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Sírios retirados do leste de Aleppo aguardam por comida em área controlada pelo governo em Jibreen, Aleppo. 30/11/2016 REUTERS/Omar Sanadiki

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Por Tom Miles e Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - Cerca de 30 mil pessoas estão recebendo ajuda desde que fugiram da zona leste sitiada de Aleppo nos últimos dias, elevando para mais de 400 mil o total de pessoas deslocadas na cidade síria, disse o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Staffan de Mistura, nesta quinta-feira.

Até quarta-feira, aproximadas 18 mil pessoas foram registradas ao entrarem em áreas controladas pelo governo, e cerca de 8.500 cruzaram para Sheikh Maqsoud, zona de Aleppo comandada pelos curdos, informou o assessor humanitário de De Mistura, Jan Egeland, aos repórteres. Ele disse que estas cifras provavelmente terão aumentado nesta quinta-feira.

Uma campanha terrestre e aérea de forças do governo da Síria e de seus aliados Rússia e Líbano, que começou em setembro, isolou os rebeldes em seu bastião urbano mais importante e deixou estimados 250 mil civis com estoques de comida e instalações médicas cada vez mais precários. No domingo e na segunda-feira os rebeldes da cidade sofreram seu maior revés em quatro anos, perdendo cerca de um terço da área que haviam controlado.

Damasco e Moscou recusaram um pedido de pausa nos combates feito pelo ONU com o fim de retirar 400 doentes e feridos necessitados de tratamento imediato, mas a Rússia quer debater a ideia de criar quatro corredores humanitários, disse Egeland, acrescentando:

"Um corredor humanitário pode funcionar se os participantes armados o respeitarem".

A ONU tem alimento para 150 mil pessoas pronto para ser entregue no oeste de Aleppo, mas ainda não consegue chegar a cerca de 200 mil que continuam no enclave, onde os estoques de comida acabaram e cirurgias são feitas em porões sem anestesia, relatou.

A ONU está intensificando sua presença no oeste da localidade para ajudar o esforço de socorro, mas também para monitorar o tratamento das pessoas em fuga da área sob cerco.

"Não existem pessoas mais vulneráveis na Terra, provavelmente, do que a população civil de Aleppo", disse Egeland. "E elas estão extremamente vulneráveis a possíveis ações de grupos armados da oposição enquanto tentam partir e de todos os grupos que irão encontrá-las enquanto partem."

Reuters