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Entrevista na TV suíça


"Eu não ataco o meu povo, mas sim o defendo"


Em uma das suas raras aparições públicas, Baschar al-Assad é entrevistado pela televisão pública suíça SRF. O presidente sírio fala do bombardeio de Aleppo e as alegações de utilização de armas químicas. Além disso, explica porque acredita que seu regime vencerá a guerra.

A entrevista do presidente Assad cedida à televisão suíça faz parte da campanha de imagem conduzida pelo governo sírio.  (AFP)

A entrevista do presidente Assad cedida à televisão suíça faz parte da campanha de imagem conduzida pelo governo sírio. 

(AFP)

Assad afirmou que os papéis no conflito estão claramente divididos: seu governo e as "nações amigas" como Rússia, Irã e China defendem o país "contra os terroristas que invadiram a Síria" a comando de outras potências."

Condições

A entrevista com o presidente sírio foi realizada sob condições pré-determinadas, definidas pelo governo. A conversa foi filmada pelo governo sírio. O ministro das Informações determinou antes a duração da entrevista (20 minutos). Em contrapartida a entrevista tinha de ser transmitida integralmente na Suíça. A SRF foi permitida formular as questões sem submetê-las à aprovação com antecedência.

O presidente sírio Bashar al-Assad negou também que as forças governamentais estejam bombardeando indiscriminadamente os hospitais de Aleppo. "Essa é uma falsa afirmação...Se um governo matar a própria população civil, não terá mais apoio no seu seio...Eu não ataco as pessoas, mas sim as defendo."

Também negou as alegações das Nações Unidas de que o exército sírio empregue armas químicas contra a população. "Não existem provas de que o exército sírio tenha utilizando armas químicas", declarou o ditador, considerando que as informações publicadas no relatório da ONU "não merecem credibilidade".

Assad confessa erros

O presidente sírio considera que em uma guerra possam ocorrer "erros". Em sua opinião não existiriam "guerras limpas", porém existiria uma diferença entre a política de um governo e erros isolados. "Não é possível dizer que é a política de um governo atacar civis, hospitais e escolas e que cometemos todos esses crimes horríveis."

Ele declarou ainda acreditar em uma solução diplomática para o conflito, mas considerou impossível negociar com grupos como a al-Qaeda, al-Nusra ou ISIS.

Do ponto de vista militar, o presidente considerou estar seguro da vitória. "Se você não acreditar nela, já está perdido". 

Sessão especial da ONU sobre a Síria

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas reúne-se na sexta-feira em uma sessão especial dedicada a situação da cidade síria de Aleppo. A sessão foi solicitada por 16 países, informou o órgão. 

A justificativa é a piora na situação humanitária em Aleppo, assim como no "fracasso do governo (sírio) e seus aliados de cumprir suas obrigações internacionais em relação aos direitos humanos."

(AFP) 

Assad: "Um mentiroso patológico"

A entrevista com Baschar al-Assads no programa "Rundschau" da televisão suíça provocou inúmeras reações. A Anistia Internacional refutou as afirmações do ditador de que esta seria financiada pelo Qatar. Para o porta-voz, Beat Gerber, a suspeita não tem fundamento. "A Anistia Internacional não recebe dinheiro de governos e também sempre critica a situação dos direitos humanos no Qatar.

Gerber também questiona a afirmação de Assad que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha esteja tendo acesso às prisões do país. "Se o presidente estivesse interessado em esclarecer as denúncias de tortura ou em combater as práticas comuns de tortura, ele já teria dado acesso ao CICV e outras organizações."

O especialista Kurt Pelda denomina Assad um "mentiroso patológico, que está totalmente distante da realidade". Parte do exército sírio teria sofrido, de fato, ataques com armas químicas, mas isso ocorreu por acidente: foi quando aviões sírios jogaram sem querer armas químicas sobre próprias tropas. Os maiores ataques contra a população civil foram cometidos pelo próprio regime, acrescenta Pelda. Helicópteros teriam jogado bombas com gás de cloro, como mostraram as acuradas e serias investigações da ONU.

Assad não é tão querido pelo próprio povo como sempre declara. "Ele só está no poder, pois é brutal", considera o especialista no Oriente Médio, que durante a guerra já esteve em várias ocasiões nas linhas das tropas rebeldes.
 

swissinfo.ch e SRF

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