Reuters internacional

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Um general congolês recrutou, financiou e armou elementos do grupo Ugandenses Islâmicos para matar civis, enquanto era responsável por uma operação militar que tinha rebeldes como alvo, de acordo com um relatório confidencial do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Um painel de especialistas da ONU que monitora sanções sobre a República Democrática do Congo disse que "tornou-se claro que oficiais da FARDC (exército congolês) estavam envolvidos no recrutamento e suprimento de grupos envolvidos nos assassinatos (de civis)".

Mais de 500 pessoas morreram em uma onda de ataques no leste do Congo desde outubro de 2014, disseram grupos de direitos humanos. O governo congolês colocou a culpa maioria desses ataques nas Forças Democráticas Aliadas (ADF).

O general-brigadeiro Muhindo Akili Mundos era responsável pela ofensiva contra a ADF - chamada de Sukola, ou "limpeza" na língua local Lingala - entre agosto de 2014 e junho de 2015.

"O Grupo sabe de oito indivíduos que foram abordados em 2014 pelo general Mundos para participar nos assassinatos", escreveram os especialistas no relatório, visto pela Reuters.

Três membros da ADF-Mwalika, um braço da ADF, disseram a especialistas que antes de as mortes começarem, Mundos persuadiu elementos do grupo deles a se juntar com outros recrutas.

"De acordo com eles, o general Mundos financiou e equipou esses grupos com armas, munição e uniformes da FARDC. Ele foi ao campo deles várias vezes, em algumas delas usando o uniforme da FARDC e em outras roupas civis", disseram os especialistas.

"Apesar de não ser claro se eles sabiam qual era o objetivo inicialmente, esses três elementos da ADF-Mwalika, foram eventualmente ordenados a matarem civis", disseram.

Mundos disse à Reuters neste sábado que as acusações contra ele são falsas e que o assassinato de civis continuou depois que ele deixou a operação.

O relatório da ONU também contém acusações de ligações entre outros oficiais do exército do Congo e a ADF.

O exército congolês e o governo congolês não responderam imediatamente aos pedidos por comentários, neste sábado.

Especialistas da ONU disseram que, enquanto o número de assassinatos diminuiu desde que Mundos foi transferido da operação Sukola, em junho de 2015, "a morte de civis continuou sendo realizada por elementos armados durante 2015 e no começo de 2016".

Em março, Jason Stearns, um ex-coordenador do painel de especialistas da ONU, que agora chefia o Grupo de Pesquisas do Congo, na Universidade de Nova York, acusou soldados congoleses de participaram de pelo menos três ataques letais contra civis. 

(Por Aaron Ross)

(Por Luciano Costa)

reuters_tickers

 Reuters internacional