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Por David Ingram

NOVA YORK (Reuters) - Três grupos de defesa de direitos lançaram nesta quarta-feira uma campanha para tentar convencer o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a perdoar o ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden das acusações de roubo e espionagem antes de o presidente deixar o cargo em janeiro.

A União Americana de Liberdades Civis (ACLU), a Anistia Internacional e a Human Rights Watch afirmaram que o momento é apropriado para reunir apoio em favor do perdão de Snowden, que vazou para jornalistas em 2013 documentos sobre programas secretos de vigilância, fugiu para Hong Kong e recebeu asilo na Rússia. A ACLU fornece representação legal para Snowden.

Falando nesta quarta-feira via vídeo, Snowden disse em entrevista à imprensa em Nova York que ele estava “confortável com as decisões que tomei”, mas que receber ou não o perdão presidencial não depende dele.

"Eu mesmo não peço um perdão e nunca pedirei”, declarou.

Snowden declarou que não teria um julgamento justo nos EUA porque a lei sob a qual ele foi acusado, o Ato de Espionagem de 1917, não o permite explicar a um júri as razões do vazamento.

"Essa lei da época da Primeira Guerra Mundial não diferencia entre os que livremente dão informações críticas a jornalistas pelo interesse público e espiões que as vendem a uma potência estrangeira para proveito próprio”, disse Snowden, que mora em Moscou.

Um perdão agora pode fazer sentido para Obama, disseram os grupos, porque ele pode estar buscando aprimorar o seu legado e pode ser capaz de agir com menos preocupações políticas. O democrata Obama vai deixar o cargo ao final do seu segundo mandato de quatro anos, em 20 de janeiro.

"Os presidentes normalmente tomam algumas das ações mais difíceis dos seus oito anos no cargo nos meses finais”, disse Anthony Romero, diretor-executivo da ACLU, à imprensa.

Snowden foi indiciado por promotores federais em 2013 por roubo de propriedade do governo, comunicação não autorizada de informação de defesa nacional e comunicação intencional de informações confidenciais de inteligência para pessoa não autorizada.

A campanha pelo perdão tem um site, www.pardonsnowden.org, pelo qual as pessoas podem escrever para a Casa Branca, e também foram publicados anúncios nos jornais Washington Post e Politico dizendo que Snowden expôs programas ilegais e provocou reformas.

A campanha coincide com o lançamento do filme "Snowden", dirigido por Oliver Stone. E também ocorre em um momento em que as autoridades norte-americanas estão investigando se hackers apoiados por agências de espionagem russas têm interferido na campanha presidencial norte-americana, roubando e divulgando documentos e e-mails para constranger principalmente a candidata democrata, Hillary Clinton.

Autoridades dos EUA têm dito que não vão recuar na exigência de que Snowden seja processado por roubar milhares de documentos confidenciais, cuja divulgação, segundo elas, prejudicou a segurança nacional.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse na segunda-feira que Snowden é acusado de “crimes graves, e que a política do governo é que Snowden volte aos EUA e enfrente essas acusações”.

O comitê de inteligência da Câmara dos Deputados tinha programado para a quinta-feira uma reunião fechada para votar um relatório sobre o histórico e as atividades de Snowden. A maior parte do relatório deve continuar sigilosa, mas uma autoridade do Congresso disse que a comissão também vai votar se divulga um resumo.

(Reportagem adicional de Mark Hosenball e Jill Serjeant)

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