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Erdogan faz discurso em Istambul. 17/10/2016. REUTERS/Murad Sezer

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Por Orhan Coskun e Nick Tattersall

ANCARA/ISTAMBUL (Reuters) - Ressentido por conta da exclusão de uma ofensiva liderada pelo Iraque contra o Estado Islâmico em Mosul e de ganhos da milícia curda na Síria, o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, alertou nesta quarta-feira que o país “não vai esperar que a espada esteja voltada contra nós”, podendo agir sozinho para erradicar inimigos.

Em um discurso em seu palácio, Erdogan conjurou a imagem de uma Turquia constrangida por poderes estrangeiros que “querem nos fazer esquecer nossa história otomana e Selcuk”, em uma alusão à época em que os antepassados do país tinham territórios ao longo da Ásia Central e do Oriente Médio.

“A partir de agora não esperaremos que os problemas batam às nossas portas, não esperaremos que a espada fique contra nossos ossos e peles, não esperaremos que organizações terroristas venham e nos ataquem”, disse a centenas de “muhtars”, administradores locais, em geral leais ao governo.

“Quem quer que apoie a organização terrorista divisionista, os erradicaremos”, disse, referindo-se a combatentes curdos do partido PKK. 

Os combatentes são autores de uma insurgência contra a Turquia que já dura três décadas e possuem bases no norte do Iraque e afiliados na Síria.

“Deixem que eles se movam para qualquer lugar até que nós os achemos e os destruamos. Estou dizendo muito claramente: eles não terão um único lugar para encontrar paz no exterior.”

Erdogan tem adotado um tom cada vez mais beligerante em seus discursos nos últimos dias, frustrado com o fato de a Turquia, membro da Otan, não estar mais envolvida no ataque apoiado pelos Estados Unidos em Mosul e enfurecida pelo apoio de Washington a combatentes curdos contra o Estado Islâmico na Síria.

Ele está se aproveitando de uma onda de patriotismo que emergiu quando uma tentativa de golpe falhou em tirá-lo do poder em julho. Sua mensagem por uma Turquia forte tem repercutido bem entre seus ardentes apoiadores.

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