem eleitos são quase igual a zero. Na Suíça, não existe uma circunscrição eleitoral reservada para os suíços residentes no exterior, como acontece na Itália. Os candidatos devem apresentar-se nas listas dos Cantões. « A reputação e notoriedade joga, naturalmente, um papel fundamental », revela Miriam Gurtner. « Entretanto, alguns candidatos registraram um resultado, no mínimo, digno», acrescenta o presidende da UDC Internacional que, em 2011, tinha apresentado 50 candidatos, em oito cantões diferentes.

Para os Verdes, listas semelhantes de “ estrangeiros “ podem favorecer o incremento na colaboração internacional com os partidos “gêmeos”, equivalentes. « Em 2011, os Verdes, de Genebra, apresentaram uma lista dos Verdes transfronteiriços. Foi uma boa estratégia, até mesmo para melhorar o socorro recíproco com os ecologistas na França. Hoje, podemos aproveitar disto, por exemplo, no quadro da campanha contra o xisto ».

Quando um partido não tem candidatos expatriados ou possui poucos - como por exemplo o PLR, em 2011 (uma candidata no cantão Zurique) – ele pode se apoiar sobre um outro registro. « Como PLR internacional, promovemos uma dezena de candidatos. Eles vivem na Confederação e se empenham pela causa dos suíços residentes no exterior através de uma espécie de “ lista virtual “, explica François Baur

Claro, no geral, o peso dos votos dos suíços no exterior não é preponderante na eleição. Todavia, como observa Arianne Rustichelli, co-diretora da Organização dos suíços no exterior (OSE), conseguir chamar a atenção dos expatriados pode permitir a um partido «  fazer a diferença », se tornar ser o fiel da balança.

« Todos os votos contam, sobretudo, em um sistema proporcional como o nosso, revela Walter Suter. Tivemos um caso concreto no cantão de Genebra, onde os cerca de 500 votos obtidos pelos candidatos da lista internacional  garantiram o acesso à terceira cadeira do Partido socialista ».

Marcar certos temas

Estas candidaturas permitem aos suíços no exterior de chamarem a atenção para certos temas que são caros à diáspora suíça, reforça Arianne Rustichelli.

« As listas da UDC internacional permitiram a apresentação, durante a campanha, de solitações dos suíços no exterior, pedidos que quase sempre são deixados de lado pelo debate político », observa Miriam Gurtner.

Tudo isto parece render frutos. Por exemplo, uma das sete reinvidicações apresentadas no « Manifesto eleitoral de 2011 » do OSE foi concretizada. Em setembro, de fato, o parlamento adotou, definitivamente, a Lei sobre os suíços no exterior. Ela reúne, num só texto, todas as disposições que dizem respeito aos expatriados.

Além disso, o excercício dos direitos políticos melhorou. « Para as eleições de 2015, não vai ter o  voto eletrônico geral, como tinha sido pedido. Porém, a maior parte dos suíços no exterior vai poder usar o e-voting », observa Arianne Rustichelli.

Sobre a reestruturação da rede consular pode-se afirmar que a onda de fechamentos perdeu força. « Tiveram muitos intervenções parlamentares contra estes fechamentos e, na metade dos casos, o resultado foi positivo », revela ainda Arianne Rustichelli.

Um outro nervo descoberto tem a ver com a possibilidade dos suíços do exterior de ter uma conta bancária no país de origem. Desde a crise financeira de 2008, e a consequente ofensiva das autoridades dos Estados Unidos contra a sonegação fiscal, muitos institutos helvéticos deixaram de aceitar depósitos dos expatriados. Talvez, esta situação possa mudar a  curto prazo. Em setembro, o Conselho nacional, efetivamente, acolheu – contra o parecer do governo – uma moção de Roland Büchel, deputado da UDC e membro do Conselho dos suíços no exterior. Ela previa a garantia -  a todos os suíços residentes no exterior - de abertura de uma conta junto ao Postfinance, o instituto bancário dos correios. A proposta deve ainda superar o obstáculo do Conselho dos Estados. Uma outra moção está no forno. E tem a ver com os bancos “ too big to fail “. Um tema-confirma Mariam Gurtner – que, sem dúvida, vai estar no centro da campanha de seu partido, de olhos bem abertos nas eleições federais.


Adaptação: Guilherme Aquino

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