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Hillary Clinton e Sanders durante debate em Nova York. 14/4/2016. REUTERS/Lucas Jackson

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Por Doina Chiacu e Ginger Gibson

WASHINGTON (Reuters) - O ressentimento por conta do processo de escolha do candidato democrata a presidente dos Estados Unidos acompanhava Hillary Clinton e Bernie Sanders nesta quarta-feira quando eles se preparavam para a fase final da longa batalha para representar o partido nas eleições para a Casa Branca em novembro.

No lado republicano, o nomeado em potencial, Donald Trump, provocou controvérsia em relação a suas políticas domésticas e externa. Numa entrevista à Reuters na terça-feira, Trump apresentou uma série de propostas polêmicas, entre elas desmantelar a maior parte da regulamentação financeira Dodd-Frank, renegociar o acordo climático de Paris e mostrar disposição de se encontrar com o líder norte-coreano.

Enquanto Trump, que praticamente assegurou a nomeação do seu partido quando os seus dois últimos rivais desistiram neste mês, foca diretamente nas eleições gerais de 8 de novembro, os democratas enfrentam uma disputa por causa da caótica convenção estadual do partido em Nevada no fim de semana, que teve uma cadeira atirada por um simpatizante de Sanders.

Nesta quarta, mais democratas cobraram de Sanders uma posição mais dura contra a revolta dos seus simpatizantes em Nevada e disseram que ele não foi enfático o suficiente ao condenar a violência no local.

"Aquele era o momento de enviar uma mensagem forte para os seus seguidores: nós não fazemos esse tipo de coisa”, afirmou a senadora Dianne Feinstein à CNN.

A democrata Barbara Boxer, senadora pela Califórnia, estava na convenção de Nevada e manifestou sua preocupação a Sanders num telefonema na terça-feira à noite. “Eu temi pela minha segurança, e eu tinha um monte de seguranças em minha volta”, disse ela à CNN.

Sanders afirmou que condenou a violência e a intimidação contra indivíduos, mas chamou o incidente de Nevada de um alerta aos líderes democratas para que eles tratem os simpatizantes dele com justiça.

Sanders, senador por Vermont, está determinado a seguir a disputa com a líder Hillary no que se tornou uma batalha mais longa do que o esperado e às vezes dura. Em disputas na terça, Hillary venceu Sanders por pequena margem em Kentucky, um Estado onde não se esperava que ela ganhasse. Sanders levou Oregon.

Os democratas enfrentam um delicado exercício de equilíbrio enquanto Sanders permanecer na disputa, precisando dirigir a atenção para Trump, mas sem considerar a nomeação de Hillary garantida, o que alienaria os apoiadores de Sanders.

Desavenças na terça-feira entre a campanha de Sanders e o líder do Comitê Nacional Democrata por conta do ocorrido em Nevada ameaçaram ainda mais a unidade do partido a menos de dois meses da sua convenção nacional na Filadélfia.

"Se ignorada, a relação tóxica entre o DNC (o comitê democrata) e a campanha de Sanders, tão evidente na noite passada, pode colocar uma nuvem pesada sobre a convenção da Filadélfia”, afirmou David Axelrod, ex-estrategista de Barack Obama, no Twitter.

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