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Presidência da OSCE Ministro suíço recebe elogios após ano tumultuoso

A crise na Ucrânia marcou o ano da presidência suíça da OSCE. Peritos suíços e políticos, tanto de esquerda e direita, concordam que o papel de mediação da Suíça ajudou a organização de segurança a recuperar sua estatura.



Didier Burkhalter, no comando da OSCE em 2014, foi felicitado por seu engajamento e capacidade de mediação na arena da diplomacia.

Didier Burkhalter, no comando da OSCE em 2014, foi felicitado por seu engajamento e capacidade de mediação na arena da diplomacia.

(Keystone)

"A Suíça ocupou uma posição privilegiada à frente dos esforços contra a escalada do conflito geoestratégico na Ucrânia", explicou Christian Nünlist, do Centro de Estudos de Segurança do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH).

Para Nünlist, a mediação entre a Ucrânia e a Rússia colocou a OSCE "de volta no mapa", depois de ter perdido importância como plataforma de diálogo leste-oeste após o fim da Guerra Fria, em 1989. "O presidente dos EUA, Barack Obama, e a chanceler alemã Angela Merkel estão agora mais conscientes do papel da organização", diz.

Na verdade, a criação da missão de observadores para a Ucrânia foi vista como uma grande conquista da OSCE durante a presidência suíça, conduzida pelo ministro das Relações Exteriores Didier Burkhalter, apesar da oposição inicial de Moscou. A ação representa uma das maiores tarefas da história da organização e a primeira em mais de uma década.

Para os especialistas e políticos, conseguir um consenso na OSCE não é tarefa fácil, já que a instituição é muitas vezes considerada como um órgão burocrático e ineficiente, com um complexo mecanismo de tomada decisão.

"É sem dúvida uma das maiores conquistas do presidente suíço em exercício da OSCE, em estreita cooperação com a Alemanha", diz Nünlist.

Para o especialista, Burkhalter foi fundamental para garantir o sinal verde do presidente russo, Vladimir Putin, para a missão especial de observação da OSCE na Ucrânia.

Ainda restam dúvidas sobre o sucesso da missão e a manutenção da trégua de setembro entre a Ucrânia e os territórios separatistas no leste do país. Mas a Suíça não é culpada disso, de acordo com Nünlist: "Pelo contrário, Burkhalter conseguiu manter abertos os canais de comunicação com Moscou".

Para a deputada federal Margret Kiener Nellen esses esforços de paz, principalmente um armistício, precisariam de um longo tempo para se tornar plenamente eficazes.

Sanções

Por sua vez, o deputado federal Andreas Aebi diz que as críticas feitas à missão da OSCE fazem parte de uma guerra de propaganda.

"A situação não pode ser muito grave, já que as críticas vieram de várias partes - Rússia, Ucrânia e Estados Unidos", diz Aebi, especialista em política externa do Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão).

A corda bamba na qual a Suíça anda com Moscou depois que ocidente começou a impor sanções econômicas contra a Rússia é considerada uma jogada inteligente por Kiener Nellen.

Mas os parlamentares suíços não chegam a um acordo se a estrita imparcialidade da presidência da OSCE é necessária como justificação adicional para a posição do governo suíço, que anunciou que não iria seguir Bruxelas, mas fazer esforços para assegurar que as sanções não fossem ignoradas na Suíça.

Agenda

Para a presidência da OSCE, a Suíça havia definido suas prioridades nos Balcãs e nas regiões do Cáucaso, particularmente na Geórgia e Armênia/Azerbaijão, bem como em reformas dentro da OSCE.

Reunião ministerial em Basileia

Os ministros das Relações Exteriores dos 57 países membros da OSCE, incluindo os EUA, Rússia e Alemanha, e 11 países parceiros devem se reunir em Basileia, na Suíça, no final desta semana.

O encontro de dois dias marca o fim dos 12 meses da presidência suíça da maior organização de segurança do mundo.

Cerca de 1200 delegados discutirão uma série de questões da atualidade, bem como as reformas internas.

A Sérvia vai assumir o comando da OSCE em 2015, com a Suíça e a Alemanha como copresidentes.

É a segunda vez, desde 1996, que um suíço ocupa a presidência rotativa da organização, que foi criada em 1973 como plataforma de diálogo entre o mundo ocidental e o bloco comunista no período da Guerra Fria.

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Essas prioridades acabaram sofrendo um revés por causa da crise na Ucrânia, com a anexação russa da península da Crimeia e o conflito com os separatistas no leste do país, na fronteira com a Rússia.

Nünlist afirma que a Suíça ainda conseguiu colocar algumas questões importantes na agenda internacional, porque o prazo legal de 12 meses no comando da OSCE foi cuidadosamente preparado e habilmente conduzido.

