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Guerra na Síria Berna negocia com Damasco pela ação humanitária

, Genève


Em 11 de fevereiro último, esses habitantes de Homs esperavam para ser evacuados da cidade sitiada.

Em 11 de fevereiro último, esses habitantes de Homs esperavam para ser evacuados da cidade sitiada.

(AFP)

Enquanto a segunda rodada das negociações de Genebra terminaram sem resultados aparentes, a Suíça negocia com Damasco um documento permitindo maior liberdade de ação das organizações humanitárias frente ao Crescente Vermelho sírio. swissinfo.ch entrevistou o negociador suíço Manuel Bessler.

swissinfo.ch : De que maneira a Suíça está engajada para facilitar o acesso humanitário na Síria?

Manuel Bessler : A Suíça trabalha em vários eixos. Temos atividades no terreno com nossos parceiros: Cruz Vermelha Internacional (CICR), Alto Comissariado para os Refugiados (HCR), Programa Alimentar Mundial (PAN), Ongs internacionais e ongs sírias.

Fornecemos ainda nossos especialistas do Corpo Suíço de Ajuda Humanitária e organizações como o HCR; o terceiro eixo são os projetos que a Suíça implanta na região, como na Jordânia e no Líbano.

A diplomacia humanitário é o quarto eixo de nossa atuação. Em Teerã, tivemos discussões pragmáticas acerca das condições do trabalho humanitário, seja em termos de segurança, de acesso, de mobilidade na Síria, de vistos ou de material de rádio para que as equipes humanitárias possam se comunicar. Nossa intenção era discutir questões que somente Damasco pode melhorar.

O engajamento da Suíça

Desde o início da crise em março de 2011, a DDC, agência suíça de desenvolvimento e cooperação, liberou um total de 85 milhões de francos suíços em ajuda às populações afetadas.

Com essa contribuição, a DDC apoia o CICR, as agências da ONU (OCHA, HCR, PAM, FAO, UNICEF et UNRWA), ongs internacionais e ongs sírias.

A Suíça trabalha para que uma solução política para a crise síria. Ela apoia a missão política do enviado especial conjunto da Liga Árabe e da ONU.

Na Assembleia Geral do Conselho dos Direitos Humanos da ONU em Genebra, a Suíça pediu várias vezes que o Conselho de Segurança da ONU denuncie a situação síria à Corte Penal Internacional (CPI) para que os autores de crimes de guerra e crimes contra a humanidade – de qualquer lado – não ficam impunes.

A Suíça apoia a Comissão de Inquérito do Conselho dos Direitos Humanos. Ela defende a prorrogação do mandato dessa comissão, da qual faz parte a antiga procuradora-geral do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, Carla Del Ponte.

 

Fonte: DDC

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Delegado para a ajuda humanitária e chefe do Corpo Suíço de Ajuda Humanitária (CSA), Manuel Bessler esteve há pouco em Teerã para um encontro com ministros das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amir-Abdollahian, e da Síria, Houssameddine Ala. O objetivo é alterar as regras de intervenção da ajuda humanitária impostas pelo regime sírio através do Crescente Vermelho Sírio. Damasco deve responder brevemente às propostas suíças.

swissinfo .ch : Qual é a atitude de Damasco?

M.B. : Houve compromissos, mesmo se eles ainda devem ser confirmados.

Os humanitários devem assinar um protocolo de acordo como o Crescente Vermelho Sírio, que contém cláusulas restritivas. Em Berna, redigimos nossos comentários desse documento para melhorar as regras impostas aos humanitários.

Vamos agora discutir nossas observações com Damasco.

swissinfo.ch : Essas observações têm chance de ser aceitas por Damasco?

M.B. : Espero sinceramente que Damasco levará nossos comentários em consideração. Por exemplo, É essencial permitir aos humanitários de fazer suas próprias avaliações na Síria. Isso não é possível atualmente.

Um outro ponto aborda a questão do engajamento de empregados locais sem ter de passar pelo Crescente Vermelho Sírio.

Não pedimos o impossível, mas melhorias concretas para a ação humanitária na Síria. E devemos falar com todos que têm uma influência no terreno.

swissinfo.ch : O humanitário é refém das negociações políticas que ocorrem em Genebra e em Nova York?

M.B. : Para nós, é importante diferenciar as discussões humanitárias das políticas. O humanitário não é refém das negociações políticas, pois podemos trabalhar no terreno. O Programa Alimentar Mundial (PAM) pode prestar socorro a 4 milhões de pessoas na Síria. O CICR pode ir à Síria, as ongs também, apesar das imensas dificuldades.

Resta que as necessidades são enormes e não é possível atender a todas. Certas regiões são muito difíceis de acesso. Não se pode, por exemplo, ir regularmente a Alep ou a certos bairros de Damasco. É por isso que utilizamos todos os canais à disposição para chegar ao maior número possível de pessoas.

swissinfo.ch : Qual é sua avaliação das necessidades humanitárias no terreno?

M.B. : Mais de 11 milhões de sírios precisam todo dia de ajuda humanitária, entre eles 2,3 milhões de refugiados nos países limítrofes. Dos 9 milhões que estão na Siria, 6,2 milhões são descolados internos, civis que perderam tudo. Portanto, eles são muito vulneráveis.

Cerca de 250 mil pessoas estão cercadas por combatentes como em Alep ou Damasco. Depois de longas discussões diplomáticas em Genebra, pessoas cercadas em Homs puderam sair. É uma ponta de esperança.


Adaptação; Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch


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