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Donald Trump faz campanha em San Jose, na Califórnia. 2/6/2016. REUTERS/Lucy Nicholson

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Por Richard Cowan e Steve Holland

WASHINGTON (Reuters) - Cedendo a pressões de partidários republicanos, Donald Trump disse nesta terça-feira que não falaria mais sobre um juiz mexicano-americano, depois que o presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, chamou a crítica do candidato presidencial ao jurista de racismo de manual.

No entanto, Trump recusou os apelos de líderes do partido para se distanciar da sua acusação de que o juiz Gonzalo Curiel estava sendo parcial por causa das suas origens mexicanas e deveria se retirar de um processo sobre fraude envolvendo a já extinta Universidade Trump.

Num longo comunicado, Trump afirmou que os seus comentários anteriores sobre Curiel haviam sido mal interpretados.

"Eu não acho que as origens de uma pessoa a torna incapaz de ser imparcial, mas, com base nas decisões que tenho tido no caso civil da Universidade Trump, eu acho justificado questionar se eu estou tendo um julgamento justo”, disse o escolhido em potencial para ser o candidato republicano a presidente.

Ele acrescentou: “Esse processo deveria ter sido rejeitado, mas ele está agora programado para julgamento em novembro. Eu não pretendo mais comentar sobre esse assunto”.

Trump tomou a iniciativa depois que Ryan, o republicano eleito com o principal posto no país, atacou os seus comentários, que ameaçavam atrapalhar os já difíceis esforços republicanos para unir o partido em torno do candidato.

"Eu lamento aqueles comentários que ele fez. Alegar que uma pessoa não pode realizar o seu trabalho por causa da sua raça é tipo a definição de manual de um comentário racista. Eu acho que isso deve ser absolutamente repudiado”, disse Ryan à imprensa.

No entanto, ele, que endossou Trump na semana passada depois de dúvidas iniciais, disse que ainda apoiava a candidatura, afirmando que Trump é melhor opção que Hillary Clinton, a provável candidata a ser escolhida pelos democratas.

Nos bastidores, Trump foi pressionado por amigos e familiares para recuar, temerosos dos danos que isso poderia acarretar para as suas chances nas eleições de 8 de novembro, disse uma fonte próxima à campanha.

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