"O Ministério das Relações Exteriores escolheu temas muito atuais e relevantes, tais como a ameaça do retorno dos combatentes jihadistas ocidentais, o problema dos sequestros em troca de resgate, a prevenção da tortura e a gestão de catástrofes".

Na mesma linha, a Anistia Internacional está satisfeita com o compromisso sustentável de Burkhalter como presidente em exercício da OSCE.

"Estamos profundamente impressionados com sua luta pelos direitos humanos e a abolição da pena de morte em todo o mundo", diz a porta-voz Alexandra Karle.

O que resta?

Para o especialista em segurança Nünlist, as presidências suíças da OSCE, em 1996 e 2014, tiveram sucesso graças à preparação cuidadosa e os recursos disponibilizados pelo Ministério das Relações Exteriores suíço.

"Os dois anos foram marcados por acontecimentos inesperados - a implementação do acordo de paz de Daitona na Bósnia-Herzegovina, em 1996, e a crise na Ucrânia neste ano. No entanto Suíça foi capaz de mostrar que consegue gerenciar tais situações difíceis".

E o papel da Burkhalter como presidente, e o que isso significou para a Suíça, foi aplaudido pelos parlamentares, independentemente de suas inclinações política.

"Ele se mostrou muito empenhado e credível no seu papel e estava visivelmente à vontade", diz Kiener Nellen, que faz parte dos seis membros da delegação parlamentar na OSCE.

"Foi como ganhar na loteria", acrescenta Aebi, porta-voz da delegação.

Oportunidade de ouro

Referindo-se especificamente à crise na Ucrânia, Aebi vê uma oportunidade de ouro para um país neutro como a Suíça, com uma reputação de mediador independente, não sendo membro nem da União Europeia, nem da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"Ele tem feito um excelente trabalho, trabalhando discretamente nos bastidores", acrescenta Luzi Stamm, outro deputado federal e crítico ferrenho da UE.

Porém, Martin Naef, corresponsável de um grupo de pressão pró-europeu, aponta os elogios do estrangeiro, principalmente da Alemanha, onde figuras importantes do governo alemão só teceram elogios para a presidência suíça da OSCE.

Rendimento político

Há um consenso geral entre os políticos que a Suíça conseguiu se beneficiar de sua posição no comando da OSCE para impulsionar as relações bilaterais com outros países, incluindo a Rússia e Sérvia, reafirmando o seu papel de mediador imparcial e oferecendo seus bons serviços para todos os lados.

Enquanto Aebi espera que a cadeira da Suíça na OSCE ajude na compreensão das negociações do acordo sobre a livre circulação de pessoas com a UE, Kiener Nellen vê vantagens para além da esfera política. "É provável que seja benéfico também para as empresas suíças", diz.

No início do ano, o Ministério das Relações Exteriores suíço disse que a cadeira seria uma grande oportunidade para que os jovens diplomatas ganhassem uma valiosa experiência internacional como facilitadores.

Para Stamm, a verba especial aprovada pelo Parlamento para a presidência da OSCE foi bem gasta, "considerando os bilhões de francos desperdiçados em outro lugar".

De acordo com Kiener Nellen, uma apreciação final das realizações da Suíça só pode ser feita no final do próximo ano. "A presidência suíça colocou em movimento uma série de projetos para a Sérvia que devem prosseguir em 2015", conta.

Consagração no exterior

Burkhalter foi felicitado pelo seu desempenho como presidente da OSCE por vários representantes estrangeiros, entre eles os ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, assim como o ex-chanceler Gerhard Schröder, para quem, a visita a Moscou e o encontro com o presidente russo mostram que as negociações diretas podem fazer a diferença.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também saudou calorosamente o engajamento de Burkhalter no comando da OSCE. Durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, em setembro, Ban Ki-moon ressaltou o papel central do presidente suíço em garantir um cessar-fogo na Ucrânia.

Em seu discurso ao conselho permanente da OSCE em Viena, no início de novembro, O secretário-geral da ONU acrescentou: "As Nações Unidas contam com a OSCE para ajudar a conduzir essa vasta região para uma maior segurança e cooperação que, por sua vez, vai ajudar a trazer para nosso mundo mais paz, desenvolvimento e respeito dos direitos humanos. Como corpo com uma grande adesão, um mandato amplo, e uma cultura baseada no consenso, a OSCE está bem posicionada para manter um diálogo construtivo que pode levar a soluções sustentáveis".

O embaixador dos EUA na OSCE em Viena, Daniel Baer, enviou um tweet em meados de novembro, que não deixa dúvidas sobre sua opinião sobre Burkhalter. "CiO Presidente Burkhalter sobre a luta contra o antissemitismo - ação orientada, clara, contundente. Bravo".

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Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch

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