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Refugiados após desembarque na ilha grega de Lesbos. 19/11/2015 REUTERS/Yannis Behrakis

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Por Tom Miles

GENEBRA, Suíça (Reuters) - O número de refugiados e imigrantes que chegaram por terra e mar à União Europeia neste ano ultrapassou 1 milhão, enquanto mais de 3.700 morreram ou desapareceram em jornadas perigosas que renderam lucros elevados para traficantes, afirmou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) nesta terça-feira.

"São quase três ou quatro vezes mais o número de imigrantes e refugiados que vieram em 2014, e as mortes já ultrapassaram em muito o total de mortes do ano passado", disse o chefe da OIM, William Lacy Swing, à Reuters.

Quase todos aqueles que chegaram à Europa vieram pelo mar Mediterrâneo ou o mar Egeu, e metade era de sírios fugindo da guerra. Outros 20 por cento eram afegãos e 7 por cento eram iraquianos, segundo uma declaração conjunta da OIM e da Acnur, agência de refugiados da ONU.

As operações de contrabando de pessoas provavelmente foram responsáveis pela maioria das viagens e levaram a uma arrecadação de pelo menos 1 bilhão de dólares, disse Swing, levando pessoas "a qualquer lugar cobrando entre 2 mil e talvez 6 mil dólares dependendo do número de membros da família e dependendo de qual a rede de contrabando".

A OIM estima que os traficantes de pessoas na Europa arrecadaram 10 bilhões de dólares ou mais desde 2000, talvez muito mais. "Eles estão sendo certamente bem pagos pelos seus serviços."

De um total de 1.005.504 desembarques na Grécia, Bulgária, Itália, Espanha, Malta e Chipre até 21 de dezembro, a vasta maioria, 816.752, chegou na Grécia por mar, informou a OIM.

A agência de refugiados da ONU, Acnur, estima que as chegadas continuarão em ritmo similar em 2016, mas o porta-voz da OIM, Joel Millman, disse que é impossível prever números futuros.

"Muita coisa está em jogo, a resolução da guerra síria, e a disposição das ações de proteção fronteiriça na Europa", disse.

O movimento recorde de pessoas à Europa é um sintoma de um nível recorde de perturbações ao redor do mundo, com números de refugiados e deslocados superando 60 milhões, informou o Acnur na semana passada.

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