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MONTEVIDÉU (Reuters) - As chuvas fortes das últimas duas semanas no Uruguai, que já deixaram ao menos 7 mortos, impediram colher normalmente as plantações de soja, o que pode comprometer a qualidade do cultivo e afetar as vendas para o exterior, disseram produtores locais neste fim de semana.

"A situação é parecida em todo o país, estamos totalmente paralisados pela chuva", disse o produtor Tomás Molina, que tem plantações em quatro dos 19 departamentos do país, no sábado. "Assim não podemos colher nada", lamentou, acrescentando que pela quantidade de água é possível que as exportações sejam prejudicadas, tanto pela demora na colheita como pela qualidade do cultivo.

Na área de maior produção do Uruguai, a chuva começou a cair com intensidade no começo do mês, quando os produtores pensavam em colher a oleaginosa plantada em dezembro. Até o momento em abril, a chuva registrada chegou a 400 milímetros, mas a quantidade varia dependendo do lugar, e em alguns chegou a 800 milímetros, segundo os produtores. A média mensal normalmente é de 100 milímetros.

O presidente da associação de agricultores Federação Rural, Fernando Dighiero, disse que "pode ser que a soja passe e fique de má qualidade".

A chuva também aumenta os custos para a colheita. O barro torna mais difícil trabalhar com as máquinas, o que requer um gasto maior com combustível.

Em todo o território do Uruguai, sete pessoas morreram e mais de 2.000 ficaram desabrigadas devido às tempestades, disse neste domingo o presidente Tabaré Vázquez em entrevista coletiva.

(Reportagem de Matías Larramendi)

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