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Bandeira britânica ao lado de bandeira da União Europeia em Bruxelas. 28/06/2016 REUTERS/ Francois Lenoir

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Por Costas Pitas

LONDRES (Reuters) - A migração da União Europeia para o Reino Unido atingiu um recorde nos 12 meses que antecederam o referendo de junho que decidiu pela saída britânica do bloco, e no qual as preocupações com a imigração motivaram muitos eleitores que votaram pela desfiliação.

O governista Partido Conservador havia prometido reduzir a imigração anual para menos de 100 mil pessoas, mas descumpriu a promessa em parte porque o número de recém-chegados à Europa continuou a crescer devido a fatores como as perspectivas de trabalho melhores.

A migração líquida da UE para o solo britânico, que computa os que chegam menos os que partem, alcançou um novo recorde de 189 mil pessoas no ano transcorrido até junho, informou o Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês). A migração líquida em geral foi de 335 mil, só mil pessoas a menos do que o pico anterior.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, prometeu controlar a imigração como parte do acordo de desfiliação da UE, e muitos eleitores culpam as regras de liberdade de circulação do bloco pelo aumento de recém-chegados, que agora o governo disse poder ser capaz de limitar.

"O Brexit (separação britânica da UE) nos dá a oportunidade de poder controlar os números que chegam da Europa", disse o ministro da Imigração, Robert Goodwill, à rede de televisão Sky News nesta quinta-feira.

"Queremos voltar a níveis sustentáveis, e isso diz respeito... à pressão que isso impõe à saúde pública, à pressão que isso impõe à educação, à pressão que isso impõe à moradia, e isso ficou muito claro durante o referendo", afirmou. 

O Reino Unido ainda não detalhou suas metas para as conversas sobre o rompimento com a UE, mas muitos líderes europeus já disseram que o país não deveria esperar manter o acesso desimpedido ao mercado comum, vital para muitos negócios, e ao mesmo tempo poder restringir a liberdade de movimento.

Pouco mais de metade da migração líquida ao Reino Unido veio de nações de fora da UE, mas a Romênia se tornou o país mais comum de última residência dos imigrantes que chegaram às terras britânicas em 2015, representando 10 por cento dos recém-chegados, disse o ONS.

A presença de grandes comunidades de minorias e a língua inglesa fazem do país um lugar atraente há tempos, mas o desemprego alto e os salários baixos no sul europeu ajudaram a atiçar levas recentes de imigração.

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