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Risco de deflação? Franco forte pressiona salários na Suíça

Aumentar o tempo de trabalho, baixar salários, pagar os fronteiriços em euros: várias empresas já anunciaram tais medidas para garantir o emprego nos setores mais atingidos pelo abandono da taxa mínima de câmbio em relação ao euro pelo Banco Central Suíço. Todavia, o remédio pode ser mais nocivo do que o mal, advertem certos economistas.



A vontade da empresa Straumann (aqui sua unidade de produção de Villeret, cantão de Berna) de pagar os salários dos fronteiriços em euro provocou muita controvérsia.

A vontade da empresa Straumann (aqui sua unidade de produção de Villeret, cantão de Berna) de pagar os salários dos fronteiriços em euro provocou muita controvérsia.

(swissinfo.ch)

O vento glacial desse início de fevereiro parece ser acompanhado de um vento de pânico nos vales do Jura e em outras regiões industriais do país, muito voltados para a exportação. A causa é a decisão do Banco Central Suíço (BNS) de abandonar a taxa de câmbio mínima de 1,20 francos suíços por um euro, em 15 de janeiro. 

De repente, as empresas que exportam para a União Europeia, principal parceiro comercial da Suíça, viram seus produtos ficarem 20% mais caros. Impossível para certos patrões que já tomaram medidas para reduzir custos e assim evitar demitir empregados. Em muitos casos, os empregados são solicitados a participar ativamente do esforço comum.

O fabricante de implantes dentários Straumann, por exemplo, pediu a seu pessoal na Suíça, inclusive diretores, de renunciar a uma parte do bônus de 2015. A empresa propôs também de pagar seus empregados fronteiriços em euros, com base em uma taxa fixa. Outro exemplo é o dos assalariados da fábrica de folhas magnéticas R.Bourgeois aceitaram uma redução de 10% para lutar contra o franco forte.

Demitidos e depois contratados

Na Cloos Electronic, no cantão de Neuchâtel, os 55 empregados foram demitidos e depois contratados e o tempo de trabalho aumentou. Exemplos similares se multiplicam nos últimos dias por toda a parte na Suíça e particularmente no cantão do Ticino, sul do país.

“A baixa dos salários é uma medida muito perigosa que só deve ser utilizada em último recurso."

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O sindicato Organização cristã-social ticinesa (OCST)Link externo contatou que depois da abolição da taxa de câmbio mínima, entre 10 e 15% dos patrões do cantão tomaram imediatamente algumas medidas para reduzir salários. São firmas não submetidas a convenções coletivas de trabalho (CCT), mas o risco de contaminação a outras empresas e setores de atividade preocupa os sindicatos.

Além da legalidade duvidosa de certas medidas (ver box), a questão é saber que impacto poderia ter uma generalização dessas práticas. “Baixar salários é uma medicação nociva que reforçaria a tendência deflacionista e colocaria seriamente em perigo a saúde do conjunto da economia suíça”, estima Daniel Lampart, economista-chefe da União Sindical Suíça (USS), questionado pelo jornal Migros Magazine.

Da recessão à depressão

 Esse receio é compartilhado pelo economista liberal Stéphane Garelli: “A baixa dos salários é uma medida muito perigosa que só deve ser utilizada em último recurso. Se todo mundo faz isso, o risco é transformar a recessão que se anuncia em depressão”. Para esse especialista em competitividade das nações, professor no IMD de LausanneLink externo, a deflação, ou seja, a queda generalizada dos preços, é atualmente o principal perigo para a economia suíça. 

O BNS muda de posição

“Uma sobrevalorização massiva (do franco) comporta riscos de recessão e de uma evolução deflacionista”, afirmava o antigo presidente do Banco Central Suíço (BNS), Philipp Hildebrand, em setembro de 2011, no momento de adotar a taxa mínima de câmbio de 1,20 franco por um euro. Em 15 de janeiro de 2015, Thomas Jordan foi questionado pela imprensa acerca dos dizeres de seu predecessor quando ele anunciou o fim da medida. “O risco que ficássemos em uma inflação negativa em 2015 – talvez até um pouco mais de tempo – é sem equívoco. Mas não acredito que tenhamos uma espiral deflacionista.” 

