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CAIRO (Reuters) - Pedir açúcar emprestado a um vizinho quase nunca foi tão difícil no Egito.

Em supermercados do país, o açúcar tem desaparecido das prateleiras, o que levou a imprensa local a falar em uma crise de abastecimento, pressionando o governo a elevar rapidamente as importações mesmo em meio a uma escassez de dólares e a preços globais do adoçante em alta.

O Egito consome cerca de 3 milhões de toneladas de açúcar anualmente, mas produz apenas 2 milhões de toneladas. A diferença é coberta com importações, geralmente entre julho e outubro, quando a oferta local de beterraba e cana para produção de açúcar cai.

Mas operadores do mercado dizem que os elevados preços no mercado internacional do adoçante, que subiram 50 por cento ao longo do último ano, junto a um crescente mercado negro para o dólar, tornaram a busca por açúcar muito cara e arriscada para importadores nos últimos meses.

Os importadores não têm alternativas que não o mercado negro para comprar dólares, uma vez que os bancos têm racionado a baixa oferta da moeda. Eles pagam 15 libras egípcias ou mais por dólar, contra uma taxa de câmbio oficial de 8,8. Com essas cotações, cada vez mais operadores têm dito que não podem mais comprar.

Na ausência de um fluxo estável de importações, a oferta de açúcar secou, disseram à Reuters donos de lojas, operadores do mercado de commodities e fabricantes de produtos que levam açúcar.

"Faz quatro semanas que tivemos algum açúcar em nossas prateleiras pela última vez", disse o gerente do Metro Market, uma das maiores redes de supermercados do Egito, Aly Ibrahim Aly.

O Ministério do Suprimento do país disse na última semana que o Egito possui estoques suficientes para cobrir a demanda por quatro meses.

(Por Eric Knecht e Arwa Gaballa; reportagem adicional de Maha El Dahan em Abu Dhabi)

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