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Vice da chapa republicana, Mike Pence, durante evento na Pensilvânia. 27/07/2016 REUTERS/Carlo Allegri/File Photo

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Por Doina Chiacu e Steve Holland

WASHINGTON (Reuters) - Se Mike Pence tinha alguma dúvida sobre como seria sua vida durante a campanha presidencial republicana com Donald Trump, ela desapareceu na semana passada: é a vida de um responsável pelo controle de danos.

O governador de Indiana, que anos atrás prometeu evitar a baixaria na política, ouviu Trump chamar sua rival democrata Hillary Clinton de "o demônio" e o viu atiçar as chamas de uma desavença com os pais de um soldado norte-americano muçulmano que morreu salvando soldados do país no Iraque.

Ao contrário de muitos vices de chapa presidenciais, o afável Pence não foi escolhido como pitbull para a eleição de 8 de novembro --Trump desempenha esse papel à perfeição.

A tarefa de Pence é mais difícil: suavizar as grosserias de Trump e limitar os estragos do que muitos republicanos veem como ferimentos autoinfligidos do candidato presidencial do partido.

Uma semana atrás, por exemplo, Pence voltou atrás na lista negra de alguns veículos de mídia evitados por Trump, dizendo que a campanha está debatendo uma mudança de rumo.

No domingo, enquanto a troca de farpas do magnata com os pais do capitão Humayun Khan fervia, Pence emitiu um comunicado louvando o militar, que chamou de "herói norte-americano", e afirmando que sua família "deveria ser valorizada por cada norte-americano".

Na quarta-feira, Pence ofereceu seu apoio à reeleição do presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, que ocupa o mais alto cargo eletivo entre os republicanos, depois de Trump enfurecer muitos líderes partidários por se recusar a fazê-lo.

Pence evita recorrer a insultos. Trump, em contraste, tem prazer em usar alcunhas como "Hillary Corrupta" e "o demônio" para descrever a ex-primeira-dama.

Trump deixou claro que valoriza Pence, dizendo durante um comício na quinta-feira em Portland, no Estado do Maine, que ele e seu colega de chapa têm "um ótimo relacionamento".

Mas Pence tem que caminhar sobre uma linha tênue. Ao mesmo tempo em que desarma as bombas do candidato a presidente, ele tem que tomar cuidado para mostrar que sabe quem manda, e ainda se ater a seus princípios sem parecer minar o homem que o escolheu como companheiro de chapa.

Caso Trump vença, Pence, um ex-congressista, poderia servir como canal para o Congresso dos EUA. Se Trump perder, pode emergir como possível candidato à Casa Branca em 2020.

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