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Ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon. 20/05/2016 REUTERS/Amir Cohen

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Por Dan Williams

JERUSALÉM (Reuters) - O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, renunciou nesta sexta-feira, dizendo que a nação está sendo dominada por "elementos extremistas e perigosos" depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sinalizou que irá substituí-lo por um político de extrema-direita na tentativa de fortalecer sua coalizão.

Fontes políticas dizem que Netanyahu ofereceu a Avigdor Lieberman, seu rival de longa data, o comando da Defesa, um cargo crucial em um país sempre à beira da guerra e que administra os assuntos civis na Cisjordânia ocupada, onde palestinos que lutam por um Estado próprio vivem em atrito com colonos judeus.

"Lamento muito dizer que ultimamente me vi em disputas difíceis a respeito de questões de princípio e de profissionalismo com o primeiro-ministro, uma série de membros do gabinete e alguns legisladores", disse Yaalon, com expressão sombria, em um comunicado televisionado na sede do ministério em

Tel Aviv.

"O Estado de Israel é paciente e tolerante com os fracos em seu meio e suas minorias... mas lamento que elementos extremistas e perigosos tenham tomado conta de Israel, assim como do partido Likud, abalando nosso lar e ameaçando causar dano aos que vivem nele", afirmou, insinuando que pode se desfiliar do partido governista.

"No futuro, voltarei a lutar pela liderança nacional de Israel", acrescentou Yaalon.

O escritório de Netanyahu não respondeu de imediato a seus comentários.

A saída de Yaalon pode afetar ainda mais a confiança local e ocidental no governo do premiê.

Yaalon, ex-comandante das Forças Armadas israelenses, aparava as arestas com o Pentágono, o que representava um contraponto às desavenças de Netanyahu com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a respeito das conversas de paz com os palestinos e o programa nuclear do Irã.

Em contraste, Lieberman – cuja indicação ainda tem que ser confirmada – não tem experiência militar e é conhecido por sua postura áspera com os palestinos, a minoria árabe do Estado judeu e o Egito, um parceiro de segurança regional importante para Israel.

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