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Maduro concede entrevista ao chegar em Havana. 22/6/2016. REUTERS/Enrique de la Osa

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Por Lesley Wroughton

WASHINGTON (Reuters) - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse nesta quinta-feira que o governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, é diretamente culpado pela crise que assola o país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Discursando ao conselho permanente de 34 nações da OEA, Almagro sustentou que o governo do líder socialista violou princípios democráticos básicos por causa da maneira como está lidando com a crise política e econômica.

Almagro, ex-ministro das Relações Exteriores do Uruguai, pretende invocar a carta democrática da entidade que comanda, o que poderia levar à suspensão da Venezuela da OEA.

Apesar da pressão da Venezuela e de aliados como Equador e Bolívia para interromper os procedimentos, Almagro obteve o apoio da maioria dos Estados filiados à organização para abordar o tema durante uma votação no início da reunião desta quinta-feira.

A reunião ocorre no mesmo momento em que os Estados Unidos iniciam conversas com o governo de Maduro para amenizar as tensões entre Washington e Caracas, mas também para pressionar por uma mediação internacional entre o governo e a oposição.

Almagro afirmou que a crise venezuelana chegou a um ponto de ruptura.

"Estes desafios não podem ser atribuídos a forças externas", disse Almagro. "A situação que a Venezuela enfrenta hoje é o resultado direto das ações daqueles atualmente no poder".

"Peço a vocês que levem em conta as vidas, a saúde e o comprometimento do povo da Venezuela", acrescentou.

Ele exortou os países-membros a tratar da crise humanitária "inédita e desnecessária" da Venezuela, da prisão de figuras da oposição e dos relatos de tortura.

Almagro disse que o referendo revogatório solicitado pelos opositores venezuelanos para abreviar o mandato de Maduro deveria ser apoiado e que a Venezuela enfrenta níveis altos e jamais vistos de pobreza e crimes violentos, apesar de ser uma das nações mais ricas da região.

A ministra venezuelana das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, se dirigiu ao conselho e acusou Almagro de orquestrar uma tentativa de golpe contra seu país.

"Isto é um golpe que está sendo realizado nesta organização para usurpar o governo legítimo do presidente Nicolás Maduro", disse ela. "Quão longe iremos? Que precedente isto vai criar?".

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