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Por Marc Frank

HAVANA (Reuters) - A morte do líder revolucionário de Cuba Fidel Casto, um grande crítico de biocombustíveis como o etanol, aumentou as esperanças entre especialistas do setor de que parte das grandes áreas agrícolas sem cultivo no país possam em breve ser utilizadas para reduzir sua dependência de combustíveis importados.

Fidel classificava o uso de produtos agrícolas para produzir etanol como "uma ideia sinistra" que resultaria em um número ainda maior de seres humanos morrendo "de sede e de fome".

A palavras de Fidel estabeleceram um limite para a política energética de Cuba que nunca foi ultrapassado, apesar da modernização levada adiante por seu irmão Raul, que assumiu a presidência provisoriamente em função do estado de saúde de Fidel em 2006 e em definitivo em 2008.

Cuba atualmente produz 96 por cento de sua energia com combustíveis fósseis, sendo 60 por cento importados. Mas o plano de desenvolvimento do país determina que 24 por cento da energia do país seja produzida com fontes como sol, vento e biocombustíveis até 2030, em parceria com investidores estrangeiros.

"Eu espero que os cubanos vejam que este é um novo dia e uma oportunidade. Que eles continuem a prestar homenagem ao antigo líder, mas é hora de seguir em frente", disse o especialista em política energética e em Cuba Jonathan Benjamin-Alvara, da Universidade de Nebraska.

Ele já prestou consultoria a empresas de energia dos EUA interessadas em Cuba, após o processo de abertura iniciado pelo presidente Barack Obama, incluindo Give Global Energy, que opera projetos de energias alternativas ao redor do planeta.

"Alimentos versus energia é uma história antiga", que ainda precisa ser superada, disse o presidente da Give Global Energy, Frank Corsini. Segundo ele, todos os países terão um dia que dedicar uma parte de suas terras para algum tipo de produção de energia.

Um pacote de oportunidades de investimento do governo de Cuba diz que o país quer construir 19 unidades de bioeletricidade anexas a usinas de cana para gerar cerca de 750 megawatts.

As unidades deverão operar 200 dias por ano com biomassa da cana e biomassa florestal.

ETANOL CUBANO? "FAZ SENTIDO"

Cuba enfrenta outros obstáculos além da delicada questão de quanto esperar após a morte de Fidel antes de começar a produzir etanol.

O embargo comercial dos Estados Unidos ainda vigora e o presidente eleito Donald Trump tem ameaçado reverter a aproximação realizada por Obama. Além disso, o setor de etanol tem enfrentado tempos difíceis.

No Brasil, importante produtor de etanol e um dos principais parceiros comerciais de Cuba, empresas estão tentando se recuperar de baixos preços do açúcar e do biocombustível entre 2010 e 2015, usando a recente recuperação nas cotações para cortar dívidas e melhorar investimentos.

"A produção de etanol faria todo sentido para Cuba, já que o país é um importador líquido de energia", disse o presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, "Eles têm condições favoráveis para cultivar mais cana."

O diretor da Havana Energy, uma empresa britânica com apoio financeiro chinês que está construindo a primeiro usina de biomassa em uma usina de cana em Cuba, Andrew Macdonald, disse que é "lógico" que o governo irá eventualmente tornar-se mais flexível.

(Por Marc Frank, em Havana; reportagem adicional de Marcelo Teixeira, em São Paulo, e Chris Prentice, em Nova York)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 5644 7762))

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