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Soldados patrulham cerca na fronteira da Hungria com a Sérvia. 22/02/2016 REUTERS/Laszlo Balogh

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Por Madeline Chambers e Marton Dunai

BERLIM/BUDAPESTE (Reuters) - A Hungria deveria ser excluída da União Europeia por suas políticas anti-imigrantes, incluindo a construção de uma cerca de arame farpado, que minam os valores do bloco, disse o ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn, em comentários publicados nesta terça-feira.

A crítica dura ao governo do premiê húngaro, Viktor Orban, que resultou em uma réplica vigorosa de Budapeste, ocorreu três dias antes de uma cúpula crucial cujo objetivo é projetar a unidade da UE depois da decisão chocante do Reino Unido de deixar o bloco.

"Não podemos aceitar que os valores básicos da União Europeia sejam violados tão seriamente", disse Asselborn ao jornal alemão Die Welt. "Qualquer um, como a Hungria, que construa cercas contra refugiados de guerra ou viole a liberdade de imprensa e a independência do sistema de justiça deveria ser excluído temporariamente, ou se necessário para sempre, da UE".

O pedido explícito de exclusão de um Estado-membro da UE é inédito, e ressalta a amplitude das divisões dentro da Europa no tocante ao compartilhamento da responsabilidade pelos mais de um milhão de imigrantes e refugiados que chegaram às suas praias no ano passado.

O chanceler húngaro, Peter Szijjarto, afirmou que seu país vem defendendo a Europa ao longo de sua história, e descreveu o colega de Luxemburgo como "condescendente, altivo e frustrado".

Orban revoltou muitos de seus parceiros de bloco com sua retórica dura contra os imigrantes e por fortificar suas fronteiras para mantê-los do lado de fora. Ele convocou um referendo para o mês que vem no qual está exortando os húngaros a votarem contra cotas futuras da UE estipulando quantos refugiados cada país deve receber.

(Reportagem adicional de Gabriela Baczynska, em Bruxelas, e Andreas Rinke e Gederts Gelzis, em Riga)

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