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Papa Francisco fala na Praça de São Pedro. 21/9/2016. REUTERS/Remo Casilli

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Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O jornalismo baseado em fofocas ou boatos é uma forma de "terrorismo", e veículos de mídia que estereotipam populações inteiras ou que fomentam o medo dos imigrantes estão agindo destrutivamente, disse o papa Francisco nesta quinta-feira.

O papa Francisco, que fez seus comentários ao se dirigir a líderes do sindicato nacional de jornalistas da Itália, disse que os jornalistas têm que se superar na busca da verdade, particularmente em uma era de noticiário 24 horas por dia.

Espalhar rumores é um exemplo de "terrorismo, de como você pode matar uma pessoa com a língua", disse. "Isso é ainda mais verdadeiro para jornalistas, porque eles podem alcançar a todos, e essa é uma arma muito poderosa".

Na Itália, muitos jornais são altamente politizados e usados com frequência para desacreditar os que têm opiniões políticas diferentes, às vezes noticiando boatos sem fundamentos sobre a vida pessoal de tais indivíduos.

Em 2009, vários veículos de mídia da família do então primeiro-ministro Silvio Berlusconi foram fortemente criticados pelo sindicato de jornalistas por causa de matérias que questionavam a confiabilidade de um magistrado que emitiu um veredicto desfavorável a uma empresa de propriedade dos Berlusconi.

Francisco, que defendeu em muitas ocasiões os direitos de refugiados e imigrantes, disse que o jornalismo não deveria ser usado como uma "arma de destruição contra pessoas e até povos inteiros".

"Nem deveria fomentar o medo perante eventos como a imigração forçada devido à guerra ou à fome", acrescentou.

No ano passado, o jornal de direita Libero deu uma manchete sobre os ataques em Paris que mataram cerca de 130 pessoas falando nos "bastardos islâmicos".

Outro diário de direita, o Il Giornale, publicou no ano passado uma reportagem sobre a situação caótica na Líbia e o risco de que militantes pudessem entrar na Itália com o seguinte título: "O Estado Islâmico está chegando. Vamos nos armar".  

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