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Qualidade


Família suíça produz o melhor azeite do mundo em Portugal


Por Luís Guita, Lisboa


A procura por uma “vida diferente” fez com que saissem da Suíça em direcção a Portugal. Agora, no Alentejo, Andreas Bernhard e família, juntam o “gosto pela vida no campo” com o realizar de “um sonho, o fazer algo na agricultura”.

É no interior do Baixo-Alentejo, no Monte Novo de Fonte Corcho, perto da cidade de Serpa, que trabalham um olival de onde extraem aquele que já foi reconhecido mundialmente como o melhor dos azeites biológicos.

Numa propriedade com 130 hectares, o clã Bernhard faz questão de seguir as normas biológicas em todo o cultivo e aposta intensamente num produto de grande qualidade. Desde 2008 que a marca Risca Grande está presente nas mais importantes feiras e concursos mundiais de produtos biológicos e está entre os eleitos pelos especialistas.  O mais recente prémio do azeite biológico alentejano Risca Grande virgem extra foi o Best of Bio-Olive Oil 2013.

Depois  de morarem no Algarve, de onde sairam quando sentiram que a densidade de construção lhes estava a roubar a qualidade de vida que ai tinham procurado, os Bernhard, que tinham vindo da região Zurique, instalam-se no Alentejo quando se deixam seduzir por uma propriedade, então com 80 hectares, com olival, longe de tudo. Andreas lembra que “no início a mudança foi muito grande”. Tal como pioneiros em território virgem, abriram estrada, construiram casa, instalaram água e electricidade, e iniciaram-se na produção de azeite.

A actividade “começou num alpendre pequeno com uma maquinita que tinha sido adquirida em Itália”. Entre risos, Andreas recorda  que na sua primeira colheita, há 13 anos, conseguiu produzir 80 litros de azeite. Por isso, os 35 mil litros de azeite que a Risca Grande produziu com a mais recente colheita são motivo de orgulho deste suíço que fala o português com à vontade.

Crescer com qualidade

Nos últimos anos a empresa cresceu a um ritmo de 30% ao ano, em produção e volume de vendas. Direccionados para a exportação, o mercado suíço é o principal cliente e absorve entre 30 e 40% da produção. “Depois vem a Alemanha, Suécia e Japão. Mas também vendemos para a Holanda e Estados Unidos,” revela Andreas, que acrescenta: “O nosso grande problema é conseguir aumentar a produção e a qualidade, isto mantendo as caracteristicas que procurámos para o nosso azeite.”

Brasil e Cingapura são, para já, dois mercados onde é expectável que a oferta de azeite Risca Grande venha a crescer. “De vez em quando temos procura do  Brasil. Recentemente tivemos procura de Cingapura.”

Sempre com o objectivo de conseguir a satisfação do cliente através de um produto de pureza máxima, nada é deixado ao acaso. Por isso mesmo, Andreas explica, com o prazer de quem vive intensamente o trabalho de um produtor de azeite gourmet, que o sabor basílico, limão e tangerina, que se encontra na gama Risca Grande, tem um truque: “O truque é que o sabor não é artificial. O sabor é dos nossos limões, tangerinas e basílico. As pessoas querem saber se tú és capaz de produzir tudo isso. Para nós, de certa forma, dá muito trabalho, mas compensa.”

Para alcançar o tão desejado reconhecimento de qualidade, vários são os caminhos percorridos: A apanha da azeitona é feita mais cedo, ainda na árvore, de forma a conseguir um azeite com mais nuances, mais verde, mais vivo, mais picante, mais amargo. De entre as várias parcelas de terreno, são descortinadas as caracteristicas que cada parcela de terreno oferece ao fruto, como melhor tirar proveito das mesmas, fazendo com que determinada azeitona seja utilizada com um objectivo especifico. Em termos de tecnologia, um lagar novo, onde até memso as bombas e tapetes são de inox, permite a produção de azeite isento de ftalatos. O que leva Andreas a afirmar que “haverá sempre coisas novas em relação às quais é preciso dar resposta.  Sendo o investimento e a evolução uma constante.”

Água como garante de sucesso a longo prazo

Apesar do sucesso alcançado, Andreas Bernhard está ciente que “a concorrência é brutal”, mas continua  a haver margem de progressão e, por isso, “é preciso trabalhar mais.” Mesmo sabendo que “o azeite português não é muito conhecido no mundo”, porque “o marketing do país, Portugal, não existe,” vê-se que “quando produzes com alta qualidade, também podes ter sucesso neste mercado.”

Quando questionado sobre qual  o desejo que gostaria de ver realizado em 2013, o patriarca dos Bernhard é categórico: “O nosso grande sonho era ter água – da barragem - de  Alqueva”. Água que pode permitir o plantio de mais 18 hectares e trazer mais segurança a quem está tão dependente das condições climatéricas. “Este ano, como não choveu, foi muito dificil. Foi um ano de seca e por isso tivemos uma quebra. Se tivermos água de Alqueva, temos mais uma margem para assegurar a nossa colheita.”

Como a crise que afecta Portugal obrigou a que fossem cancelados os investimentos que permitiriam à Risca Grande ter água de Alqueva, Andreas já pensa, com a ajuda de vizinhos, em realizar a obra que era responsabilidade do Estado e assim conseguir  que o precioso líquido chegue aos agricultores da região.

“O nosso pensamento é a longo prazo. Os filhos, que já trabalham conosco, também querem ficar aqui. Temos de pensar a 10 ou 20 anos.” Com o desafio de manter a qualidade, “queremos duplicar a produção e a facturação. Mas isso só vamos conseguir com a água de Alqueva.”

swissinfo.ch

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