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Defesa Civil resgata crianças após ataque em bairro de Aleppo. 2/6/2014. REUTERS/Sultan Kitaz

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Por Tom Perry e Ellen Francis

BEIRUTE (Reuters) - Aviões de guerra realizaram os ataques aéreos mais intensos em meses contra bairros da cidade síria de Aleppo dominados por rebeldes de quarta para quinta-feira, e a Rússia e o governo da Síria desprezaram um apelo dos Estados Unidos para que suspendessem seus voos, enterrando qualquer esperança de uma retomada do cessar-fogo no país.

Autoridades rebeldes e socorristas disseram que bombas incendiárias foram algumas das armas que caíram dos céus sobre a cidade. Hamza al-Khatib, diretor de um hospital no leste tomado pelos rebeldes, disse à Reuters que o saldo de mortes foi de 45 pessoas.

"É como se os aviões estivessem tentando compensar todos os dias em que não lançaram bombas" durante o cessar-fogo, disse Ammar al-Selmo, chefe do serviço de resgate da defesa civil no leste de Aleppo, à Reuters.

O ataque, realizado por aeronaves do governo sírio, de seus aliados russos ou de ambos, deixou claro que Moscou e Damasco rejeitaram um apelo do secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, para deixar seus aviões no solo de forma a permitir o envio de ajuda humanitária e a manutenção da trégua.

Em um confronto televisivo anormalmente acalorado com o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, na Organização das Nações Unidas (ONU) na quarta-feira, Kerry afirmou que interromper o bombardeio era a última chance de encontrar um caminho "para fora da carnificina".

Enquanto isso, o presidente sírio, Bashar al-Assad, indicou que não vislumbra um final rápido para a guerra, dizendo à agência de notícias Associated Press que ela irá "se arrastar" enquanto for parte de um conflito global no qual terroristas são apoiados por Arábia Saudita, Catar, Turquia e os EUA.

Moscou e Washington anunciaram o cessar-fogo com grande fanfarra, mas o acordo, provavelmente a última esperança de se obter algum progresso na Síria antes de o presidente norte-americano, Barack Obama, deixar o cargo no ano que vem, parece ter tido o mesmo destino de todos os esforços de pacificação anteriores em uma guerra que já matou centenas de milhares de sírios e deixou metade da nação desabrigada.

A trégua desmoronou na segunda-feira com um ataque a um comboio de ajuda humanitária que os EUA atribuíram a aviões de guerra da Rússia, que negou envolvimento. Antes disso, as tensões entre Washington e Moscou já haviam se intensificado devido a um ataque aéreo mortífero contra tropas do governo sírio realizada pela coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico.

Washington afirma ter alvejado forças sírias por engano em 17 de setembro, mas Assad disse em uma entrevista que acredita que os ataques foram deliberados.

"Foram os ataques aéreos mais pesados em meses dentro da cidade de Aleppo", disse Rami Abdulrahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

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