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Não se deve, portanto, tocar nos salários e, consequentemente, no poder aquisitivo dos consumidores. “Em contrapartida, seria possível agir na flexibilidade do tempo de trabalho, pedindo aos empregados de trabalhar, por exemplo, uma hora a mais pelo mesmo salário”, estima Stéphane Garelli.

Se ele julga exagerado falar de risco de deflação, Sergio Rossi, professor de economia na Universidade de FribourgLink externoo, concorda com seus congêneres sobre o não-senso econômico que consiste a baixa dos salários para lutar contra os efeitos do franco forte. “Para as empresas, significa cortar o galho em que estão sentadas. Não falo de cortar salários de executivos, mas de assalariados que precisam desse renda para as despesas cotidianas. Isso age de maneira negativa ao mesmo tempo sobre o nível de consumo e sobre a motivação dos empregados.”

O franco forte é um pretexto

Essa opção foi portanto aventada pelo ministro da Economia Johann Schneider-Ammann em uma entrevista concedida em 23 de janeiro ao Tages-AnzeigerLink externo. Logo depois ele relativizou dizendo que as negociações salariais era da responsabilidade dos parceiros sociais e que as baixas de salário só deveriam ser utilizadas em último recurso. 

"Reduzir salários  age de maneira negativa ao mesmo tempo sobre o nível de consumo e sobre a motivação dos empregados.” 

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Sergio Rossi estima que numerosas empresas aproveitam da decisão do BNS para preservar ou aumentar suas margens de lucro. “No Ticino (sul), as empresas que decidiram reduzir salários são as que já exploravam os trabalhadores fronteiriços que que são, de qualquer maneira, cedo ou tarde, condenadas a desaparecer. O problema é que isso tende a contaminar toda a economia regional ou mesmo nacional.”

O professor também denuncia um certo alarmismo ambiente. “O discurso era idêntico antes de adotar a taxa mínima de câmbio pelo BNS em 2011. No entanto, a maioria das empresas exportadoras deste país – penso especialmente no setor químico-farmacêutico ou na relojoaria sofrem apenas marginalmente dos efeitos do câmbio.”

Esse ponto de vista não é compartilhado por Stéphane Garelli, muito crítico do abandono da taxa mínima para o euro, mas sobretudo de ter ligado a moeda nacional a uma só divisa estrangeira. “Não se pode pretender ao mesmo tempo que o ‘made in Switzerland’ é importante para a competitividade de nosso país e aceitar que o franco suíço se fortaleça em alguns anos de quase 40% em relação ao euro. A Alemanha, outro país do continente a manter uma base industrial forte, beneficia ao contrário de um euro fraco. De tanto puxar a corda, existe um risco real para a indústria suíça.”

A deflação é um cenário temido

Em período de deflação, devido ao fato de uma queda geral e durável dos preços, as empresas só têm a escolha de reduzir custos. O meio de fazer isso da maneira mais eficaz é reduzir salários ou demitir. Começa então um círculo vicioso do qual é difícil sair. Afetados pela queda de renda, os consumidores adiam suas compras na esperança de se aproveitarem de preços ainda mais baixos. O valor crescente da moeda “refúgio” torna o investimento produtivo pouco atrativo. A dívida aumenta e é cada vez mais difícil para as empresas, o Estado e as famílias para pagarem suas dívidas. Frequentemente citado, esse cenário é, porém, excepcional. Durante o século 20, pode-se citar a Grande Depressão dos anos 1930 e, mais recentemente, o caso do Japão, que teve quase duas décadas de deflação depois do crise da bolsa e do setor imobiliário de 1991.

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Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch

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