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Revista de imprensa


Eleitor suíço quer abandonar o átomo, mas sem pressa




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A rejeição nas urnas da iniciativa do Partido Verde, que pedia o abandono da energia nuclear, não foi simplesmente um voto a favor do átomo. É o que analisa a maior parte da imprensa suíça na segunda-feira. O eleitor prefere confiar nas autoridades e seu plano de uma transição energética planejada e ordenada. 

Malgré le vote de dimanche, il est désormais largement admis qu'aucune nouvelle centrale nucléaire ne sera construite en Suisse.  (Ex-press)

Malgré le vote de dimanche, il est désormais largement admis qu'aucune nouvelle centrale nucléaire ne sera construite en Suisse. 

(Ex-press)

"Os defensores do abandono pragmático da energia nuclear ganharam", escreveu o Tages-Anzeiger no dia seguinte ao plebiscito que terminou com a rejeição (por 54% dos votos) de uma iniciativa do Partido Verde. Ela propunha a interdição de construção de novas centrais nucleares e limitação do funcionamento das atuais para 45 anos.

Com a estratégia energetica aprovada em outono pelo Parlamento federal, a Suíça já dispõe de um plano de um futuro sem centrais nucleares até 2040, lembra o jornal de Zurique. "Ela deixa assim mais tempo para desenvolver as energias renováveis e garantir o fornecimento de eletricidade em um sistema descentralizado. Essa abordagem cria também uma segurança jurídica, pois o desmantelamento das centrais poderá ocorrer de forma progressiva em comum acordo com as empresas mantenedoras, impedindo dessa forma os pedidos de indenização que podem chegar a vários bilhões de francos".

O Neue Zürcher Zeitung (NZZ) insiste, por sua vez, no voto de confiança determinado nas urnas no domingo. "Claramente os eleitores continuam a confiar na tecnologia nuclear e em seus operadores, mesmo tendo as centrais nucleares uma idade de uso considerável. Eles também mostraram confiança nas autoridades, estimando que estar controlam a segurança apesar da pressão econômica que pesa sobre os operadores. O povo mostrou também confiar no governo federal e no Parlamento, que prometeram uma retirada ordenada da energia nuclear como previsto no programa estratégico de energia 2050".

Vitória de Doris Leuthard

O Corriere del Ticino lembra que os eleitores suíços confirmaram no domingo pela quinta vez o seu apoio às centrais atômicas em um plebiscito. "O átomo é uma fonte de energia na qual eles ainda confiam e consideram pelo momento como indispensável, mesmo apesar do acidente de Fukushima e da idade avançada de algumas centrais".

Ainda assim, o estado de espírito no qual decorreu essa votação foi bastante diferente dos plebiscitos anteriores relacionados à energia nuclear, como estima o jornal Südostschweiz. "Hoje já todos aceitam, inclusive os partidários dos partidos liberais e de direita, que mais nenhuma central nuclear será construída no país".

Uma maioria dos eleitores é favorável ao fim da energia nuclear, "mas não no ritmo que a iniciativa gostaria de impor e com todas as incertezas que surgiram", estima do seu lado o Aargauer Zeitung. O Südostschweiz concorda e acrescenta que é possível ser contra a energia nuclear e, ao mesmo tempo, rejeitar uma saída forçada do átomo. "Não é uma contradição em termos de política energética, mas sim a linha oficial".

É a linha oficial defendida por Doris Leuthard, a ministra suíça encarregada da pasta de Energia. Ela saiu fortalecida desse combate, como estimam a grande maioria dos editorialistas da imprensa helvética na segunda-feira. "Com o seu projeto Estratégia Energética 2050, aprovada pelo Congresso federal, ela avança na desativação gradual das centrais nucleares", escreve também o jornal francófono Le Temps.

O Blick concorda: "O 'não' dado à iniciativa do Partido Verde pela saída do nuclear é um 'sim' à estratégia energética do governo federal", escreve o jornal, considerando que Doris Leuthard teve uma vitória pessoal no domingo de votação.

Críticas à direita

Na Suíça francófona, região do país que votou contra a tendência do resto do país ao aprovar a inciativa do Partido Verde, os editorialistas se mostram mais críticos do que os da parte germanófona. "O medo de 'depender das importações', os prazos impostos pela iniciativa e os riscos para o mercado de trabalho pesaram fortemente", critica o jornal Tribune de Genève, que se interroga: "Após o não de ontem, estamos então condenados às gambiarras atômicas, rezando para que as nossas velhas centrais aguentem o tranco e nos evitem um segundo Fukushima?"

"Essa postergação para as calendas gregas de um problema fundamental para a Suíça é um dos pontos mais inquietantes", denuncia o Le Matin. Para o jornal editado em Lausanne, isso chega a revelar "uma forma de irresponsabilidade de homens e mulheres políticas sobre essa questão, pois cedem aos lucros de curto prazo e interesses setoriais".

Quanto ao Courrier, ele adverte que o setor nuclear, por mais ultrapassado que esteja, não se deixará enterrar sem mais, nem menos. "É provável que uma parte do empresariado tente ganhar tempo ao esperar uma ressurreição do átomo em nível internacional", ressalta o jornal de esquerda editado em Genebra.

A atenção está agora voltada à direita conservadora. Ela lançou um referendo para combater a Estratégia Energética 2050 do governo federal. "O Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão), que continua a acreditar na energia nuclear, denuncia os custos da transição energética. De fato, este não será gratuito. Mas não é possível desenvolver energias renováveis sem medidas que são forçosamente custosas. Mas com seriedade: qual é a alternativa? As mudanças climáticas impõem a passagem para energias limpas. É preciso investir no futuro ao invés de procurar preservar uma tecnologia do passado", concluiu o Liberté, de Friburgo. 


Adaptação: Alexander Thoele

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