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Policial e manifestantes vistos durante manifestação em Charlotte, Carolina do Norte; 21/09/2016 REUTERS/Jason Miczek

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Por Greg Lacour e Andy Sullivan

CHARLOTTE, Estados Unidos (Reuters) - Os moradores de Charlotte, no Estado norte-americano da Carolina do Norte, acordaram com um estado de emergência e com a Guarda Nacional e a Polícia Rodoviária Estadual em sua cidade nesta quinta-feira, na esteira da segunda noite de distúrbios desencadeados pela morte a tiros de um negro pela ação de um policial.

De acordo com a polícia, Keith Scott, de 43 anos, foi baleado e morto por policiais na terça-feira por se recusar a largar uma arma. Sua família e uma testemunha do incidente disseram que Scott estava segurando um livro, não uma arma de fogo.

Na quarta-feira, uma passeata pacífica em reação ao incidente se tornou violenta quando os manifestantes passaram a atirar pedras e garrafas no batalhão de choque da polícia, estraçalhar vidraças e portas e saquear lojas no centro de Charlotte. Os agentes usaram balas de borracha, gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e spray de pimenta para dispersar a multidão.

Um manifestante foi ferido gravemente por um tiro dado por um civil, e quatro policiais sofreram ferimentos sem gravidade, disseram autoridades municipais no Twitter.

Foi a segunda noite de tumultos na maior cidade da Carolina do Norte, onde vários manifestantes e 16 policiais ficaram feridos na noite de terça-feira. A confusão levou o governador do Estado, Pat McCrory, a declarar estado de emergência e convocar a Guarda Nacional e a Polícia Rodoviária Estadual para a localidade para ajudar a restaurar a paz.

"Nenhum ato de violência direcionado a nossos cidadãos ou policiais ou à destruição de propriedades deveria ser tolerada", disse McCrory em um comunicado.

A prefeita de Charlotte, Jennifer Roberts, está cogitando um toque de recolher, e o Bank of America instruiu seus funcionários a não irem trabalhar nos escritórios da parte superior da cidade, relatou a mídia local.

Também houve protestos em Tulsa, no Oklahoma, nos últimos dias exigindo a prisão de um policial flagrado em um vídeo da semana passada matando a tiros um negro desarmado cujas mãos estavam plenamente à vista na ocasião.

As mortes se somam a uma enxurrada de acusações de preconceito racial nas forças da lei dos Estados Unidos e a pedidos de maior responsabilização da polícia pelas mortes de negros. Um estudo do Centro de Equidade no Policiamento divulgado em julho mostrou que a polícia usa força contra negros em níveis mais de três vezes maiores do que em brancos.

(Reportagem adicional de Brendan O'Brien, em Milwaukee)

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