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Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte. 08/09/2016 REUTERS/Jorge Silva

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Por Fergus Jensen e Karen Lema

JACARTA (Reuters) - O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, afirmou nesta sexta-feira que disse ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que jamais o chamou de "filho da puta", mas manteve a postura desafiadora no combate às drogas, dizendo que o secretário-geral da OOU, Ban Ki-moon, é um tolo por trazer à tona a defesa dos direitos humanos.

Obama cancelou uma reunião bilateral com Duterte durante reunião da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), realizada nesta semana no Laos, depois do suposto insulto do líder filipino em seu idioma nativo, o tagalog, mas os dois se encontraram brevemente mais tarde enquanto esperavam para ocupar seus lugares em um banquete.

Em visita à capital da Indonésia nesta sexta-feira, Duterte disse a um grupo de filipinos que o insulto não foi dirigida ao presidente norte-americano, e que lhe disse isso.

"Eu estava pronto (para Obama). Estava esperando Obama responder. De advogado para advogado, afinal ambos somos advogados... eu disse que jamais fiz o comentário. Verifiquem", afirmou. "Eu disse isso, mas não em relação a Obama", afirmou. "Não estou lutando contra a América".

Obama e Duterte apertaram as mãos e tiveram uma conversa rápida na quarta-feira, disseram autoridades, amenizando o impasse.

Duterte teve o rompante na segunda-feira, quando defendia sua guerra às drogas, que já matou pelo menos 2.400 filipinos.

Nesta sexta-feira, Duterte disse que considera Ban um tolo por falar em violações de direitos humanos semanas antes da cúpula no Laos.

"Até Ban Ki-moon deu palpite", disse Duterte. "(Ele) também fez um comentário, várias semanas atrás, sobre as violações de direitos humanos. Sabi ko, isa ka pang tarantado (você é outro tolo)".

Duterte ainda disse que irá tentar intensificar a segurança para os navios que trafegam nas águas entre a Indonésia, as Filipinas e a Malásia, onde têm ocorrido sequestros e outros ataques.

As Filipinas irão permitir que forças indonésias que perseguem piratas entrem em suas águas, disse.

"Desta vez deixamos claro que, se a perseguição começar na Indonésia, e depois cruzar águas internacionais e entrar nas águas das Filipinas, podem ir adiante e acabar com eles".

(Por Fergus Jensen, em Jacarta, e Karen Lema, em Manila; Reportagem adicional de Gayatri Suroyo)

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