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WASHINGTON (Reuters) - O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos Donald Trump disse neste domingo que está aberto a aumentar os impostos sobre ricos, recuando em relação à proposta anterior de reduzir impostos sobre todos os norte-americanos e rompendo com uma das principais políticas do seu partido, que remonta à década de 1990.

"Eu estou disposto a pagar mais, e você sabe o quê, os ricos estão dispostos a pagar mais", disse Trump ao programa da ABC "This Week".

Depois de selar efetivamente a nomeação republicana na semana passada, Trump tem usado discursos e entrevistas para oferecer mais detalhes sobre suas posições políticas.

O bilionário do mercado imobiliário já disse que gostaria de ver um aumento no salário mínimo, embora tenha afirmado ao programa da NBC "Meet the Press", neste domingo, que prefere ver os Estados assumirem a liderança nessa frente, ao invés de o governo federal.

"Não sei como se vive com 7,25 dólares por hora", disse ele sobre o atual salário mínimo federal. "Gostaria de ver um aumento de alguma magnitude. Mas eu prefiro deixar isso para os Estados. Deixar os Estados decidirem."

O posicionamento de Trump em direção a impostos mais altos sobre ricos representa uma ruptura na comparação com candidatos republicanos à presidência, que se opuseram firmemente a aumentos de impostos por quase três décadas.

Democratas, incluindo a principal candidata à presidência Hillary Clinton, têm feito pressão por aumento de impostos sobre os norte-americanos mais ricos há anos.

Trump enfatizou em entrevistas separadas para a ABC e para a NBC que suas prioridades envolviam redução dos impostos sobre a classe média e empresas.

"A classe média tem de ser protegida", disse Trump à NBC. Os ricos "provavelmente vão acabar pagando mais", acrescentou.

A equipe de campanha de Hillary disse em comunicado que os comentários de Trump foram um esforço para agradar eleitores para além daqueles que o apoiaram nas eleições primárias, e que ele não tinha intenção de aumentar os impostos sobre ricos.

Os republicanos continuam profundamente divididos sobre a candidatura de Trump, apesar de ele ter se comprometido a tentar unir o partido à frente de sua convenção em julho. Líderes proeminentes do partido, tais como Paul Ryan, presidente da Câmara dos Deputados, se distanciaram de Trump em função de sua proposta de proibir temporariamente os muçulmanos de entrar nos Estados Unidos.

Trump também pediu novas tarifas sobre as importações chinesas e mexicanas para os Estados Unidos, uma posição contrária à adotada por muitos republicanos de peso.

(Reportagem de Lindsay Dunsmuir e David Lawder)

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