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Jacarezinho


Swiss Olympics anuncia projeto em favela do Rio de Janeiro


Por Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro


Após conquistar os cariocas com a Casa da Suíça e ser tema do enredo da escola de samba Unidos da Tijuca, a Suíça continuará marcando presença no Rio de Janeiro, em 2016, com um trabalho social na Favela do Jacarezinho, uma das maiores da cidade.

 (Keystone)
(Keystone)

Ao participar nos dias 4 e 5 de março do evento “Sport as Business Conference”, organizado pelo Swissnex Brasil e pela Universidade de Saint-Gallen, entre outros, no Rio de Janeiro, Andrea Müller, diretor de Projetos Sociais do Swiss Olympics, anunciou que a Suíça pretende patrocinar um projeto para beneficiar a população carente do Jacarezinho. Os detalhes deste projeto ainda não foram definidos, mas o objetivo é construir um centro de esportes na comunidade ou levar adiante algum programa de formação esportiva em parceria com as escolas públicas da região.

“Queremos ajudar a capacitar as pessoas da comunidade para que pratiquem esporte. Queremos trabalhar com valores que o esporte traz, como respeito e amizade. A prática esportiva está também associada ao desenvolvimento social, à saúde e à educação, ajuda a construir o capital social de uma região ou população”, disse Müller, ressaltando que o alvo principal do projeto serão as crianças e as mulheres.

O diretor do Swiss Olympics afirmou que existem três possibilidades para o projeto suíço no Jacarezinho. A primeira delas é utilizar os espaços já existentes na favela: “Nós temos que ir às pessoas e não pretender que as pessoas venham até nós”, disse. A segunda possibilidade é levar o projeto para dentro das escolas públicas, e a terceira é construir um novo centro esportivo. Neste último caso, uma das ideias é construir um ginásio vertical nos moldes desenvolvidos pela Escola Politécnica de Zurique e já executados em países como a Venezuela, por exemplo.

Conhecimento local

Ideias à parte, Andrea Müller diz que o fundamental é realizar um projeto que seja do real interesse da população, e não algo vindo “de fora pra dentro”, erro muitas vezes cometido em projetos sociais estrangeiros que são executados nas favelas brasileiras sem levar em conta o conhecimento local: “Cabe aos habitantes do Jacarezinho fazer o projeto. Temos que deixar um legado que possa ser do domínio das pessoas, um projeto sustentável, algo que deve permanecer”, disse.

Para tanto, o caminho escolhido pelo Swiss Olympics é o estabelecimento de uma parceria com a organização não governamental Rio da Paz, que tem atuação no Jacarezinho e em outras favelas da cidade: “O Rio da Paz realiza um trabalho em rede. Além disso, é importante trabalhar com alguém de dentro, é preciso estar realmente inserido na comunidade”, diz Müller, lembrando que no Jacarezinho ainda existem alguns focos do tráfico de drogas, embora a favela seja uma das beneficiadas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do governo do Rio de Janeiro.

A ONG carioca já ajudou os suíços em algumas tarefas iniciais importantes, como mapear os equipamentos esportivos existentes na favela ou fazer uma pesquisa sobre qual o esporte as pessoas prefeririam praticar. Paixão número um do brasileiro, o futebol não entrou na lista: “Queremos privilegiar outros esportes e, quem sabe, ajudar a formar atletas que um dia disputarão os Jogos Olímpicos. Não é necessário investir em futebol”, disse Müller.

Com a pesquisa feita junto aos moradores, veio uma primeira lição para o olhar estrangeiro. O esporte mais votado foi natação: “Mas, com o questionário, descobrimos que as pessoas ao votar não pensavam em uma formação olímpica, elas querem simplesmente aprender a nadar”, disse Müller. Outros esportes bem votados pelos moradores do Jacarezinho foram vôlei, atletismo, balé e judô.

Jacarezinho

Uma das maiores e mais conhecidas favelas do Rio de Janeiro, o Jacarezinho não está localizado em um dos morros da cidade, como tantas outras. Suas 11,5 mil casas se espalham em uma área plana, na Zona Norte do Rio, com 514 mil metros quadrados. Dezoito distintas comunidades abrigam 43 mil pessoas, segundo as estatísticas oficiais, mas estimativas feitas por ONGs falam em 90 mil habitantes na região, um terço dos quais é de crianças ou adolescentes.

A renda média por família no Jacarezinho é de R$ 300,00 ao mês. A região tem desde 2013 uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), mas parte de seu território ainda é controlada pela facção criminosa conhecida como Comando Vermelho, o que a torna um dos principais pontos de venda de drogas no Rio de Janeiro.

Lacuna

O diretor de Projetos Sociais do Swiss Olympics deu a entender que os projetos olímpicos podem preencher uma lacuna deixada pela Copa do Mundo, que, segundo ele, não chegou aos lugares mais pobres do Rio de Janeiro: “O sentimento que percebi nas vezes em que conversei com as pessoas do Jacarezinho é que não foi boa a experiência delas com a Copa do Mundo, muitos se sentem traídos. Ficaram sem nenhum legado, a Copa não fez nenhuma diferença na favela”, disse.

Para fazer a diferença, uma opção interessante é a interação com as escolas públicas da região. Nas conversas travadas entre o Swiss Olympics e a Secretaria de Educação do Governo do Rio, os suíços receberam o convite para integrar o Projeto Dupla Escola, que já tem a participação de entidades ligadas aos governos da Alemanha e de Liechtenstein: “É um projeto para preparar a vida dos estudantes fora da escola. O governo nos deixaria utilizar as instalações das escolas, fora do horário de aula. A ideia é boa, mas talvez a Suíça prefira estar em um projeto sozinha. Ainda não decidimos”, disse Müller.

A próxima tarefa dos suíços será estudar as opções de terreno onde um centro esportivo poderia ser erguido no Jacarezinho. Por enquanto as possibilidades são o terreno de uma fábrica abandonada da empresa General Electric, alguns terrenos públicos que foram desapropriados e estão vazios e até mesmo um Centro Integrado de Educação Pública (Ciep), que é uma escola de tempo integral da rede pública estadual: “Temos pressa em fazer essa definição. Os Jogos Olímpicos serão já no ano que vem”, disse Müller.

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