Reuters internacional

Por Daren Butler e Yesim Dikmen

ISTAMBUL (Reuters) - Forças especiais da Turquia detiveram um grupo que tentou capturar ou matar o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, durante o golpe fracassado do mês passado, e um ministro disse que os conspiradores "não verão mais a luz do sol enquanto respirarem".

Drones (aeronaves não-tripuladas) e helicópteros apontaram a localização de 11 militares fugitivos nas colinas dos arredores da estância mediterrânea de Marmaris após uma caçada humana de duas semanas, disse uma autoridade nesta segunda-feira. Eles eram parte de um grupo que atacou um hotel onde Erdogan passava férias na noite de 15 de julho, data da tentativa de golpe.

A operação ocorreu de domingo para segunda-feira, depois que o governo apertou o cerco aos militares dispensando mais de mil soldados adicionais e aprofundando um expurgo pós-golpe em instituições estatais que já atingiu dezenas de milhares de pessoas.

A tentativa de golpe e os expurgos resultantes vêm chocando a Turquia, que testemunhou uma tomada de poder violenta dos militares pela última vez em 1980, e abalaram a confiança na estabilidade do país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que é essencial na luta contra o Estado Islâmico liderada pelos Estados Unidos e para frear a imigração ilegal à Europa.

O ministro da Economia turco, Nihat Zeybekci, disse que os conspiradores irão se arrepender amargamente por tentar destruir a democracia da Turquia com um palavreado que refletiu a profundidade da revolta dos milhares de turcos que vêm comparecendo a manifestações de repúdio ao golpe noite após noite.

"Nós os faremos implorar. Vamos metê-los em buracos, eles irão sofrer tantas punições nestes buracos que não verão mais a luz do sol enquanto respirarem", teria dito Zeybekci, segundo a agência de notícias Dogan, durante um protesto antigolpe em Usak, cidade do oeste da nação, no final de semana.

"Eles não voltarão a ouvir uma voz humana. Eles irão implorar 'matem-nos'", afirmou.

Erdogan culpa seguidores do clérigo turco Fethullah Gulen pelo golpe malsucedido e prometeu livrar as instituições do Estado de sua influência. Mas a amplitude dos expurgos e as insinuações de que a pena de morte pode ser retomada despertaram preocupações nas capitais ocidentais e em grupos de direitos humanos.

Gulen, auto-exilado nos EUA, negou qualquer envolvimento.

O chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Joseph Dunford, o militar mais graduado de seu país, iria se reunir com o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, em Ancara nesta segunda-feira.

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