Reuters internacional

Candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump. 11/09/2016 REUTERS/Brendan McDermid

(reuters_tickers)

Por James Oliphant

COLUMBUS, Estados Unidos (Reuters) - A candidatura presidencial de Donald Trump despertou um questionamento angustiante em muitos republicanos de nível universitário e prósperos, que precisam decidir se o apoiam, não comparecem às urnas ou fazem o impensável: votam em sua adversária democrata Hillary Clinton.

A menos de dois meses para a eleição de 8 de novembro, o eleitorado branco, rural e sem diploma de terceiro grau cerrou as fileiras de Trump. Mas seu estilo agressivo e sua falta de experiência no governo o tornam muito menos palatável para republicanos bem de vida, que há muito tempo são a espinha dorsal do partido, de acordo com uma pesquisa de intenção de voto Reuters/Ipsos e entrevistas com profissionais liberais que simpatizam com os republicanos.

As esperanças de Trump de ocupar a Casa Branca podem depender da conquista de votos suficientes desse grupo em Estados indefinidos, como Ohio, Virginia e Colorado, que anulem as vantagens consideráveis de Hillary com as minorias, os jovens, as mulheres e os eleitores urbanos.

"Se dois anos atrás você tivesse me dito que eu iria votar em Hillary Clinton, eu teria dito 'impossível'", disse Michael Sheehan, principal executivo de uma empresa de vestuário de Columbus.

Agora Sheehan está pendendo para Hillary por temer que o bilionário prejudique as relações dos Estados Unidos no exterior.

A sondagem Reuters/Ipsos mostra que Hillary está se saindo melhor entre eleitores de nível universitário e ricos do que o presidente norte-americano, Barack Obama, quatro anos atrás, mesmo entre os republicanos. É um alerta para Trump, que vem sendo rejeitado por negros, latinos e cidadãos nascidos entre a década de 1980 e a virada do milênio.

Em 2012, quase nove de cada 10 republicanos com diploma de universidade e renda anual de mais de 100 mil dólares apoiaram o candidato de seu partido, Mitt Romney. Hoje, cerca de 7 em 10 endossam Trump.

Romney superou Obama entre os eleitores diplomados com uma vantagem de 4 pontos percentuais naquele ano, mas o levantamento Reuters/Ipsos revelou que no mês passado Hillary tinha uma dianteira de 48 a 28 por cento com o mesmo grupo.

A mesma diferença está sendo vista em Estados-pêndulo cruciais. Em Ohio, Hillary tem uma vantagem de 47 a 36 por cento entre os detentores de diploma universitário, de acordo com uma pesquisa da Universidade Monmouth feita em agosto.

Ohio, que tem 18 votos no Colégio Eleitoral, é essencial para o magnata, que fez uma campanha intensa ali, mas no centro do Estado, que é populoso e eminentemente suburbano, Trump tem uma tarefa mais difícil do que nos condados rurais que o cercam.

(Reportagem adicional de Chris Kahn e Grant Smith)

reuters_tickers

 Reuters internacional