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Provável candidata democrata à Presidência dos EUA, Hillary Clinton. 25/07/2016 REUTERS/Brian Snyder

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Por John Whitesides e Alana Wise

FILADÉLFIA (Reuters) - As profundas divisões do Partido Democrata ficaram claras no tumultuado primeiro dia da convenção da legenda, em que Bernie Sanders descreveu Hillary Clinton como uma companheira de guerra em sua luta por igualdade econômica sob vaias de seus apoiadores ante a mera menção ao nome da candidata. 

Em uma noite de segunda-feira projetada para mostrar unidade do partido, os apoiadores de Sanders repetidamente interromperam o andamento da convenção, gritando por ele e zombando dos apoiadores de Hillary.

Ao fim do dia, Sanders, a senadora liberal Elizabeth Warren e a primeira-dama Michelle Obama ofereceram apoio a Hillary, à medida que o partido tentava romper a discórdia e encontrar uma meta comum para derrotar o republicano Donald Trump.

“Por causa de suas ideias e sua liderança, Hillary Clinton deve se tornar a próxima presidente dos Estados Unidos”, disse Sanders. “Hillary Clinton será uma grande presidente e estou orgulhoso de estar aqui com ela nesta noite.”

Todo o furor na Filadélfia foi um revés para as esperanças dos democratas de que a convenção seria uma suave demonstração de unidade do partido, em contraste com a volátil campanha de Trump.

Foi também uma amarga lembrança da difícil batalha das primárias entre Sanders, senador do Estado de Vermont, de 74 anos, e Hillary, ex-secretária de Estado dos EUA, de 68 anos, a qual nesta semana se tornará a primeira mulher a ser nomeada como candidata a presidente por um grande partido político dos EUA.

Michelle Obama relacionou a histórica natureza da campanha de Hillary com o papel de seu próprio marido como o primeiro presidente negro dos EUA. 

“Eu acordo toda manhã em uma casa que foi construída por escravos, e eu vejo minhas filhas, duas lindas e inteligentes jovens negras, brincando com seus cachorros no jardim da Casa Branca”, disse Michelle. 

“E, por causa de Hillary Clinton, minhas filhas e todos os nossos filhos e filhas agora esquecem de apreciar que uma mulher pode ser presidente dos Estados Unidos.”

O tumulto começou antes da convenção ser aberta, à medida que Sanders atraiu vaias de seus próprios delegados ao pedir que eles apoiassem Hillary e se focassem em derrotar Trump nas eleições de 8 de novembro.

“Nós queremos Bernie!” gritaram com raiva, tanto pela vitória de Hillary na corrida pela nomeação do Partido Democrata quanto pelos emails vazados na sexta-feira que sugeriram que a liderança do partido havia tentado sabotar a campanha de Sanders.

“Irmãos e irmãs, este é um mundo real no qual vivemos”, disse ele, acrescentando: “Trump é um opressor e um demagogo.”

Membros da multidão gritaram de volta: “A Hillary também”, e “ela roubou a eleição!”. 

Trump aproveitou a desordem da abertura da convenção democrata e fez um pedido para que os eleitores de Sanders se voltassem para ele. 

“Tão triste ver Bernie Sanders abandonar sua revolução. Damos boas vindas a todos os eleitores que querem consertar nosso sistema viciado e trazer de nova nossos empregos”, disse Trump pelo Twitter.

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